Arquivo mensal: fevereiro 2015

Precisamos Falar Sobre Kevin – Lionel Shriver (04/2015)

Precisamos Falar Sobre KevinPrecisamos falar sobre Kevin é o relato ficcional de uma mulher, feito através de cartas escritas para seu marido (cada uma das cartas é um capítulo), sobre acontecimentos relativos à vida do filho, um “garoto Columbine” que, aos 16 anos, perpetuou um ataque contra colegas e funcionários da escola onde estudava, matando nove deles e ferindo um outro.

Inicialmente achei o livro um pouco cansativo, especialmente por estas cartas parecerem uma DR que Eva resolve fazer com seu marido, Franklin, revisitando os fatos desde a decisão de ter um filho até alguns anos depois da condenação de Kevin. Falando assim parece um spoiler, mas não é, já que logo no começo do livro já fica claro que o ataque ocorreu e que Kevin foi condenado à prisão. Mas o interessante do livro é justamente o caminho, e não a conclusão (se bem que existem algumas surpresas nos últimos capítulos). Como disse, inicialmente achei o livro chato, monótono até, porém depois de umas cem páginas o livro pega um ritmo bom. Interessante notar que cada capitulo vai ficando maior (já notei isto em outros autores também, não sei se existe um motivo literário ou é apenas coincidência).

Eva intercala relatos sobre acontecimentos antigos com relatos de suas recentes conversas com Kevin durante as visitas semanais à casa de correção onde Kevin está preso e também com informações sobre o decorrer do processo. Mas apesar do livro não seguir uma linha temporal contínua, ficou bastante interessante o uso do recurso e não ficou nada confuso.

Durante estes relatos ela vai descrevendo os sentimentos de ambos, dela e de Kevin, ou melhor dizendo, a falta de sentimento (ao menos os bons sentimentos) que havia entre eles desde o nascimento de Kevin e, no meu entendimento existem três temas principais abordados por detrás da estória.

O primeiro tema, que não é mais importante, é o panorama e clima que havia nos EUA quando os casos destes garotos virou “moda” nos EUA (final da década de 90 e início dos anos 2000) e de como a população americana reagiu e ainda reage à eles.

O segundo, que eu achei mais importante, é o que leva as pessoas a terem um filho e as responsabilidades decorrentes desta decisão.

A maioria dos casais que conheço resolveram ter filhos para satisfazer uma vontade ou necessidade própria (talvez biológica, de perpetuação da espécie) e só depois, durante a gestação é que começaram a ter uma noção das responsabilidades para com este ser, esta criança. Ou seja, ter um filho, é uma responsabilidade de uma vida toda em prover para um pequeno ser que vai ser dependente por pelo menos 15 anos de alguém.

Porém, a segunda responsabilidade, que acho que poucos casais se dão conta, é a de criar um ser, um membro da sociedade e faz uma análise sobre até que ponto a influência dos pais, do ambiente e da criação são suficientes para formar um “bom cidadão”.

O terceiro tema foi o que eu mais achei mais interessante: Kevin já demonstra uma certa apatia desde o momento do nascimento e, mesmo não sendo um sociopata e tendo sido criado no melhor ambiente possível (apesar dos problemas com a mãe), vem a planejar e cometer friamente o ataque.

Eu achei interessante justamente porque eu creio que, apesar do meio influenciar, acho que as pessoas já nascem com certas tendências quanto ao comportamento. Não sou especialista e nunca tive curiosidade de ir atrás de informação nesta área (talvez já até tenham achado um “gene da maldade” e eu não saiba), mas é uma opnião baseada em observação, em ver irmãos que foram criados exatamente da mesma forma e com as mesmas oportunidades agirem de forma totalmente diferente.

É um baita de um livro, especialmente para quem, como eu, tem interesse pelo comportamento humano.

Existe uma adaptação para o cinema de 2001 que ganhou alguns prêmios em festivais de cinema e recebeu boas críticas, especialmente pela atuação da atriz Tilda Swinton, que interpreta Eva.

Minha Carne É De Carnaval. Meu Coração É Igual.

20150208_124402Já falei aqui algumas vezes sobre a necessidade das pessoas ocuparem os espaços públicos e de como o paulistano vem finalmente  percebendo que ficar dentro de um shopping ou uma balada não é lá um programa que se poderia chamar “lazer”. Isto tem efetivamente se refletido no carnaval de São Paulo nos últimos anos. O nascimento (e em alguns casos a retomada) de vários blocos tem mostrado que o povo de São Paulo, que até pouco tempo viajava para Salvador, Rio, Sao Luis do Paraitinga, entre outros locais tradicionais por seu carnaval, percebeu que a própria cidade também pode abrigar este tipo de evento ao ar livre e o carnaval deste ano, com mais de 300 blocos oficiais cadastrados, foi prova disto.

