Arquivo mensal: julho 2015

Wanderlust #27 – Aracaju e Canindé do São Francisco, Sergipe, Brasil

01 Aracaju - Sergipe - BrasilAcho que Aracajú foi o lugar que mais me surpreendeu positivamente nesta trip e talvez um dos que mais me surpreendeu no Brasil! Além do fato de ser uma capital com pouco apelo turístico, meu pai é de Sergipe e por isto inclui a cidade no roteiro. Porém, já ao chegar de avião você nota que é uma cidade bastante desenvolvida e andando pela cidade você realmente chega a conclusão que talvez seja uma das capitais nordestinas com o melhor nível de desenvolvimento e de qualidade de vida.

Orla de Atalaia

Orla de Atalaia

Depois de uma maratona de avião vindo de João Pessoa, cheguei no modesto mas moderno aeroporto de Aracaju já no final da tarde. O Aeroporto é bem perto da cidade e consegui me acomodar no hotel com o dia ainda claro, pensando em aproveitar o finalzinho de tarde em algum quiosque na praia. Porém, depois de me acomodar e tomar um banho, caiu uma tempestade que impossibilitava sair a pé.

A chuva passou já era começo de noite e resolvi caminhar até a Passarela do Caranguejo, na própria orla de Atalaia, onde estava hospedado, pois é uma região com bastante bares e restaurantes. Nesta caminhada de cerca de 4 kms já deu para perceber como a cidade tem uma infraestrutura muito boa, tanto para receber o turista como para os próprios moradores. Na orla existem restaurantes, praças, ciclovia, playgrounds e mais um monte de equipamentos de cultura e lazer providos pelo Estado e em ótimo estado de conservação.

A praia em sí fica distante da avenida e do calçadão

A praia fica distante da avenida e do calçadão

No outro dia fui conhecer o outro canto de Atalaia (sentido Coroa do Meio) e o centro de Aracaju. Já de dia pude notar um pouco mais como é a geografia do lugar: ao longo da avenida da praia existe um Jardim contínuo, que conta com várias atrações (Kartódromo, Parque de Diversões, Centro de Exposição, etc), após o jardim existem lagos e uma extensa faixa de areia e só então começa a praia. Desta forma, a praia fica bem afastada da avenida (cerca de 200mts) e também de prédios que poderiam causar sombra.

A beleza das praias de Sergipe não se comparam às das praias de Alagoas e Rio Grande do Norte, porém as de Aracaju além de serem infinamente melhor preservadas, ainda contam com uma infraestrutura melhor.

Depois de andar bastante, resolvi pegar uma bike (lá a patrocinadora é a Net ao invés do Itau, como em São Paulo e no Rio) para pedalar até o centro. Outro ponto bom de Aracajú é que você pode conhecer a cidade toda usando as ciclovias e ciclofaixas existentes. Além disto os pontos de retirada e entrega de bikes estão muito bem distribuidos.

Praça Almirante Barroso

Praça Almirante Barroso

Conheci a Praça Almirante Barroso, onde se encontram alguns prédios históricos, a Catedral, o Centro de Artesanato (bom para comprar artesanato de verdade, com produtos feitos a mão) e mais alguns pontos do Centro Histórico. Depois peguei outra bike com a intenção de conhecer o Parque do Cajueiro, porém não tinha estação para entrega de bike no parque e como iria ficar ruim ficar andando com ela, preferi seguir até a outra ponta da orla de Atalaia, perto da Passarela do Caranguejo, para entregar a bike e conhecer esta parte durante o dia. A praia neste pedaço da orla, apesar de ser ainda mais distante do que as que ficam próximas à Coroa do Meio, parecem ser mais agitadas. Mas o nível de beleza e infraestrutura é constante em toda a orla. Depois de 15 kms de caminhada e de mais uns 25 kms pedalando e não tendo encontrado nenhuma festa junina, resolvi comer algo e voltar para o hotel, já que no outro dia tinha agendado um passeio até Canindé de São Francisco, para conhecer o Canion do Xingó, no Velho Chico.

Barragem da Usina Hidrelétrica do Xingó

Barragem da Usina Hidrelétrica do Xingó

A viagem de ônibus de Aracaju até Xingó dura pouco mais de três horas, cruzando quase todo o Estado em direção ao Noroeste e passando por boa parte das cidades mais importantes, o que é uma boa oportunidade para admirar a flora do Estado.

A Usina Hidrelétrica do Xingó, que tecnicamente fica em Alagoas (o rio São Francisco separa os dois estados) é uma das mais recentes obras de infraestrutura deste porte no Brasil. Foi inaugurada em 1994 e hoje é responsável por gerar 35% de toda a energia elétrica consumida no nordeste brasileiro. Além disto, a força da gravidade que é usada para fazer as turbinas da hidroelétrica girarem também é responsável por mandar a água para canais de irrigação em Canindé do São Francisco, o que gerou ao redor dela um cinturão de producao de horti frutis no meio do sertão nordestino.

Canindé do São Francisco

Canindé do São Francisco

A construção da barragem aproveitou a existência de um paredão natural de pedras e a existência do Canion para diminuir ao máximo a necessidade de edificações: a barragem foi construida acima deste paredão de pedra o que gerou a inundação do Canion (o terceiro maior Canion inundado do mundo). Conforme explicou a guia do Catamarã, a profundidade média do São Francisco era de 20 metros antes da inundação e depois passou para 60 metros, chegando em alguns pontos a mais de 120 metros.

Durante o passeio de Catamarã até o porto de Brogodó (no município de Paulo Afonso, já estado de Alagoas) dá para notar a grandiosidade da formação do Canion e imaginar o tamanho que os paredões deviam ter antes da barragem. Além de tudo, dá para notar diversas formações nas rochas. Formações estas que indicam que há milhões de anos aquilo tudo estava debaixo do mar.

Acho que dentro do Brasil foi um dos locais mais belos que eu já conheci, quando se fala em beleza natural. É de tirar o fôlego mesmo!

