Arquivo mensal: setembro 2015

Botecando #67 – Fast Berlin – São Paulo – SP

FB 01O Fast Berlin tem uma proposta bem interessante: oferecer comida de rua típica de Berlin, além é claro, de cervejas. Imagino que o Fast do nome tenha sido um trocadilho com a palavra em alemão (Fast com o “A” aberto, que significa “quase”) e em inglês (“rápido”), então, para quem entende alemão é o “quase Berlin” e para quem não entende, remete à fast food.

O bar/lanchonete fica ali bem no comecinho da Mourato, quase esquina com a Rua dos Pinheiros, em um imóvel que também remete aos pequenos estabelecimentos onde se come barato e rápido que existem em Berlin. É bem montado, apesar de não ser muito grande. Uma pena que ali não existe espaço na calçada para “espalhar” mesas.

Currywurst e cerveja: das ist Berlin!

Currywurst e cerveja: das ist Berlin!

As comidas são servidas em porções individuais bem generosas (dá para duas pessoas sem muita fome comerem sossegado). Desta vez provei a tradicional Currywurst, com salsicha de porco (tem mais duas opções de salsichas) e uma porção de Paprika Schnitzel (um filé de porco empanado, nesta apresentação cortado em pedaços pequenos e acompanhado de um molho de páprica). As duas porções acompanharam fritas (Pommes Frites). Achei que as porções eram menores quando pedi então acabou por não sobrar espaço para experimentar a coxinha de Eisbein (joelho de porco) e muito menos a Apfelstrudel.

Eles também oferecem uma boa carta de cervejas, porém sem focar especificamente em cervejas DE Berlin, mas cervejas comercializadas na cidade. Portanto apesar da carta não muito grande, se encontra uma boa variedade, como a HB (vom Fass), Berliner Kindl, pilsens Tchecas e mais algumas outras opções.

O cardápio é bem montado, oferecendo opções vegetarianas e indicando os melhores estilos de cerveja para cada prato. O atendimento foi um dos melhores pontos, com todo o staff sendo muito atencioso e simpático. Para não falar que tudo estava muito bom, tem dois pontos que, se não me desagradaram, ao menos não deixaram a experiência ser melhor do que foi.

O primeiro é o preço, mas talvez eu que esteja sendo meio chato, já que o povo está acostumado a comer os tais Hamburgers gourmet de food truck de pé, literalmente na rua e pagar R$ 25,00 por isto e eu paguei algo equivalente por porções grandes, mas sentado confortavelmente numa mesa debaixo do ar condicionado. O outro ponto é que não me senti como se estivesse no bar. Não sei dizer exatamente porque, mas o local te convida a comer e ir embora e não a sentar para ficar tomando cerveja e jogando conversa fora. Talvez seja a fila de espera que se formou alguns minutos depois de termos chegado.

Só acho que, por ser de comida de rua de Berlin, tinham que ter Kebab no cardápio….hahaha

Onde: Fast Berlin (Rua Mourato Coelho, 24 – Pinheiros – SP)
Quando: 18/09/2015
Bom: atendimento e ambiente
Ruim: preço
Site: http://www.fastberlin.com.br/
Facebook: https://www.facebook.com/fastberlin?fref=ts

Be happy! 🙂

Wanderlust #30 – Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, Brasil

RJ 01Existem cidades que são muitas dentro de uma. Estas cidades são impossíveis de se conhecer em apenas alguns dias, eventualmente mesmo algumas semanas são pouco e você é “obrigado” a voltar várias vezes para poder conhecer todas as faces delas. São Paulo é assim, Berlin também é. Mas o Rio talvez seja a principal delas. Existe o Rio de Janeiro das paisagens de tirar o fôlego, o Rio das praias populares, o Rio das praias isoladas, o Rio histórico, o Rio desportista, o Rio da ostentação, o Rio da periferia, e por ai vai.

Desta vez (minha quinta vez na cidade), mesmo antes de saber que o tempo estaria ruim, tinha combinado com os amigos que seria o “Feriado do Samba”, ou seja, desta vez iriamos conhecer (ou rever, em alguns casos) o Rio do Samba. Mas não aquele samba da Lapa/Rio Scenário. Iriamos aos redutos do samba de raiz.