Outra coisa que eu achei muito legal neste carnaval foi a variedade temática dos blocos. Fiquei especialmente feliz por ver surgir o Bloco 77, que tem temática punk!!!! Isto mesmo, ao invés de simplesmente criticar o carnaval por não atender seu estilo, a galera foi lá e criou um bloco que faz versões carnavalescas de clássicos do punk nacional e resolveu curtir também. Ponto positivo para a aceitação, a diversidade e claro, a diversão.

O carnaval de São Paulo, através desta enxurrada de blocos que vêm nascendo e crescendo nos últimos anos (e aqui vale ressaltar o “empurrão” que alguns blocos cariocas, como o Bangalafumenga, o Sargento Pimenta e o Quizomba ajudaram a dar, bem como a “resistência” de blocos como o Bloco do Ó, Bando 7, o Bantantã e mais alguns outros já históricos) tem tudo para em alguns anos se equiparar ao Rio e a Salvador, e até passá-los, como destino para as festas de Momo.

É claro que sempre existem problemas, também fruto da inexperiência que alguns dos órgãos competentes (Prefeitura, Polícia Militar, CET, SPTur, etc) com este tipo de evento e da inexperiência de alguns dos organizadores dos blocos mais novos. Mas nada que aconteça exclusivamente em São Paulo e muitos problemas não são exclusividades do carnaval. Mas deles falarei em outro artigo.

Mas sem mais delongas, como já é tradição (ah! Segunda vez já virou tradição….hahaha), um resumão do meu carnaval (que começou dia 4 de janeiro…kkkkk)

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Cuidado com o seu Ó!

Urubó
Já havia falado sobre o bloco em sí no resumo do ano passado, de como o bloco é familiar e que, junto com o cenário bucólico do Largo da Matriz de Nossa Senhora do Ó faz com que você se sinta como em uma pequena cidade do interior do Brasil. Este ano deu para notar a evolução do bloco no quesito profissionalismo: aumentaram o repertório, aumentaram a bateria e o naipe de metais, paradas programadas durante o trajeto de acordo com o repertório, etc. Com isto, além de atrairem um público fiel, ainda conseguiram atrair bastante patrocínio e parcerias que ajudam ainda mais neste profissionalismo, e isto vira um ciclo virtuoso. Não duvido nada que em alguns anos o Urubó seja um bloco a ser chamado para festas de formatura e outros eventos, como acontece com escolas de samba e trios elétricos.

Bloco do Bagaça
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Segundo ano de desfile do bloco e já pode ser considerado um sucesso. O trajeto é bastante interessante, a homenagem para a Banda da Lapa foi justíssima, os músicos e a bateria estavam bem ensaiados e a organização foi muito bem feita. O ponto ruim que é foi o único bloco onde eu vi briga, isto já no final, na dispersão. Mas nada que tire os pontos positivos. Como eles são da Lapa, bairro vizinho à Freguesia do Ó, e como parte dos músicos tem origem na Comunidade do Buraco do Sapo, na Freguesia, talvez uma parceria para trocar idéias e organizar eventos com o Urubó fosse interessante.

Bando 7
20150131_17314731 anos de bloco! Acho que o tempo de estrada demonstra o sucesso do bloco. Este ano deram uma melhorada no repertório ao tocar menos o hino do bloco e mais marchinhas conhecidas. Não que o hino seja ruim, mas ficar metade do percurso com uma música só acaba desanimando os foliões que acabam por “fugir” para outros blocos que estiverem rolando no mesmo horário. Mas desta vez nem teve chuva para atrapalhar.

Ritaleena
Peguei no finalzinho e fiquei pouco tempo então não dá nem para avaliar muito o bloco. A única coisa a notar é que tinha muita gente muito louca (no pior sentido: de drogas e/ou álcool). Acho que o tempo de duração do bloco, bem como o tempo de concentração deve ser pensado para evitar da galera ficar muito bêbada, o que vai contribuir para a festa e evitar confusões.

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O mini trio elétrico fez a festa da criançada no Bloco do Paralelepípedo

Paralelepípedo
Bloquinho muito simpático, que dá volta em um quarteirão do bairro de pinheiros composto apenas por ruas de paralelepídedo. Infelizmente não tem bateria nem som ao vivo, mas para compensar o (mini) trio elétrico era usado pelas muitas crianças para brincar e durante a volta no quarteirão. Achei legal.