Depois de encarar as 3 horas de volta para Aracaju, só restou dar uma descansada e tomar algumas cervejas para relaxar para encarar a volta e o fim das férias.

Observações, dicas e considerações:

  • Eu fiquei realmente impressionado em Aracaju com a disponibilidade de equipamentos de cultura e lazer: quadras e mais quadras (de futebol, volei, basquete, tenis, etc), parque de diversões, muitas ciclovias, skatepark e até pista de motocross e kartódromo. Tudo feito pelo poder público e em ótimo estado de conservação.
  • Existe uma unidade do Projeto Tamar na orla de Atalaia que vale a visita.
  • O pessoal leva o São João à sério em Sergipe. Todos os prédios residenciais e comércios estavam enfeitados com bandeiras. O pessoal me falou que lá o São João mexe mais com a cidade do que o natal e a Copa do Mundo.
  • Itabaiana, uma das várias cidades pelos quais passei a caminho de Xingó, é a cidade onde a profissão de caminhoneiro surgiu no Brasil. Uma curiosidade é o alto número de caminhões vermelhos, pois existe uma “lenda” de que caminhões vermelhos andam mais rápido que os demais.
  • Perto da barragem de Xingó formou-se uma  bela praia de água doce. Deve ser legal ir passar mais de um dia na região e aproveitar esta “praia” com sua água doce, quente e limpa.
  • Pelo pouco que conheci da cidade dá para imaginar que Aracajú, depois de João Pessoa, deve ser a capital do nordeste mais interessante para morar.

Be happy! 🙂

Catedral Metropolitana de Aracaju

Catedral Metropolitana de Aracaju

Praça General Valadão

Praça General Valadão

Passarela do Caranguejo

Passarela do Caranguejo

Arcos de Atalaia

Arcos de Atalaia

Morro do Gavião

Morro do Gavião

Morro do Japonês

Morro do Japonês

Cânion do Xingó

Cânion do Xingó

Porto de Brogodó

Porto de Brogodó

15 Canion do Xingo - Rio Sao Francisco - Canindé do São Francisco - Sergipe16 Canion do Xingo - Rio Sao Francisco - Canindé do São Francisco - Sergipe

O Verde Violentou o Muro – Ignácio de Loyola Brandão (16/2015)

O Verde Violentou o MuroEm 1982 o autor, após uma separação, aceitou uma proposta do DAAD, instituto alemão de intercâmbio acadêmico, para passar uma ano e meio em Berlin Ocidental. No livro, que tem como subtítulo “A vida em Berlin antes e agora”, ele relata as experiências de viver em uma cidade cercada por um muro (muita gente imagina, como eu imaginava antes de ir à Berlin pela primeira vez, que o país era “cortado” pelo muro, que passava pelo meio na cidade, mas na verdade o muro não dividia a Alemanha e sim cercava a parte ocidental de Berlin, expliquei um pouco aqui).

Depois deste período ele voltou mais três vezes à cidade depois da queda do muro e pode conhecer, com um pouco mais de detalhes, os pedaços do lado oriental da cidade. Como ele apenas visitava o “outro lado” em passeios de um dia, ele não tinha muitos detalhes de como era a vida ali e, ao visitar lugares que estavam atrás do cinza do muro, ele conta como ele imaginava que fosse.

Como ele deixa transparecer, ele parecia estar fugindo de alguma coisa, e como ele afirma em vários trechos, acabou se encontrando por várias vezes na cidade. Não é uma história com início, meio e fim, ou mesmo um relato. É apenas uma coleção de textos pequenos, onde ele relata experiências, curiosidades, observações e eventualmente dá algumas dicas, mais ou menos como eu faço nos artigos que escrevo sobre minhas viagens. É claro que ele tem muito mais bagagem do que eu (pelo fato de ter morado na cidade), além de ter um estilo infinitamente melhor que o meu de escrever. Por isto, a melhor forma de fazer um relato sobre o livro, é colocar alguns trechos que achei interessante (eventualmente com algum comentário meu):

