Arquivo mensal: agosto 2015

Um Estudo Em Vermelho – Sir Arthur Conan Doyle (18/2015)

Um Estudo Em VermelhoTirando os filmes de Sherlock Holmes mais recentes, com o Robert Downey Jr e o Jude Law, nunca tinha assistido ou lido nada de Sherlock Holmes. Achei bem legal e até fiquei interessado em ler outras estórias do detetive mais conhecido do mundo (bem como de ler algo da Agatha Christie, pois nunca li nada dela também).

Este é o primeiro livro com o inteligente e arrogante detetive, e conta como ele e o Dr Watson se conheceram e também dá uma pequena introdução à vida de Holmes e seu método dedutivo.

Narrada por Watson, conta a história de um assassinato ocorrido em situação bem estranha, e que justamente por este motivo, faz com que a Scotland Yard convoque o “consultor” Holmes para ajudar na investigação. Durante a investigação deste primeiro assassinato, um outro assassinato relacionado ao primeiro acontece e, rapidamente o livro nos leva à solução do caso, ou pelo menos à parte dela, que é saber quem é o assassino.

Na seqüencia existe um “interlúdio”, que inicialmente não faz sentido algum, mas que no final vai explicar as motivações dos dois crimes. Logo após este interlúdio, que é feito por um narrador “oculto”, Watson volta aos seus relatos, e então Holmes descreve a seqüência lógica que o levou a desvendar o crime.

Ok! Talvez nos dias de hoje, com computadores, testes de DNA, balística, etc as “pistas” de Holmes pareçam banais (lembremos também que provavelmente o autor partiu do final e depois “encontrou” evidências para suportar este final, o que também torna a tarefa mais fácil), mas imaginem como estas deduções lógicas, baseadas em fatos científicos, muito à frente da época em que os livros foram escritos, deviam aguçar a curiosidade dos leitores..

De qualquer forma, o livro é um ótimo entretenimento, que afinal é o que importa.

Be happy! 🙂

Wanderlust #29 – Brasília, Distrito Federal, Brasil

01 Eixo Monumental - Brasilia - DF - BrasilEntre as pessoas que eu conheço e que já manifestaram alguma opnião sobre Brasília, existem 3 grupos facilmente identificáveis: o primeiro grupo é de pessoas que amam a cidade, formado na sua maioria por pessoas que nasceram ou cresceram na cidade, ou pelo menos que já vivem lá durante algum tempo. O segundo grupo é de pessoas que simplesmente odeiam a cidade. Uma boa parte nem sequer a visitou, mas já formou seu julgamento à partir do que ouviu ou do que viu através de fotos. Alguns poucos já estiveram (ou viveram) realmente na cidade, mas não se adaptaram. O terceiro grupo é daqueles que tiveram uma primeira impressão ruim, mas que foram cativadas, porém não têm coragem de admitir que gostam e por isto falam mal dela, mas ficam putos se outra pessoa fala mal.

CONIC

CONIC

Vou dizer que eu sou “ponto fora da curva”, já que não tinha uma opnião pré concebida e acabei gostando muito da cidade. Apesar de achar que deve ser uma cidade muito, mas muito mais legal para morar do que para fazer turismo.

Não vou nem entrar na história da cidade, já que é obrigação de todo brasileiro saber como se deu a construção da cidade, que foi planejada para ser a capital do Brasil. Vou direto ao que eu fiz lá.

Jardins do Palácio Itamaraty

Jardins do Palácio Itamaraty

Na quinta feira era feriado de 9 de Julho em São Paulo e foi bom para “sentir” a cidade no seu dia a dia. Primeiramente fomos até a torre de TV, localizada no Eixo Monumental (o “corpo” do avião), cujo mirante dá vista para praticamente todo o plano piloto. De lá, seguimos sentido Esplanada dos Ministérios, mas antes, próximo à Rodoviária Central, demos uma passada no CONIC, que é uma mistura de Galeria Pajé com Galeria do Rock em São Paulo, e onde se encontram diversas lojas populares (restaurantes, cabelereiros, lojas de departamentos, etc) e alternativas (camisetas, discos, tatuagem, etc). Um destaque do CONIC são os grafites em sua área interna, que valem a visita para quem curte street art. Infelizmente não conseguimos passar na Rodoviária para comer um pastel, que me disseram ser o melhor de Brasília.