Chega Mais
Bloco com temática dos anos 80. Eu não entendo porque tanta gente tem sente tanta nostalgia por uma época tão chata. Mas o trio em sí é bem legal e animou a galera num domingo de manhã. Palmas para os músicos que foram todos usando fantasias com a temática do bloco.

Bateria do Chega Mais toda à caráter!

Bateria do Chega Mais toda à caráter!

Banga animando como sempre!

Banga animando como sempre!

Bangalafumenga e Sargento Pimenta
Estes dois blocos levaram cerca de 120 mil pessoas para a rua e a prefeitura já tem que começar a pensar em um outro espaço para alocá-los no próximo ano, pois o local ficou insuportável de andar, os banheiros já não deram conta e o viaduto parecia que ia cair (infelizmente esqueci de filmar o viaduto balançando). Quanto aos blocos: o Banga é ótimo e melhora a cada ano com o acréscimo dos ritmistas da oficina de SP. O Sargento Pimenta é meio Sambô (ou o Filme Debi & Loide, por exemplo): a primeira vez que você assiste é interessante, a segunda você já não vê graça. A terceira já se tornou chato. Muito provavelmente não verei mais.

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Dispersão do Bloco do Ó

Bloco do Ó
O Bloco do Ó é o meu preferido, talvez até porque eu tenha um carinho especial, por ter sido o primeiro bloco a me despertar a “paixão” pelo carnaval, há uns 6 anos atrás. No seu 11º ano, por conta das organizações da prefeitura (ano passado ele “encoscou” com outro bloco), ele saiu mais cedo. Mas foi ótimo porque pela primeira vez eu acompanhei até a dispersão, que acontece em uma charmosa praça na Rua Fidalga com a Rodésia, na Vila Madalena. Ponto positivo também pela quase totalidade de foliões fantasiados.

20150211_195754Banda do Candinho
A Banda do Candinho, já com 34 anos de idade, toca marchinhas e sambas enredo (alguns dos ritmistas são da bateria da Vai Vai). Mas acho que a principal atração é o trajeto, que começa na boêmia 13 de Maio, no Bixiga, dá uma volta pela São João, Praça da República, Sao Luiz, voltando ao ponto inicial pelo Viaduto 9 de Julho. Uma ótima oportunidade de dar uma volta pelo centro à noite, especialmente pela parada que fazem em frente ao Teatro Municipal. Ponto ruim: o narrador que ficava toda hora falando dos patrocinadores, dos apoiadores, fazendo agradecimentos, etc.

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Pausa da Banda do Candinho na Praça Ramos!

Samba de Rainha saudando o bloco João Capota na Alves

Samba de Rainha saudando o bloco João Capota na Alves

João Capota na Alves (e Samba de Rainha)
Bloquinho bem legal ali na região da João Moura, Benedito Calixto, etc. Apesar de focarem bastante em músicas próprias eles sabem dosar para não ficar chato. De quebra, no meio do percurso o grupo Samba de Rainha fez uma apresentação à partir de uma varanda de um apartamento. Bem legal. E o público bem variado deste bloco também ajudou na festa. Uma pena somente a falta de banheiros.

Bloco Me AbraSa
Bloco carnavalesco do movimento Paulista com Farofa, que organiza churrascos com samba ao ar livre na região da Paulista. Não conhecia o movimento e ainda não fui ao evento, mas a organização do bloco nas redes sociais pareceu promissora: 2 kits de camiseta para ajudar o bloco, parceria com o Easy Taxi, tocaram no Lapa 40º depois do bloco, etc. Mas, a organização prévia não se refletiu no bloco em si: a concentração demorou demais (mais de 3 horas!) então quando o bloco saiu a galera, músicos inclusos, já estavam todos muito bêbados. A banda não tinha um repertório definido, não estava pré-programado onde seriam as pausas, a bateria estava desentrosada com os músicos em cima do trio que ficavam mudando de música e ritmo à toda hora. É o segundo ano do bloco e creio que eles devam perceber os erros para não voltar a cometê-los, já que o trajeto do bloco é bem legal.

Cordão do Jamelão
Para fechar as festividades, peguei mais este cordão no sábado após o carnaval. Apesar do atraso no início da concentração, o que deve ter feito alguns desavisados desistirem quando chegaram e encontraram a rua vazia, o bloco foi interessante e contou com a Banda da Lapa, que foram os homenageados pelo Bloco do Bagaça. O trajeto pelas ruas da Bela Vista e do Centro de SP é muito legal e a galera dos prédios e comercios se empolgava com a passagem do bloco.