Bar do Bacana

Bar do Bacana

Mas antes de iniciar resolvemos pegar um bar “de leve” na sexta feira, para não acordarmos estragados no sábado. Fomos caminhando de Ipanema até o Leblon para fazer um “happy hour” no Bar do Bacana, que é do mesmo dono da rede Belmonte, famosa por suas empadas. Para não parecermos muito paulistas, é claro que pedimos cerveja Antárctica (que era minha preferida há uns 20 anos atrás). Como tiragosto (ou tiragoxxxto), uma porção de batatas fritas da casa, que eram acompanhadas de tiras de linguiça calabresa frita e cobertas por queijo. Fica a dica para algum bar “copiar” em SP. Como é comum no Rio e infelizmente incomum em SP, não deixamos de pedir uma porção de um suculento torresmo. E ai cerveja vai, caipirinha vem e a proposta de “tomar de leve” tinha ido para o brejo. Ainda bem que começamos cedo, então voltamos cedo para o ap para podermos descansar para a maratona dos outros dias.

Madureira...

Madureira…

No outro dia, tomamos um café da manhã bem reforçado para encararmos a Portela na parte da tarde (até à noite). Não tenho costume de ficar andando muito de táxi ou alugar carro quando viajo porque acho que você perde boa parte da experiência social local se “isolando” dentro de um veículo particular. Ainda bem que os amigos encaram numa boa e toparam ir até Madureira de metrô e trem. Eu tenho muitas horas de trem nas costas por ter morado na Z/L quando a linha vermelha ia somente até o Tatuapé e também por ter sido office boy. Mas os amigos sempre acham engraçado o comércio ambulante, que vende desde balas até eletrônicos dentro dos vagões. Inclusive lá a vida é bem mais fácil para os ambulantes e aqui em SP também podiam “fazer vista grossa”, já que eles mesmo não entram quando está muito cheio e se organizam para não entrarem muitos de uma vez no vagão.

RJ 04Depois de uns 30 minutos de trem (e 4 chocolates baton por 2 reais) chegamos em Madureira e caminhamos por uns 10 minutos até a quadra do GRES Portela. A quadra é bem grande e muito bem montada. É feita para turista, com camarotes e áreas reservadas, mas diferente da Rosas de Ouro, em São Paulo, mesmo dando uma atenção aos turistas não perdeu a essência e não virou balada. Ainda é escola de samba, tanto no que diz respeito ao som e à presença em peso da comunidade, quanto pela ausência de “ostentação” por parte dos visitantes. E foram quase 8 horas curtindo várias atrações, como Velha Guarda (com a presença do Seu Monarco), Portelinha, Grupos de Samba, Dominguinhos do Estádio, entre outros. Recomendo!

No domingo  como o programa era à partir das 17:00hrs, deu para “pegar uma praia” de manhã e para isto fomos caminhando pela orla até o Leblon. Como praia mesmo não ia dar, apenas sentamos e ficamos por ali conversando, fumando e tomando umas cervejas (desta vez de leve mesmo).

RJ 05Depois do almoço era hora de encarar outra maratona de metro e trem, desta vez até Olaria, para visitar novamente a quadra do Cacique de Ramos. De domingo o trem é meio complicado pois os intervalos podem chegar até 1 hora. Talvez devessemos termos ido de BRT, já que existe uma estação ao lado da de trem. De qualquer forma conseguimos chegar, pegar um balde de cerveja e finalmente consegui comprar minha camisa do Cacique. Mas devido o feriado, em cerca de 30 minutos o local estava cheio, o que tornava a ida ao banheiro ou ao bar uma missão das mais difíceis e praticamente impedia de ouvir o som, já que estávamos longe e com muito mais gente tem muito mais barulho. Como não valia muito a pena ficar, tomamos mais um pouco e fomos embora relativamente cedo, não antes sem notar que boa parte das pessoas que estavam lá também haviam estado na Portela no dia anterior e que muitas eram de São Paulo (a gente percebia pelo sotaque e por vestirem camisas de escolas ou times de São Paulo). Ainda quero visitar o Rio durante a semana para pegar a roda do Cacique que acontece às quartas. Deve ser mais confortavel e mais raiz.

RJ 06Na volta a Ipanema, um pit stop no Belmonte para umas empadas e alguns chopps e toca dormir para aproveitar a segunda feira de feriado.

O tempo não melhorou na segunda, mas ao menos deu uma esquentada e a possibilidade de chuva era bem pequena, então fomos andar novamente desta vez sentido Arpoador. Acho que em todas as outras vezes que eu fui à cidade eu me programei para assistir o por do sol no Arpoador e no fim, enrolado em outros passeios, acabava perdendo e não conhecendo esta praia. Desta vez não iria rolar pôr do sol mesmo, então aproveitamos para apreciar uma das mais belas vistas da cidade. Depois paramos em um quiosque em Ipanema para mais algumas cervejas.