Praça dos Três Poderes

Praça dos Três Poderes

Em seguida passamos em frente à Biblioteca Nacional e fomos até o Museu Nacional. Ambos os edifícios são bonitos mas, assim como no Memorial da América Latina, em São Paulo, a área onde eles se encontram poderia ter uma pouco mais de verde e menos, bem menos, de concreto. O Museu apresenta algumas obras interessantes de artistas contemporâneos. Vale a visita. Logo em seguida, fomos à Catedral Metropolitana,  e simplesmente não achei a maravilha da arquitetura que a maioria das pessoas acha (não é implicância com o Niemeyer, juro). Pode até ser interessante do ponto de vista técnico, mas visualmente não gostei.

Logo na sequencia, após a Catedral e indo sentido à Praça dos Três Poderes, fica a Esplanada dos Ministérios. Engraçado que quando a gente vê na TV imagina que cada prédio (que abriga um ou mais ministérios) fica a uma distância considerável de outro, já que normalmente fazem um enquadramento fechado, para pegar somente aquele ministério, mas na verdade é um conjunto de prédios enfileirados, a não mais do que 100 metros um do outro. Atrás deles ficam os anexos dos ministérios, que foram construidos posteriormente para abrigar o crescimento tanto dos ministérios como da quantidade deles.

Supremo Tribunal Federal

Supremo Tribunal Federal

Após os ministérios, ficam os dois prédios mais bonitos da Esplanada (um de cada lado): o Palácio Itamaraty, que tem um belo paisagismo do Burle Marx e o Palácio da Justiça, com seus arcos invertidos formando cascatas. Ligando os dois palácios se encontra a Alameda dos Estados, onde se enfileiram os pavilhões de todos os estados brasileiros, mais o do Distrito Federal e a própria bandeira do Brasil.

Em seguida vem o Congresso Nacional, talvez o prédio mais famoso do Niemeyer e do Brasil, que fica na Praça dos Três Poderes, tendo o STF de um lado e o Palácio do Planalto do outro lado. Novamente na praça dos três poderes senti falta de verde, de árvores. Tinhamos programado fazer a visita guiada ao Itamaraty neste dia, mas eu estava de bermuda e durante a semana não é permitido, assim como na visita ao Congresso. Mas agendei para voltar no outro dia (é uma boa agendar, até para verificar se existe cerimonial, que podem causar a suspensão dos tours guiados).

Palácio do Planalto

Palácio do Planalto

À noite conhecemos um bar chamado “La Loca de tu Madre”, na Asa Sul. Achei bem legal os bares, restaurantes e outros estabelecimentos similares em Brasilia, pois as áreas externas destes se encontram nos fundos das quadras (se imaginarmos que a frente seja a rua), geralmente em uma área gramada e cheia de árvores.

No outro dia resolvemos andar pelo Parque da Cidade, desde a W3 Sul 713 até o Eixo Monumental, uma caminhada de uns 5kms. Logo após tomei um táxi até o Congresso, pois queriamos fazer a visita guiada. No Congresso, o salão verde, com suas obras de arte, é um dos destaques especialmente pela exposição rotativa dos presentes oferecidos por autoridades de outras nações. Após a passagem pelo salão verde, o grupo tomou uma passagem subterrânea que dá acesso ao Senado e lá pudemos observar o “plenarinho”, que eram os móveis que compunham o Senado original, no Rio de Janeiro, e que ainda está aguardando um local para serem expostos. Nos dirigimos até a Câmara dos Deputados, onde o guia nos explicou todo o funcionamento, tanto processual quanto técnico, das votações. Depois fomos até o plenário do Senado, onde estava ocorrendo uma sessão solene. Gostaria de ter acompanhado uma votação, mas já valeu a sessão solene.

Palácio da Justiça

Palácio da Justiça

Após a visita, um “amigo de um amigo” que trabalha no Senado nos levou para tomar o café de graça mais caro da minha vida (o café é gratuito, qualquer cidadão pode tomar, mas ele é pago com nossos impostos!) e para conhecer alguns lugares no Congresso que, apesar de abertos ao público, não são incluidos na visita guiada. Então passamos por outra passagem subterrânea (que lembra um filme de ficção científica) até o Anexo IV da Câmara dos Deputados. Lá subimos até o terraço, onde se encontram um restaurante e uma lanchonete (abertos ao público) e de onde se tem uma vista bem legal do Congresso.