  • “Não entendo conhecer uma cidade sem andar, andar. Cortando ruas, olhando para as casas, vitrines, supermercados, lojas. Tudo.”
  • “A cerveja alemã é mais suave, porém mais amarga que a brasileira. Mais cremosa, mais densa. Impossível encontrar aqui o que se chama no Brasil ‘estupidamente gelada’. Ou aquela que se tem de pedir ao garçom (se for íntimo da casa) ‘Me traz a que o dono guarda para ele!’. Descobri que beber cerveja estupidamente gelada é estúpido, mesmo ao calor de quarenta graus. Somente na Alemanha passei a sentir o sabor da cerveja, o gosto, o cheiro, a perceber as diferenças de paladar que o gelo anula.”
  • “Vá sábado de manhã, o espetáculo é curioso. Classes média e alta se acotovelam e entram em filas. Enfrentam aquilo por horas, sem protestos. Vendo as filas, achei curioso as críticas que costumam fazer a Berlim Leste. Uma delas diz: ‘Imagine, as pessoas têm que formar filas para fazer compras!’. Qual a diferença entre a fila do Leste e a do Oeste? Aqui estão comprando o supérfluo. Acho mais importante a fila do essencial” – sobre a KaDeWe, uma loja de departamentos gigante, ainda existente em Berlin, situada na Kurfürstendamm (ou KuDamm, uma mistura da Quinta Avenida com a Times Square, ambas de Nova Yorque), que oferece de tudo no que se refere à alimentos e bebidas.
  • “Meninas, adolescentes graciosas de vestidos vaporosos, longos, e pés no chão. Adoram andar descalças no verão”
  • “Ela existe, porém se conserva mais a distância. Posso andar sem medo pelas ruas, à noite. Não me incomodo muito se esqueço uma janela aberta. No cinema ou teatro deixo meu casaco guardando o lugar e vou tomar café, no intervalo. Sei que posso quebrar a cara, sofrer qualquer coisa, porém é hipótese, não uma comprovação e uma espera diária.” – sobre violência em Berlin.
  • “O normal nesta região moderna: espaço amplo entre os conjuntos, muita grama, playground com brinquedos imaginativos, bastante árvore e um rio canalizado e urbanizado, cheio de chorões nas margens. O que me fez pensar nos rios brasileiros. Riachos e córregos que atravessam nossas cidades e que os prefeitos enfiam por dentro de um cano, colocando uma avenida por cima, cheia de asfalto e nenhuma vegetação. O dinheiro gasto para aprisionar e fazer desaparecer uma água talvez seja maior do que enquadrar o rio numa paisagem urbana agradável e descontraída.”
  • “Não dá para ficar trabalhando o tempo inteiro, se matando como louco, como fizeram nossos pais, nossos avós. Não queremos competir com ninguém, nem ter os melhores postos, nem vencer brilhantemente na vida. Queremos lazer. Um pouco de trabalho e o resto de divertimento.” – de uma conversa entre jovens ouvida pelo autor.
  • “Política? Quem quer saber de política? Olha o que os políticos fizeram, fazem e estão fazendo a este país! Sou pelos verdes, mas sem política. Sou pela ecologia, sem política. Sou pacifista, sem política. Sou contra os mísseis nucleares, mas não preciso misturar política nisto.” – de uma outra conversa entre jovens ouvida pelo autor.
  • “O alemão confia no Estado para a solução de seus problemas. Se está desempregado, espera o socorro da assistência social, o seguro-desemprego. Se está doente, se tem um problema qualquer, se briga na rua, se alguém fecha o seu carro (ele não dá bronca, comunica à polícia e você recebe a visita dos agentes da lei que cagam regras), se tropeça num buraco, se as coisas não funcionam administrativamente, se o preço é extorsivo. O Estado é o pai, criado para resolver a vida. Sistema profundamente capitalista que vive como socialista. Contradição? Ou encontraram o regime (mais ou menos) ideal?” – pela posição econômica e política da Alemanha e pela qualidade de vida dos seus habitantes, creio que sim, encontraram o equilíbrio entre estes dois extremos, assim como os países Nórdicos, a Austrália e o Canadá.
  • “Hoje é um partido político que se organiza. Provoca polêmica, abre discussões, é amado ou odiado. Para uns, salvação. Para outros, o perigo que vai lançar a Alemanha nos braços da Rússia ou na terceira guerra mundial. Partido em ebulição, heterogêneo. Abriga amigos da natureza, defensores do meio ambiente, pacifistas, antinucleares, rebeldes de 68, leninistas, marxistas, dissidentes de outros partidos, social-democratas, contestadores do sistema, alternativos”. – sobre Die Grünen (os verdes), o partido verde alemão, um dos principais atores que levaram à queda do muro (título do livro explicado!).
  •  “‘Quem é diferente ou quer ser diferente, deve vir para Berlim. Aqui você é normal sendo diferente. As pessoas que não concordam com a visão de mundo que foi imposta a elas por educação e condicionamento se refugiam em Berlin’, escreveu Stefan Schaaf, de vinte e oito anos, jornalista do Die Tageszeitung.” – como em outras parte do livro, me identifiquei muito com as opniões do autor ou de seus interlocutores, neste caso em específico até escrevi sobre a diversidade e o respeito à ela que existe em Berlin neste artigo, bem antes de ler o livro.
  • “Berlim foi aquilo que sempre considerei o ideal para uma cidade. Nem megalópolis, nem província. Oferecendo vantagens e desvantagens das duas. Nesta cidade me reencontrei muitas vezes, divisei luzes e instantes que estiveram dentro de minha vida em determinados momentos. Cidade mágica, complexa, paradoxal, refúgio e verdade. Cidade que é aquilo que queremos que ela seja.” – outro trecho bem parecido com um que escrevi neste artigo.
  • “Recorro, mais uma vez, a Bernard Cailloux, escritor que nasceu na cidade de Erfurt, Turingia, parte oriental e mudou-se para o ocidente antes da divisão da Alemanha. Em 1978, ele radicou-se em Berlin e ‘precisou de dez anos para se adaptar, conhecer e começar a compreender a cidade’. Dez anos para um alemão. Portanto, não esperem de mim a definição de uma cidade indefinível.” – como já disse, Berlin não é para ser apenas visitada e conhecida (muito menos pela janela de um ônibus de excursão), é uma cidade para ser vivida, assim como São Paulo, Nova York e algumas poucas outras.
  • “Muita gente sentia pertencer a uma classe superior ao poder comprar produtos ocidentais. Havia justificativas as mais curiosas, às vezes: ‘O cheiro é diferente, é bom’. Depois da guerra, com a ocupação da Alemanha, a Guerra Fria e o isolamento a que a RDA se viu conduzida, parte da população acabou aderindo ao socialismo por crença, defendeu-o com idealismo. Muitos nasceram dentro do regime, não tiveram opção. Outros viveram inconformados. Sobre a antiga RDA perspassava sempre a utopia: viver do lado de lá ou, ao menos, conhecer, saber como era, poder comparar, ser livre para decidir. Um segmento sonhava em abandonar o país (no Brasil quantos não sonham com Miami, quantos não foram para o Japão?). Todavia, se as fronteiras fossem abertas, a Alemanha Oriental não se esvaziaria, como imaginavam os líderes. Boa parcela da população viveu tranqüila sob o socialismo e não é culpa dela a corrupção da cúpula, que desvirtuou uma idéia. O difícil, depois da queda do muro, disseram Zilly e Hoffman, foi, de um momento para o outro, passar a viver debaixo de normas e regulamentos que não eram os deles, eram opostos, cruéis, pode-se dizer… Após a queda do muro, os problemas se tornaram tão grandes que os antigos problemas se minimizaram. De repente, não existia mais o socialismo, mas também não existia a crença na social-democracia e não se acreditava nos conservadores. Ficou o vazio.” – tenho a mesma opnião sobre Cuba.
  • “Na antiga RDA (ou DDR) o nível de vida era baixo, mas todo mundo tinha emprego, salário, direito a creche, saúde e escola, e assim se sentia ‘parte da grande família’. Agora, o que governava era a concorrência global do mercado e a maior parte do parque industrial da antiga DDR teve que fechar. Tendo vivido décadas isolado, este parque estava desatualizado, desestruturado, arcaico e praticamente sucateado, segundo os conceitos do oeste, incapaz de produzir no ritmo exigido pelo mundo capitalista. Chegou, do dia para a noite, uma onda de desemprego que transformou grandes partes da DDR em desertos industriais, com a população sem emprego, sem o dinheiro necessário para desfrutar do paraíso de consumo e – mais importante – sem o sentido de vida e o prazer da auto-afirmação que o trabalho confere a um cidadão.”. – relato escrito de Sebastian Scherer, alemão casado com uma brasileira e residente de João Pessoa, enviado ao autor e reproduzido no livro.
  • “Quero voltar a essa cidade quantas vezes puder. Sinto que pertenço a ela. Sou paradoxal e incongruente, neurótico e tenso, calmo muitas vezes. Como ela. Continuo sem entender por que entrar aqui me dá paz.” – eu te entendo Ignácio, entendo pois sinto o mesmo.
  • “Para mim, que não encontro um lugar no mundo, inquieto onde esteja, sem descobrir um sentido para a vida, ela continua uma cidade de momentos, de fragmentos que me parecem congelados no tempo e me acompanham.” – sei bem como se sente Ignácio, sei mesmo.