Uma pena que o corpo já não aguente mais uma maratona com poucas horas de sono como ocorria há uns 10 ou 15 anos atrás, porque senão dava também para ter curtido os bailes do Ó do Borogodó e do Lapa 40º, ou algum outro bloco que ocorria mais cedo, ou mais tarde. Sem contar a dificil tarefa de escolher um quando haviam dois blocos legais rolando ao mesmo tempo. Mas deu para me divertir bastante.

Agora é pegar no batente porque o ano finalmente começou. Se bem que em Março vou pra Salvador e dizem que lá é carnaval o ano todo!!!!

Be happy! 🙂

Botecando #48 – Rei Das Batidas – São Paulo – SP

rei-das-batidasEste foi o primeiro lugar em que eu tomei cerveja e tive o primeiro porre da minha vida, lá do alto dos meus 16 anos, há mais de 20 atrás, após um jogo de futebol do time da empresa em que eu trabalhava na época (Transbrasil) na USP. Apesar de já trabalhar há quase 5 anos do lado nunca tinha ido depois disto. Para não dizer que nunca fui depois disto, uma vez estava indo para Ibiúna e um dos amigos resolveu parar para comprar umas batidas para viagem.

O bar já tem mais de quarenta anos e é ponto de encontro dos alunos da USP desde sua inauguração, em 1970, principalmente por ter um preço bem acessível ao orçamento de um estudante. Além disto, como já citado, por estar na entrada de duas rodovias (Regis Bittencourt e Raposo Tavares) que concentram muitas residências de veraneio, é parada obrigatória para a galera comprar umas batidas para tomar no final de semana.

É um boteco bem simples, porém é um Boteco com “B” maiúsculo e dentro desta área é bastante “honesto”: a cerveja (Skol, Brahma, Original e Serramalte) chega à mesa sempre gelada, os petiscos são generosos e valem o preço e o atendimento tem aquela “pessoalidade” que muita gente não gosta, mas que eu particularmente aprecio (tipo o garçom parando alguns minutos para trocar idéia, você chamando ele de chefe e ele te chamando de amigo).

Rei das Batidas 2A “gourmetização”, felizmente, ainda não chegou por aqui e os preços são um dos atrativos do local. O único problema é que sempre lota. Como disse, trabalho praticamente do lado e passo em frente todos os dias e não tem um dia que depois das 18:00hrs as mesas já não estejam espalhadas pelas calçadas das duas ruas nas quais o imóvel se encontra (Avenida Valdemar Ferreira e Rua Pirajussara) para muito além da fachada do imóvel. Então, para quem pretende ir é melhor chegar cedo.

Como já combinamos no trampo de fazermos ao menos um happy hour por mês, provavelmente este ano eu voltarei mais vezes e terei a oportunidade de experimentar as batidas e caipirinhas, que são os carros chefes da casa. Até mudei o dia da minha aula de alemão para não perder estes happy hours…hehehe

Onde: Rei das Batidas (Avenida Valdemar Ferreira, 231 – São Paulo – SP)
Quando: 12/02/2015
Bom: atendimento, cerveja gelada e petiscosmúsica
Ruim: fica muito lotado quase todos os dias
Tel: 11 3031-5795
Facebook: Rei das Batidas

 

O Cordeiro – Christopher Moore (03/2015)

O CordeiroEu devorei as quase 600 páginas deste livro em 5 dias! Ele conseguiu me preender mais do que o Belas Maldições. Aliás, o estilo dos livros é o mesmo e creio que o Christopher Moore bebeu na mesma fonte do Neil Gaiman e Terry Pratchett, ou seja, muito Monty Phython com doses de Douglas Adams. E a mistura não poderia ter saído melhor.

Com o subtítulo “O Evangelho segundo Biif, o brother de infância de Cristo” o livro cobre a vida de Jesus entre os 6 e os 30 anos de idade, período que é ignorado nos evangelhos canônicos presentes na Bíblia. Como o livro é uma peça de humor, não vale nem entrar no mérito da existência ou não de Jesus e o autor parte do princípio de que ele existiu.

Levi, a quem chamam de Biff, é ressuscitado nos anos 2000 por um anjo para que ele escreva a sua versão do evangelho, já que ele acompanhou Josué (o nome verdadeiro de Jesus) praticamente durante toda a sua vida, à partir da infância e até poucos momentos após a sua morte (ele já não estava quando da ressuscitação).

Através da busca de Jesus dos ensinamentos que o tornariam o Messias, ele passa anos aprendendo diversas filosofias, como o Taoísmo, o Budismo e o Induísmo, para condensar tudo na sua própria filosofia. Durante este período ele precisa lidar com a sua condição humana, com os problemas de todo adolescente (especialmente no sentido de se manter celibatário), além de ter que lidar com o fardo de ser “O” escolhido.