O próximo passeio era a visita guiada no Palácio Itamaraty. Se por fora o prédio já é o mais belo da Esplanada, por dentro não deixa para menos. Depois da visita guiada, novamente encontramos uma “amiga de um amigo” que é diplomata e que nos levou para conhecer salões que não são abertos ao público e, como ela já trabalhou no cerimonal do Itamaraty, nos explicar com mais detalhes o funcionamento do órgão. Após o passeio era hora de voltar para ver o famoso por do Sol de Brasília.

Congresso Nacional

Congresso Nacional

A noite fomos jantar no Faisão Dourado, um ótimo restaurante onde além da qualidade, o preço vale muito a pena (também pela quantidade servida).

No sábado de manhã demos um pulo no Mercado Municipal, que é uma imitação em menor escala (bem menor) do Mercado Municipal de São Paulo. Apesar de ser pequeno, a variedade de produtos é muito grande até impressiona! Depois fomos até o Quituart, uma “praça de alimentação” que fica perto do Lago Norte, degustar uma bela de uma Porqueta no Le Birosque. Depois do almoço seguimos rolando até o Mercado Cobogó, um misto de café e galeria de arte, na SCRN 704/705, onde estava rolando uma feira de artes muito legal. Ótimo é notar que, assim como vem ocorrendo em São Paulo, a galera de Brasília tem ocupado os espaços públicos com arte, culinária ou qualquer coisa que o valha. Inclusive uma galera de Valinhos que faz xilografia “despencou” do interior de São Paulo à bordo de uma bela Veraneio para participar do evento. Além de poder prestigiar vários artistas locais, ainda foi possível tomar umas cervejas especiais no Fusbier. Depois da feira fomos até o Objeto Encontrado, um outro misto de café e galeria que, segundo os brasilienses, tem o melhor cheese cake da cidade. Discordo deles: é o melhor cheese cake do Brasil.

Parque da Cidade

Parque da Cidade

À noite já estava reservada para curtir a festa Simetria, organizada também por um “amigo de um amigo”, no Velvet Pub, uma casa que poderia estar tranquilamente localizada no Bixiga. Interessante notar a mistura de tribos convivendo em harmonia no mesmo local.

No domingo fomos conhecer  a ponte JK, uma ponte estaiada cuja arquitetura dá de dez a zero nas duas estaiadas de São Paulo, e que passa pelo Lago Sul, que conta nas suas margens com uma ótima área de lazer e uma “praia” para quem está longe do litoral (senti uma ponta de inveja pelos rios Tietê e Pinheiros não serem limpos) e na sequência fomos até o Palácio da Alvorada. Deve ser legal fazer o passeio lá, mas ele que ocorre somente às quartas feiras.

Salão Verde - Congresso Nacional

Salão Verde – Congresso Nacional

Para finalizar fomos almoçar no restaurante Casarão, que serve em mesas espalhadas por uma praça e cuja refeição (e algumas cervejas) são acompanhadas por um grupo de chorinho. O programa é tão agradável que dá vontade de voltar só para curtir um domingo ali. Como o resto da cidade também te atrai de volta, existem muitos motivos para eu voltar à Brasilia. Aliás, existem vários motivos para até morar em Brasília!

Observações, dicas e considerações:

  • A falta de conhecimento do funcionamento da nossa democracia e a falta de respeito às nossas instituições democráticas talvez diga muito do porque sempre sermos “o país do futuro”. Tinha gente que estava na visita ao congresso esperando para encontrar a Dilma. E muito provavelmente para chamá-la de vaca, cadela, terrorista, etc. Lamentável!!!!
  • Gostei bastante da forte presença da arte de rua em Brasília. Tem muito grafite e lambe-lambe espalhados pela cidade. E o melhor de tudo: sem desrespeitar a arquitetura.
  • Por falar em arquitetura, aqueles prediozinhos todos padronizados, com os “jardins” entre eles, lembra muito a arquitetura da parte oriental de Berlin com seus prédios “comunistas”.
  • Fiquei curioso para saber o porque do choro ser tão popular e forte em Brasília!
  • Os motoristas em Brasília respeitam faixa de pedestre. Outro ponto positivo para a cidade.
  • Sério que alguém não consegue entender o sistema de ruas de Brasília? Em meia hora na cidade dá para você aprender a se localizar: asa norte, asa sul e cada lado do “corpo do avião”. Contando à patir do eixo central, os “bairros” são numerados em centenas (a centenas ímpares ficam no oeste e as pares no leste, em relação às asas) e as quadras são contadas em decimais, à partir do eixo central. É lógica pura! Se me der o endereço me acho fácil por lá.
  • Pessoal de Brasília tem mania de falar que tudo é longe e que táxi é caro. Acho que eles têm a mesma cultura “carrista” de SP. Do Velvet Pub até a W3 Sul, na Q 713 (quase no final) deu 20 reais de táxi. Eu gasto entre 40 e 50 para ir da Vila Madalena, na Zona Oeste, até a Freguesia, que podemos considerar Zona Noroeste (fica na Zona Norte, mas bem na divisa entre as duas regiões).
  • A receptividade do povo de Brasília é bem acima da média brasileira e muito acima de São Paulo.

Be happy! 🙂

Senado Federal

Senado Federal

Plenarinho - Senado Federal

Plenarinho – Senado Federal

Câmara dos Deputados

Câmara dos Deputados

Congresso Nacional

Congresso Nacional

Palácio Itamaraty

Palácio Itamaraty

Cobogó

Cobogó

Cobogó

Cobogó

Cobogó

Cobogó

Objeto Encontrado

Objeto Encontrado

Ponte JK

Ponte JK

Palácio da Alvorada

Palácio da Alvorada

Chorinho dominical no Casarão Restaurante

Chorinho dominical no Casarão Restaurante

A Náusea – Jean-Paul Sartre (17/2015)

A NauseaA Náusea conta a estória de Antoine Roquentin, um jovem intelectual francês que, após ter passado vários anos viajando e “se aventurando” por diversos países, se estabelece na cidade costeira de Bouville para escrever a história de um tal Marquês de Rollerbon, porém ao se debruçar sobre a história do tal Marquês e sobre o próprio cotidiano da sociedade em que se encontra, começa a questionar o sentido da vida e, na verdade, a questionar a necessidade de um sentido.

Ele começa a sentir uma forte aversão pelos seres daquela cidade, tanto do passado quanto do presente, e sua incessante busca em seguir roteiros (se educar, casar, ter filhos, criá-los, etc) e convenções, especialmente com o objetivo de fazer algo de bem, de deixar algum legado para o mundo.

Esta aversão chega ao ponto de repulsa e se traduz em uma sensação de mal estar, a náusea. Roquentin, como uma pessoa que simplesmente se deixou levar pensando apenas na situação do momento, sem se preocupar muito com o futuro, a todo momento se questiona se deveria ter ou não procurado uma razão para a sua existência. Até o momento em que ele perde os poucos motivos que tinha para justificar a sua existência: o livro, que ele acabou por desistir de escrever, e a sua “amada” Anny, que no final ele percebe que não era exatamente um amor.

O contraponto à ele é feito pela figura do personagem Autodidata, um jovem que se tornou humanista (e socialista) depois de passar horas se instruindo nos livros da biblioteca e que acha que os seres humanos devem se amar uns aos outros e que os homens têm por objetivo a vida vivida em coletividade, o que se opõe ao individualismo de Roquentin.

É um livro um pouco denso, no sentido de que exige uma atenção maior, afim de que o cerne da mensagem do autor possa ser entendida. Mesmo assim, somente por este livro não dá para sacar se o autor estava criticando a necessidade das pessoas de se sentirem parte de algo, de fazerem algo grandioso, ou se ele está criticando exatamente a posição individualista e por vezes egoista do personagem. Eu fico com a primeira, até por concordar com a posição do personagem: existimos por existir, ninguém está aqui por conta de um plano divino ou coisa que o valha. Somos apenas um “acidente de percurso” e nos resta viver e aproveitar esta existência da melhor forma possível, sem querer nos colocarmos em uma posição de “escolhidos” para uma missão. Até porque isto é de uma arrogância sem tamanho.