Samba do Trabalhador: atualmente a melhor samba de roda do Brasil

Samba do Trabalhador: atualmente a melhor samba de roda do Brasil

À tarde, toca para o Andaraí para curtir uma das melhores rodas de samba da cidade: Moacyr Luz e seu Samba do Trabalhador, que ocorre em todas as segundas (nesta era feriado, mas ela acontece principalmente quando não é) há mais de dez anos no Renascença Clube e já foi aclamada nos últimos três anos por vários veículos de imprensa, bem como por outros artistas como sendo a melhor roda de samba do Rio. Digo até mais: é uma das melhores do país (eles tocam regularmente em São Paulo também) e o recente disco deles também é um dos melhores discos de samba lançado nos últimos 5 anos. E é samba mesmo: violão, violão de sete, dois cavacos, pandeiro, cuica, surdo, prato e faca. Nada de bateria, baixo e teclado (nem na roda e nem no CD).  Os músicos vão se revezando puxando sambas e como cada um do grupo tem um gosto e uma formação diferente na música, dá para ouvir desde Noel Rosa até versões de MPB, todas com a roupagem do grupo. Para abrilhantar mais a roda, na primeira parte eles contaram com a presença da fantástica Teresa Cristina e na segunda parte, além de participações desta, algumas canjas de Toninho Geraes. Devido ao feriado o Rena encheu rapidamente, formando fila de espera, e novamente notamos que muitas das pessoas que estiveram na Portela e no Cacique também estavam nesta roda. Uma roda que fechou o feriado com chave de ouro e quase me fez comparecer em um bar em São Paulo onde eles estariam tocando na três dias depois.

Clube Renacença lotado, especialmente de paulistas!

Clube Renacença lotado, especialmente de paulistas!

O fim de semana foi muito bom, só faltando um pouco de sol mesmo, mas o Rio, assim como as outras cidades que eu citei no início, tem um problema sério: cada vez que você vai à cidade volta com uma lista maior de coisas para fazer na próxima visita do que você tinha na ida.

Observações, dicas e considerações:

  • Como tinha gente de São Paulo nos sambas! Mas também tinha muita gente de Santos-SP (da outra vez que eu fiu no Cacique também) e de Curitiba afim de curtir este Rio do Samba. Imagino até que as agências de turismo já estejam oferendo pacotes deste tipo.
  • Tirando a Portela, que é feita para receber turista, o Cacique e o Renascença são clubes menores e ainda pouco preparados para receberem uma leva grande de pessoas. Por isto se a intenção é conhecer algum dos dois, prefira um final de semana sem feriado (e no caso do Cacique um domingo em que não ocorra a feijoada).
  • As estações de trem estão sem identificação, e alguns trens não anunciam a próxima estação. Para “ajudar” aos finais de semana algumas linhas que correm trechos sobrepostos alternam as paradas. É bom perguntar na estação sobre as paradas que o trem vai fazer e ficar atento para não descer errado.
  • Aos domingos é bom tentar checar os horários de trens (o Google ajuda com isto e tem também o site da Supervia, a operadora do sistema de trens do Rio) e se programar para chegar na estação com antecedência.
  • Em todos os lugares, inclusive na Zona Norte, tinham muitos policiais e uma sensação de segurança que não se tem em São Paulo
  • No domingo do Cacique rolou Fla x Flu e o trem passou pela estação Maracanã exatamente após o final do jogo. Subiram hordas de Flamenguistas no vagão e depois entra um Tricolor enrolado em uma bandeira. A viagem transcorreu na maior paz, sem nem provocações ou mesmo grupos cantando gritos de guerra. O carioca sabe aproveitar mais o futebol sem transformá-lo em guerra.

Be happy 🙂

As Intermitências da Morte – José Saramago (19/2015)

As Intermitencias da Morte“O que aconteceria se a morte resolvesse tirar uma licença?” é o mote principal deste livro do Saramago (autor também do famoso “O Ensaio Sobre a Cegueira”). Em um país fictício, regida por uma monarquia que se imagina ser uma daquelas mornarquias decorativas européias, depois da virada de ano a morte resolve simplesmente “não aparecer”.

Muitos das pessoas que estavam praticamente a expirar, simplesmente ficam no estado em que se encontravam, mas ainda vivas. O mesmo acontece com as vítimas de acidentes, assassinatos ou qualquer outro desfortunio: o coração continua batendo, os principais órgãos estão funcionando, mas a pessoa entra em um estado de catatonia, um vivo morto (ou morto vivo).