Talvez o autor tenha um saudosismo do período em que ele morou lá, época em que a cidade era dividida, que talvez faça ele “rechaçar” um pouco das neue Berlin. Eu infelizmente não pude conhecer Berlin dividida (a divisão não era legal, mas teve algumas consequencias interessantes, especialmente na formação do povo), mas como dá para perceber lendo o relato dele de 30 anos atrás e comparando com os meus relatos e experiências na “nova” Berlin, a cidade ainda mantem sua aura e sua alma.

Be happy! 🙂

Wanderlust #26 – João Pessoa, Paraíba, Brasil

01 Joao Pessoa - Paraiba - BrasilNão conheço uma pessoa que tenha ido à João Pessoa e não tenha se apaixonado pela cidade. Ela não tem praias espetaculares como Alagoas ou Rio Grande do Norte, nem uma vida noturna agitada como Recife ou Salvador e nem tantos locais históricos como todos estes lugares (e outros do nordeste). Porém, se fôssemos dar nota para vários quesitos (segurança, limpeza, beleza, hospitalidade, simpatia das pessoas, etc) provavelmente a média de João Pessoa (e da Paraíba) seria a maior do nordeste e uma das maiores do Brasil.

Farol do Cabo Branco

Farol do Cabo Branco

Diferente da maioria das capitais do nordeste, Jampa (como é carinhosamente chamada) nasceu longe da costa, às margens do rio Sanhauá, e por isto o processo de urbanização de suas praias foi menos agressivo e contou com um pouco mais de planejamento. Os edifícios próximos à costa têm seu tamanho limitado para preservar a paisagem e evitar sombras.

Por estar localizada na Ponta do Seixas, o ponto mais oriental das Américas, a cidade é conhecida como “Porta do Sol”, pois é onde o sol nasce primeiro no continente americano.

No primeiro dos dois dias na cidade, resolvi andar um pouco pelas praias próximas de onde eu estava hospedado (Cabo Branco). Andei toda a orla da praia de Cabo Branco até a Ponta do Seixas, onde se encontram o farol de Cabo Branco e a Estação Cabo Branco, um museu de ciências que tem projeto arquitetônico de Oscar Niemeyer (um dos poucos projetos dele que eu particularmente achei legal). Como o passeio foi agradável, ao invés de tomar um ônibus preferi voltar caminhando, refazendo todo o caminho da ida e esticando até Tambaú.

Acho que neste dia passei dos 20kms andados. Então resolvi voltar para a pousada pra descansar um pouco, já que havia combinado de ir tomar uma cerveja à noite com o Waltão, amigo da época da faculdade, radicado na Paraíba há 8 anos e que nem pensa em voltar para São Paulo.

Estação Cabo Branco

Estação Cabo Branco

Na orla de Cabo Branco, que é bem movimentada à noite, mesmo durante a semana, existem várias opções para beber e comer, tanto em quiosques “pé na areia” quanto em bares e restaurantes do outro lado da avenida da praia.

No outro dia fui conhecer o Centro Histórico de João Pessoa, que apesar de não contar com tanta história como os de São Luis e Salvador, por exemplo, tem alguns edifícios interessantes e principalmente conta uma conservação bem acima do padrão brasileiro.

Além de ficar com vontade de voltar logo para passear, já que acabei não conhecendo boa parte das praias e nem fui à Campina Grande, João Pessoa me despertou inclusive idéias de morar lá algum dia e acabou entrando na minha lista de cidades em que eu gostaria de morar, assim como Aracaju, a última “perna” desta trip e da qual falo no próximo Wanderlust.

Observações, dicas e considerações:

  • A limpeza e conservação das praias (Cabo Branco e Tambaú) é acima da média brasileira, inclusive das de Santa Catarina.
  • A população ajuda muito não sujando e mantendo os equipamentos conservados (dificilmente se vê lixo nas ruas).
  • Além de tudo isto, os preços em Jampa são muito baratos (ou seriam justos?). Cheguei a pagar R$ 4,50 por uma Skol de 600ml e vi porção de camarão alho e óleo de 1 kilo por R$ 35,00.
  • Uma pena somente os kioskes não terem Heineken, já que são todos patrocinados (e padronizados) pela Skol.
  • Nas minhas últimas viagens eu desenvolvi um método de “medir” a segurança do local (além das conversas com taxistas): é só reparar na rua como a população local utiliza o celular. Se a pessoa pára, se esconde num canto e fica atento ao redor quando fala ou tecla no celular, pode apostar que é uma cidade perigosa. Se a pessoa fala no celular andando e distraido, sem se preocupar com o que acontece à sua volta, provavelmente aquele é um local seguro. João Pessoa foi a cidade que eu conheci no Brasil onde as pessoas se sentiam mais à vontade para usar o celular (e correntinhas no pescoço também).
  • Inclusive no Centro Histórico, que normalmente é um ponto sensível nas cidades devido à grande quantidade de pessoas, era comum ver pessoas falando ao celular tranquilamente.
  • O lugar para ficar hospedado em João Pessoa é a Suisse Residence. Apesar de não estar tão perto da praia (dá uns 15 minutos andando), a pousada é bonita, aconchegante e os quartos são espaçosos e confortáveis. Seu Hans e dona Inês, os proprietários, são simpatia pura!