Be happy! 🙂

Wanderlust #28 – Norte e Nordeste Brasileiro

Brasil 1Há alguns anos eu vinha tendo vergonha de um fato: eu conhecia mais estados dos EUA do que do Brasil. Este ano resolvi mudar isto e fui conhecer um pouco mais do meu próprio país. Em março fui a Salvador, agora rodei por mais 4 estados. Também fui à Brasilia, mas falarei no próximo Wanderlust.

Propositalmente eu foquei minhas férias em capitais / estados que não ficam na rota do turismo comum e são pouco explorados pelos proprios brasileiros: Pará, Maranhão, Paraíba e Sergipe.

A minha primeira impressão ao chegar no Pará e depois no Maranhão foi “por quê diabos estes locais são pouco explorados?”, não so pela indústria do turismo, mas por inúmeros tipos de negócios que poderiam (e deveriam) ser melhor desenvolvidos por lá. São estados com inúmeros recursos, tanto naturais quanto de mão de obra.

Tanto Belém quanto São Luís são cidades mal conservadas, com regiões (notadamente as regiões centrais e as periferias) com prédios abandonados e entregues ao crime e à contravenção.

Ai depois eu fui até João Pessoa e tive uma impressão totalmente diferente. João Pessoa é uma cidade organizada, limpa, segura. Você se sente à vontade em andar pela cidade sem ter que ficar tenso e prestando atenção ao que ocorre à sua volta, a não ser a paisagem. O custo de vida também é barato e você vê que as pessoas, independente da classe econômica, conseguem ter uma boa qualidade de vida, que ao final é o que importa.

Aracaju então me surpreendeu demais. Muitas e muitas quadras – de futebol (society e salão), tênis  (cimento e saibro), basquete, vôlei. Parque de diversões, um belo jardim linear na orla da praia, muitas ciclovias, praças, skatepark e até pista de motocross e kartódromo. Tudo feito pelo poder público. Assim como João Pessoa, Aracaju me mostou que com um pouco de boa vontade o Estado pode propiciar uma qualidade de vida melhor para todos os cidadãos.

Mas a diferença entre os lugares que eu conheci nesta trip me leva a pensar em duas coisas:
1 – Comparados com o Pará e Maranhão, Paraíba e Sergipe são muito pequenos e com muitas restrições de recursos, tanto os finaceiros quanto de espaço e naturais. O que me leva a pensar que o problema do Brasil é a abundância: nos estados mais ricos e no país como um todo nós apenas nos preocupamos em abusar dos recursos que temos, sem fazermos o melhor uso deles e pensando sempre no curto prazo.
2 – A sensação de segurança em João Pessoa e Aracaju é enorme em comparação com Belém e São Luís  (e também Salvador, Rio e São Paulo), o que me leva a pensar que o problema da violência não é causado apenas por conta da impunidade, mas também pela baixa qualidade de vida e a sensação de exclusāo que a população mais pobre sofre nas grandes cidades.

Acho que um dos maiores problemas do brasileiro hoje é o fato de que a maioria dos cidadãos não pensa em qualidade de vida como objetivo final para sua própria vida e para a sociedade. O brasileiro pensa em se sentir diferenciado. Ele não quer que todo mundo tenha condições de ir e voltar para o trabalho/escola usando transporte público, com conforto, segurança e no menor tempo possível. Ele quer isto só pra ele e ai ele quer comprar o melhor (e maior) carro e quer que as avenidas sejam dele. Ele não quer que todo mundo seja capaz de viajar para os mesmos lugares que ele nas férias (que sentido teria viajar se não for pra contar vantagem né?!?!). Ele não pensa que todos poderiam usar a cidade e os seus aparelhos (de lazer, cultura, saúde), ele quer é ir morar num prédio com piscina, playground, varanda gourmet (argh!), até cinema, para não precisar nem sair para o shopping. Ele não quer que as desigualdades sejam menores, ele quer é estar no topo da pirâmide, mesmo que isto signifique que ele tenha que andar de carro blindado.

Como já deixei claro em um artigo recente: o brasileiro precisa decidir o que ele quer, se é ser diferente ou se é ter uma sociedade segura, sem corrupção e onde o Estado cumpra o seu papel com a maior eficiência possível. A história e mesmo os exemplos atuais mostram que desigualdade e qualidade de vida não caminham juntas e, sinto informar, nem se mudar para Miami vai adiantar.

Be happy! 🙂