À partir dai, Saramago descreve os desdobramentos das consequências de algo que inicialmente parece ser uma boa coisa, como a imortalidade, mas que se mostra um verdadeiro desastre sob vários pontos de vista. O cartel dos agentes funerários, sem ter o que fazer depois da extinção da morte, pressionam o governo para que este obrigue os cidadãos a darem um “enterro digno” a seus animais como forma de manter esta indústria funcionando. As companhias de seguros decidem pagar apólices por idade de morte presumida, já que, se ninguém mais vai morrer, as pessoas irão deixar de fazer seguro. Até a igreja pede ao governo que tome uma providência pois, sem vida após a morte, não há sentido na existência das religiões.

Depois de alguns dias de muitas alegrias com a nova possibilidade, os habitantes começam a perceber que os entes próximos se tornam um fardo para eles quando deixam de morrer por velhice, e extrapolando no nível do país, para toda a sociedade, pois se ninguém mais morre, bastariam poucas gerações para ter uma infinidade de idosos imortais sendo cuidados por pouquíssimos jovens.

À partir destas questões surge a Máphia (com PH, e que lembra muito, em estrutura e atuação, o PCC paulista), que através de acordos excusos com autoridades e corrupção de agentes públicos, consegue, mediante o pagamento feito pelas famílias, dar um jeito de “matar os imortais” (não vou contar como para não soltar spoilers).

Toda esta narrativa, desde o início até o retorno da morte (também não entrarei em detalhes) é feita com um humor ácido e uma ironia fina e o país fictício nos faz lembrar muito bem o Brasil, ou qualquer outra república de bananas mundo afora.

Porém, ao concluir a estória principal, Saramago deixa um gancho para uma segunda parte onde, sem deixar de lado o humor, conta a história de amor da morte pela vida, ou como gosto de chamar, vida plena, de um simples violoncelista. Nesta segunda parte ele entra mais fundo em questões filosóficas (e existenciais) com as quais ele flerta na primeira parte do livro.

Saramago tem um estilo um pouco complexo de escrever: ele vai colocando os diálogos dentro do parágrafo, junto com a narração, sem dar muitas indicações de onde começa a fala e de que personagem ela é, separando-as apenas por vírgulas, ao invés de criar parágrafos e usar o travessão. Isto também torna a leitura um pouco complexa e aconselho ler cada capítulo de uma só vez, sem “quebrá-lo” em várias partes, para não complicar. Mas apesar disto (e do português de Portugal, que às vezes exige um pouco mais de atenção), o texto ainda é fluído e daqueles que você não consegue parar de ler, mesmo ao final do capítulo.

Tanto que posso dizer que, apesar destes pesares, foi um dos melhores livros que já li na minha vida e estou, desde que terminei, pensando qual dos meu top 10 teria que sair da lista para dar lugar à este.

Be happy! 🙂

Botecando #66 – Bar Samba – São Paulo – SP

Bar Samba 02Fazia tempo que queria escrever sobre este bar mas depois que comecei o blog não havia ido até lá. O Bar Samba já é um clássico, tanto de Vila Madalena, quanto do circuito de boas casas em São Paulo especializadas no ritmo.

Bar Samba 01

Tente identificar alguns deles

Localizada bem ali no burburinho da Vila Madá, fica num imóvel não muito grande, mas bem aproveitado. Um dos destaques da decoração, além das mesas com lantejoulas, em alusão ao Carnaval, é um imenso painel com caricaturas de vários sambistas. Uma das diversões estando lá é tentar identificar os artistas retratados neste painel.

Todos os grupos que eu vi tocarem ali sempre foram muito bons, que fazem valer o couvert acima da média (no sábado à noite estava R$ 35,00). Por outro lado, como só servem chopp, a conta geralmente acaba saindo um pouco salgada, pois além das pessoas tomarem mais, em comparação com a cerveja, o preço por litro é mais caro.

Em nenhuma das vezes em que eu fui eu comi lá, mas já ouvi falar muito bem da feijoada, servida aos sábados à tarde.

Bar Samba 03Outro ponto muito bom da casa é o atendimento: desde os seguranças na portaria, até os caixas, passando pelas garçonetes, que mesmo com todas as mesas estando reservadas, fizeram questão de tentar nos arrumar um lugar e, tão logo o prazo de reserva expirou, nos acomodaram em uma ótima mesa.

Ótimo lugar para curtir samba de boa qualidade!

Onde: Bar Samba (Rua Fidalga, 308 – Vila Madalena – SP)
Quando: 29/08/2015
Bom: música ao vivo e atendimento
Ruim: preço
Facebook: https://www.facebook.com/barsambabr?fref=ts

Be happy! 🙂

Bar Samba 04