Be happy! 🙂

Tambaú

Tambaú

Com 30 reais por pessoa dá pra sair balão do quiosque...hahaha

Com 30 reais por pessoa dá pra sair balão do quiosque…hahaha

06 Palacio do Bispo - Centro Historico

Palácio do Bispo – Centro Histórico

Igreja de São Francisco - Centro Histórico

Igreja de São Francisco – Centro Histórico

Catedral da Basílica Nossa Senhora das Neves - Centro Histórico

Catedral da Basílica Nossa Senhora das Neves – Centro Histórico

Um velho piano atrás das grades no centro de Jampa! Que crime teria ele cometido?

Um velho piano atrás das grades no centro de Jampa! Que crime teria ele cometido?

Parque Solon de Lucena

Parque Solon de Lucena

Suisse Residence

Suisse Residence

Botecando #65 – North Beer – São Paulo – SP

northbeer1Um bar já começa a contar pontos comigo quando oferece chopp Heineken (e no caso, também tinha a opção de Amstel). Quando é double chopp a noite toda então, ai já ganhou o cliente!

O North Beer fica localizado num dos vários corredores boêmios da Zona Norte, neste caso na Avenida Luiz Dumont Villares, bem próximo ao metrô Parada Inglesa que fica na linha azul (a dica é ir de metro e voltar de táxi). O local é bem espaçoso e conta com dois andares, além de um “deck” envidraçado. Um ponto positivo é que existe um bom espaço entre as mesas, o que permite aos garçons e clientes circularem com mais facilidade.

Além dos chopps Heineken e Amstel, também existem algumas poucas opções de cervejas, mas fora das linhas artesanais e especiais (talvez uma das poucas falhas da casa). Existem também algumas opções de cachaça, whisky, entre outros spirits e drinks. Uma adega no porâo, que é aberta aos clientes, é uma atração para os enólogos de plantão, que podem descer até lá para escolher seu vinho.

Desta vez acabei não comendo nada, mas sei que existem variadas e boas opções neste quesito, passando pela mesa de acepipes (queijos, frios, pães, patês, etc), petiscos vindos da cozinha e opções de pizza, já que a casa conta também com um forno à lenha.

Apesar do som estar meio alto para um esquema voz e violão, o artista que estava cantando tinha um ótimo repertório, principalmente focado no rock das décadas de 70 à 90.

Bom lugar para marcar um happy hour com os amigos!

Onde: North Beer (Avenida Luiz Dumont Villares 1543 – Parada Inglesa – SP)
Quando: 15/07/2015
Bom: chopp heineken, som e ambiente
Ruim: som estava um pouco alto, mas nada em excesso também
Site: http://www.northbeer.com.br/
Facebook: https://www.facebook.com/Northbeeroficial?fref=ts

Be happy! 🙂

NorthBeer2

Os Botões de Napoleão – As 17 Moléculas que Mudaram a História – Penny Le Couteur e Jay Burreson (15/2015)

arte_OsBotoesDeNapoleao_27.01.11.inddDe vez em quando a gente lê um livro que vale por anos e anos de estudo “formal”. Foi o caso deste.

Segundo relatos históricos, quando as tropas de Napoleão chegaram à Rússia, no rigoroso inverno de 1812, os soldados, famosos pelo asseio e elegância com que se vestiam, mais pareciam mendigos. Uma das hipóteses levantadas seria a de que os botões dos uniformes, feitos de estanho, metal que se esfarela à baixas temperaturas (fato já conhecido à época), tenham se desfeito e os soldados ou seguravam as armas, ou então seguravam os casacos. Partindo desta premissa, os autores, que são professores de química, resolveram listar algumas moléculas que podem ter mudado o rumo da história.

Primeiramente é bom dizer que eles não afirmam que elas realmente mudaram, mas que provavelmente devem ter contribuído bastante, entre outro fatores, para que o curso da história (e o mundo como conhecemos hoje) acontecesse da forma que aconteceu.

O livro apresenta na introdução alguns princípios básicos de química. Porém, nada que assuste. Muito pelo contrário, durante o decorrer do livro, quando eles mostram as fórmulas químicas das moléculas e as reações que as transformam, o pouco de teoria se torna algo agradável, inclusive despertando a curiosidade do leitor.

Além de relacionar moléculas ao curso da história, como o caso da noz-moscada, que foi a responsável pelo acordo entre os Holandeses e Ingleses que resultou na cessão da área hoje conhecida como Manhattan, nos EUA, para os Ingleses, inevitavelmente acaba-se entrando em outros assuntos, como biologia e física.

Um exemplo, no mesmo capítulo sobre a noz-moscada, é a explicação do porque da pimenta nos causar uma sensação de prazer: ao “sofrer a agressão” da pimenta, o nosso cérebro produz endorfina.

Já no segundo capítulo, os autores atribuem as grandes navegações à descoberta do ácido ascórbico e seus efeitos sobre o escorbuto, doença que era fatal para cerca de metade da tripulação dos navios que se propunham a desbravar mares desconhecidos, inclusive citando alguns casos em que toda a tripulação foi acometida pela doença e faleceu.

Outras moléculas muito importantes, principalmente para a formação étnica do continente americano, foram a celulose e a glicose. Como as plantações de algodão (celulose) e cana-de-açucar (glicose) demandavam muita mão de obra, elas provavelmente foram responsáveis pelo comércio escravagista.

Além dos fatos históricos importantes, o livro também tem algumas curiosidades que eram desconhecidas por mim, como por exemplo o fato de o TNT e a pólvora terem a celulose como origem (compostos nitratos + celulose geram explosões, e neste capítulo também teve uma pequena aula de física). Ou como a indústria de corantes foi responsável pelo surgimento das mais importântes indústrias farmacêuticas, especialmente as alemãs.

Gostaria de ter lido este livro quando estava no colegial e ter que decorar a tabela periódica me parecia algo totalmente inútil. Também gostaria que meus professores (de todas as matérias) usassem da mesma didática dos autores, que fizeram com que um tema que normalmente é enfadonho se tornasse muito interessante e divertido.

Be happy! 🙂

Wanderlust #25 – São Luís (e região), Maranhão, Brasil

01 Sao LuisDepois de Belém, lá fui eu conhecer a “Jamaica Brasileira”, que já tinha vontade de conhecer desde as épocas em que ouvia muita Tribo de Jah e frequentava o Radiola São Luís, na Vila Madalena. A cidade me surpreendeu, um bom e outro ruim: a cidade é bem urbanizada, com bastante prédios, opções de shoppings, lojas e restaurantes e com avenidas largas, o que facilita a movimentação. Por outro lado, acho que dos lugares para os quais eu viajei é um nos quais eu senti maior sensação de insegurança. Mais do que no RJ ou SP, por exemplo.

Praia do Calhau

Praia do Calhau

Depois de fazer o check in no hostel e tomar uma ducha dei uma checada nos mapas que haviam na recepção e resolvi pedir umas dicas para o atendente do Hostel, que era Ucraniano, sobre que fazer. O cara era meio atrapalhado, mas me alertou que não fosse até o centro e nem pegasse a parte de trás do hostel, pois era perigoso. Eu não entendi direito (ou ele não se explicou direito) e resolvir ir então até a praia do Calhau andando. Infelizmente logo de cara eu errei o caminho e cai onde ele tentou me alertar sobre o perigo. Quando resolvi voltar creio que só não fui assaltado pois um vigilante de prédio saiu na hora.

Fui até a praia do Calhau, que é uma das mais “elitizadas” do município de São Luis, sendo inclusive o bairro onde a família real (os Sarneys) mora. A praia não é tão bonita como as de Natal ou Maceió, mas tem suas qualidades. Porém também tem seu pior defeito: é imprópria para banho, assim como qualquer praia de São Luís. E nem precisava de placa para avisar já que, diferentemente de outras cidades, não existe nem emissários submarinos para jogar o esgoto no mar a uma distância da praia. Lá o esgoto cai na praia mesmo! Realmente uma pena.

Janelas e azulejos típicos dos casarões do centro histórico

Janelas e azulejos típicos dos casarões do centro histórico

Resolvi procurar um quiosque para assistir a final da Champions. E dei sorte pois acabei conhecendo um casal neste quiosque que me aconselhou a ir até às Fronhas Maranhenses (falo delas já já), já que não teria tempo de ir até os Lençois, o que se mostrou uma ótima dica.

Uma das poucas coisas que eu havia programado de fazer em São Luís, além de conhecer o centro histórico, era ir a uma radiola, que é um local onde se toca reggae. Hoje em dia estes locais já nem são mais conhecidos por este nome e os principais locais para curtir reggae são conhecidos apenas pelo próprio nome, como o Bar do Nelson, que fica na praia do Caolho (ao lado da praia do Calhau) e é o local que “pega” aos sábados.

O Bar do Nelson é tipo um galpão, com alguns bares onde se vende as bebidas (comidas só nas barraquinhas do lado de fora), um palco onde o DJ se acomoda para rolar o som e, atrás deste palco, uma “parede” de caixas de som. Nem mesas existem e o pessoal usa algumas de cervejas para apoiar copos e garrafas (e ai já vão colocando as garrafas vazias dentro da caixa). Uma coisa que eu gosto muito e que somente em SP não existe é o sistema de pagar a entrada e comprar fichas, ao invés de comandas. Evita filas tanto na entrada quanto na saída e permite a livre circulação entre as áreas externas e interna (lá eles batiam um carimbo que ficava visível à luz negra). É muito mais inteligente e prático para os clientes.

Apoia as cervejas e copos na caixa e já vai preenchendo ela com as garrafas vazias

Apoia as cervejas e copos na caixa e já vai preenchendo ela com as garrafas vazias

Além da característica dos maranhenses de os casais dançarem o reggae juntos (o tal “agarradinho”), do mesmo jeito que se dança forró, pude comprovar o ditado que diz que “em São Luís reggae não se dança/ouve, se vive!”. Eram pessoas de todas as idades, com pulseiras, camisas, brincos, etc fazendo alusão aos símbolos (as cores da Jamaica, a bandeira, a folha da maconha, etc) ou a artistas do reggae.

Até que peguei leve na balada, que estava bem agradável, pois queria ir no centro histórico no dia seguinte, o que eu fiz, mesmo sendo aconselhado ao contrário pelo dono do hostel (brasileiro) pois “estaria muito vazio e portanto perigoso”. Peguei um busão até o centro e cheguei lá por volta de 12:00hrs, mas estava com muita fome e resolvi parar para almoçar (e já experimentar o icônico “Guaraná Jesus”), só que tudo no centro fechava as 13:00 e realmente tudo fica deserto após este horário aos finais de semana, o que torna um local perigo (quase que pela segunda vez eu sou assaltado).

O centro é formado por vários casarões antigos de 2 e 3 andares, com enormes e belas janelas e magníficos azulejos portugueses na fachada. Além disto, existem outras edificações, como palácios de governo e igrejas, que foram recentemente reformados e complementam o ar bucólico da região. Mas a maioria dos casarões e algumas ruas estão merecendo uma restauração.

Em São Luís reggae se dança "agarradinho"

Em São Luís reggae se dança “agarradinho”

Depois do centro fui até a Ponta da Areia onde rola um outro reggae muito famoso, o Chama Maré, que acontece aos domingos as 17:00 e por ficar à beira da praia é quase sempre banhado pela bela luz do por do sol. Também é muito legal e agradável. Só é uma encheção de saco os seguranças (do lado de dentro) ou os PMs (do lado de fora) fazendo ronda para evitar que as pessoas fumem maconha. O Brasil tem que liberar logo esta porcaria pois o combate é mais prejudicial (tanto em termos de segurança, quanto financeiramente) do que a liberação. E também porque cada um que faça o que bem entender da puta da sua vida!

Voltei para o hostel, pois tinha fechado o passeio para as fronhas, seguindo recomendação do casal que havia conhecido no sábado e do Laércio, dono do hostel, que me indicou uma agência para fazer o passeio.

As Fronhas Maranhenses são um conjunto de dunas, assim como os Lençois Maranhenses, ou Genipabu no Rio Grande do Norte,  e que fica localizado no município de Raposa, a cerca de 45 minutos de carro (por uma estrada péssima) do centro de São Luís. Têm este nome porque as dunas são menores do que a dos lençois e porque elas ficam bem antes. Por sorte a praia de Carimã, onde ficam as fronhas, é inacessível de carro e habitada apenas por alguns pescadores, o que deixa a natureza praticamente intocada. E por sorte existem pessoas como o Zequinha, o guia do barco que levou o grupo até lá: ele vai diariamente ao local, mesmo que não tenha passeios para fazer, com um saco para recolher o lixo deixado pelos visitantes (às segundas principalmente, pois alguns habitantes de Raposa vão até a praia para curtir o fim de semana). Acabei gostando mais de Carimã/Fronhas Maranhenses do que de Genipabu. Mesmo daquela Genipabu que conheci em 1995! Depois do passeio fomos almoçar e seguimos para São José de Ribamar, a terceira cidade que, junto com Raposa e São Luis, compõe a região metropolitana de São Luis (as 3 cidades ficam na Ilha).

Chama Maré: reggae com vista do por do sol.

Chama Maré: reggae com vista do por do sol.

São José de Ribamar não tem nada de muito interessante para quem não é um religioso fervoroso já que, mesmo sua igreja não tem nada de destaque. Talvez o destaque se dê pelo fato de “inserirem” São José, que sumiu da vida de Jesus na Bíblia, nas estátuas que representam o calvário. Afinal de contas, não ia ser nada legal retratarem a festa e deixarem o anfitrião de fora…hahaha

Como disse, de certa forma me surpreendi positivamente com a cidade e a viagem, mas ao contrário de João Pessoa (do qual falarei no próximo Wanderlust), não tenho vontade de voltar, mesmo não tendo conseguido ir à Alcantara. Sei lá, acho que o stress da insegurança não vale o local.

Observações, dicas e considerações:

  • Nota-se que existem grandes diferenças sociais na cidade (e no Estado) por conta dos prédios luxuosos que existem ou estão sendo contruídos à beira mar e as casas simples dos demais bairros. Sério, são prédios com apartamentos de 200 metros quadrados que, segundo os taxistas, são comercializados na faixa dos milhões de reais.
  • Parece que também existe um processo de gentrificação acontecendo, especialmente na Ponta da Areia. Segundo os taxistas as pessoas que antes moravam em casas simples e sem saneamento básico foram removidos para conjuntos habitacionais “nos fundos” da cidade, as áreas adquiridas por políticos e parentes destes e em seguida “surge” um plano de urbanização (contrução de ruas ou asfaltamento das existentes, saneamento, etc) e as áreas são vendidas para construtoras (também pertencentes à políticos e parentes destes) que erguem estes prédios de luxo.
  • Pelo que me falaram existe uma pequena rixa entre os Maranhenses e os Piauienses. O Piauienses chamam os Maranhenses de “papa arroz” devido ao enorme consumo deste grão no estado.
  • E realmente, metade do peso / volume de qualquer PF é arroz!
  • A variação da maré na Ilha, mas principalmente nos braços de mar que a circundam é enorme. Segundo os locais, a distância entre o ponto de maré alta com o de maré baixa chega a 200 metros e variação de profundidade chega a 8 metros
  • Os DJs dos bares de reggae parecem pastores protestantes. Entre as músicas soltam frases do tipo: “aqui é um lugar de paz”, “Deus deu este sol”, “Jah nos abençoe”, etc. Pense nas frases com a entonação do Canalhafaia!
  • Não ouvi NENHUM Bob Marley sequer (e muito pouca coisa nacional). Os caras devem ir lá na Jamaica buscar o que tem para tocar.
  • São José do Ribamar e Raposa sofrem de um problema que outros lugares do Norte e Nordeste sofrem: as pessoas têm adquirido motocicletas como meio de transporte e abandonando os pobres jegues à sua sorte. Além de falta de consideração com o pobre do animal, é também um risco para a saúde pública e para a segurança no trânsito.

Be happy! 🙂

04 Sao Luis

Palácio de Governo no Centro Histórico

05 Sao Luis

Catedral no Centro Histórico

06 Sao Luis

O tradicional Guaraná Jesus: cor de rosa, cheiro de chiclete e gosto daqueles sucos que vendiam nas feiras em embalagens em forma de revolver, jacaré, fusca, etc

07 Sao Luis

Casarões históricos no Centro

08 Sao Luis

Ponta da Areia, que aparentemente sofre um processo de gentrificação

09 Sao Luis

Chama Maré

10 Sao Luis

Ponta da Areia

14 Sao Luis

Carimã

15 Sao Luis

Fronhas Maranheses

16 Sao Luis

Fronhas Maranheses: natureza intocada!

Botecando #64 – Jongo Reverendo – São Paulo – SP

Jongo 01

O Jongo Reverendo é um espaço relativamente novo na Vila Madalena. Está instalado no imóvel que foi ocupado pelo Studio SP da Vila e tem como proposta divulgar a cultura afro brasileira, especialmente o samba.

A área principal, onde ocorrem as apresentações é como se fosse um galpão com pé direito duplo e com vários instrumentos musicais de origem africana espalhados pelas paredes. Além deste ambiente, o espaço conta também com um mezanino onde existem mesas e cadeiras mas que infelizmente onde boa parte do espaço não dá visão para a pista.

Dona Francilene

Dona Francilene

No cardápio haviam várias opções de cervejas simples (Skol, Brahma, Heineken, Stella e Estrella Galícia, tanto a importada quanto a nacional), porém vi poucas opções de comida (somente espetinhos). Talvez no mezanino, onde tem mesas, eles sirvam algums outras opções.

O Jongo lembra bastante o Ó do Borogodó, tanto por sua decoração baseada em fotografias e grafites (além dos instrumentos já citados), quanto pelo público e pelo tipo de som que rola. Especificamente neste dia estava rolando o projeto “Batuqueiros e Sua Gente”, um grupo composto de mais de uma dúzia de músicos, que se apresenta ali regularmente e que, às primeiras sextas feiras de cada mês, homenageia em seu repertório algum artista que marcou a história do samba. A homenageada desta vez foi a Dona Ivone Lara e a “festa” também contou com a presença de dona Francilene, uma cantora originária do Rio Grande do Norte que fez relativo sucesso nos anos 60 e começo de 70 como crooner e intérprete.

O grupo é muito bom e conseguiu dar uma cara própria às composições da grande dama do Samba e a ilustre presença de dona Francilene (que afinal das contas também foi homenageada) abrilhantou mais ainda a noite.

Já estou aguardando ansiosamente a próxima edição que, conforme anunciado, será em homenagem à Clara Nunes.

Onde: Jongo Reverendo (Rua Inácio Pereira da Rocha, 170 – Vila Madalena – SP)
Quando: 03/07/2015
Bom: ambiente e som
Ruim: faltam mais opções de bebidas e comidas
Site: http://jongoreverendo.com.br/
Facebook: https://www.facebook.com/jongoreverendo?fref=ts

Be happy! 🙂

Jongo 03

Botecando #63 – Tiro Liro – São Paulo – SP

Tiro LiroLocalizado num pequeno imóvel de esquina na Cotoxó (pouco depois da Alfonso Bovero, para quem sobe sentido Vila Madalena), o Tiro Liro foi montado e é conduzido pela mesma família responsável pelo Dona Felicidade (que ainda preciso conhecer).

O bar e restaurante lembra uma mercearia antiga na decoração (só faltaram os sacos de farinha), com seu balcão de madeira escura e muita antiguidade espalhada por todo canto da casa. Destaque para a coleção de abridores de garrafa e as várias charges, especialmente dos irmãos Caruso, espalhadas pela casa.

O chopp é bem tirado e vem na temperatura correta (também, com o frio que fazia, seria estranho se fosse diferente…hehehe) e o atendimento é justo: são rápidos, prestativos e simpáticos.

O destaque mesmo fica por conta das comidas, tanto pela mesa de acepipes (à quilo) quanto as porções de petiscos. Provei uma com bacalhau em uma “casquinha” de queijo provolone que estava ótima, e olha que eu nem sou chegado em bacalhau. O mesmo vale para os  “Rojões à Tiro-Liro”: pequenos pedaços de lombo marinados no vinho branco, servidos com abacaxi e uvas. Até as frutas, que normalmente me incomodam em pratos salgados, cairam muito bem no conjunto.

Quero voltar lá com mais tempo, preferencialmente em uma tarde de sol, sentar em alguma das mesas na parte externa e sair de lá somente quando estiver chamando Jesus de Genésio!!!!

Onde: Tiro Liro (Rua Cotoxó, 1185 – São Paulo – SP)
Quando:03/07/2015
Bom: decoração e comidas.
Ruim: nada.
Site: http://www.tirolirobar.com.br/index_1.php
Facebook: https://www.facebook.com/TiroLiroBar?fref=ts

Be happy! 🙂

Tiro Liro 2

Botecando #62 – Z Carniceria – São Paulo – SP

Z CarniceriaFazia um tempinho que estava querendo conhecer este bar, que foi montado onde antigamente era o açougue e matadouro Açougue Z (daí o nome), ali na Rua Augusta.

O bar conserva os azulejos originais do estabelecimento, assim como os tanques onde provavelmente as carnes e os utensílios ali utilizados eram lavados. Os ganchos onde se penduravam as carnes também estão presentes na decoração, que é completada por vários artefatos que remetem ao tema, como caveiras de bois e porcos, facas, cutelos e muita memorabilia.

O espaço é pequeno, contando com cerca de uma dúzia de mesas e um pequeno, mas bem montado balcão. O atendimento é simples, mas cordial. A garçonete fez questão de “realocar” algumas pessoas que estavam no balcão para nos acomodar, mesmo após falarmos que não haveria problemas em ficar de pé.

Como demos apenas uma passada para conhecer não chegamos a comer nada e apenas tomamos alguns chopps Heineken bem tirados pelos bartenders e a um preço justo. Chegando até as 21:00 não há cobrança de entrada e paga-se apenas o que for consumido.

Além da decoração inusitada, um dos pontos altos da casa fica por conta do som: muitos lados B do mais puro Rock’n’Roll (Stones, Dylan, The Smiths, etc) e Soul, em um volume que permite as conversas.

Pretendo voltar novamente para aproveitar por mais tempo, degustar alguns petiscos e talvez experimentar alguns drinks. Mas garanto que é uma boa pedida, especialmente para um “date”, já que o volume do som permite o diálogo e a iluminação é reduzida à partir das 21:00hrs.

Onde: Z Carniceria (Rua Augusta, 934 – São Paulo – SP)
Quando:26/06/2015
Bom: decoração e som.
Ruim: talvez não seja um bom lugar para levar um vegetariano radical ou um vegano…hahaha
Site: http://zcarniceria.com.br/
Facebook: https://www.facebook.com/zcarniceria

Be happy! 🙂