Felizmente ele conta com a ajuda do seu fiel amigo Biff, que é exatamente o contrário de Joshua: mentiroso, encrenqueiro, mulherengo e sarcástico (aliás, o sarcasmo é uma invenção do próprio Biff!). Infelizmente Madá (sim, ela mesma, Maria Madalena) aparece apenas no início (antes dos 13 anos) e na fase final (à partir dos 30 anos), pois também é um personagem muito interessante (“mais esperta do que nós dois”, como diria Biff, no que Joshua concordou plenamente).

O autor, além de utilizar muita pesquisa sobre as filosofias já citadas, fez um estudo muito sério sobre a Torá, as condições culturais e sociais do povo judeu no século I (ele inclusive foi até Israel para pesquisar) e da própria Biblia, tanto do velho (que é praticamente uma cópia da Torá, assim como o Corão também o é) quanto do novo testamento. Com isto ele conseguiu, na medida do possível, encaixar os fatos ficcionais do livro com fatos históricos ou bíblicos. O que ele não conseguiu, como ele explica no posfácio, foi pela liberdade literária afim de tornar a estória mais interessante e dinâmica.

Assim como já tinha acontecido com Belas Maldições e com os seis livros da trilogia de cinco do Guia do Mochileiro das Galáxias, várias vezes me peguei gargalhando com algumas passagens mais engraçadas, inclusive em público (no ônibus, por exemplo).

Mas apesar de ser uma obra de ficção e de humor, existem muitas citações interessantes que foram retiradas da própria bíblia e das filosofias utilizadas como base para a estória e que me arrependi de não ter tomado notas (como geralmente faço com livros mais “sérios”).

De qualquer forma, ao final do livro fiquei com a sensação de que, se realmente Jesus existiu, ele deve ter sido mais como o Jesus do livro (amoroso, pacífico, com compaixão, etc) do que o que a maioria das denominações Cristãs e seus fiéis dão testemunho.

Meias verdades e mentiras por inteiro: Espectro Político ou Esquerda X Direita

Espectro PolíticoO brasileiro em geral tem uma coisa que eu chamo de “pensamento binário”: ele só pensa em termos de sim ou não, de 0 e 1. Por exemplo, se uma pessoa fala mal do PT ela só pode ser PDSBista (e o contrário também é verdadeiro). Se não gosta de samba, só pode ser roqueiro. Ou seja, a rejeição de uma coisa sempre vai implicar na aceitação automática do que é considerado a antítese, o contraponto, daquela que foi rejeitada. Se por um lado isto indica uma deficiência na capacidade raciocinar e perceber que não existem apenas A e B, por outro, vai muito de encontro ao “inimigo comum” que eu falei neste artigo: se não é nosso amigo, então é nosso inimigo.

Quando se fala de política então, ai este pensamento binário chega a níveis cômicos, como a pessoa não votar no PT por ser esquerda, e votar no PSDB, que também é esquerda (mas estas pessoas acham que, por ser o rival do PT, o PSDB é obrigatoriamente direita). Não vou entrar na questão da definição de esquerda e direita quando se fala em espectro político, primeiramente porque ela está em desuso, mas também porque basta uma googlada para descobrir / entender como o termo nasceu.

Para tentar derrubar este conceito, primeiro vou fazer uma brincadeira com algumas opniões que eu tenho, classificando-as como de direita ou esquerda (de acordo com o entendimento geral), e eventualmente neutras, montando assim um “placar” (e abrindo gancho para um monte de artigos posteriores 🙂 ).

Os direitistas pegam o livre comércio, a chamada economia de mercado, base do capitalismo (a economia de mercado é UMA das bases do capitalismo), sem interferência do Estado, enquanto os esquerdistas acham que o Estado é quem deve decidir o que deve ser produzido, em que quantidade, quanto deve ser cobrado de cada produto, etc. Como sou à favor do capitalismo e da economia de mercado, os esquerdistas me chamariam de “Facista” (sem entender que o facismo é uma doutrina de esquerda), portanto Ruivo Coxinha 1 x 0 Ruivo Petralha.

Os esquerdistas crêem que o Estado é que deve deter os meios de produção, enquanto os direitistas acham que o governo somente atrapalha. Eu acho que tudo depende do setor e alguns dos setores estratégicos devem ficar, mesmo que apenas parcilamente, sob gestão do Estado (e além do mais eu sou totalmente à favor das agências regulatórias), os direitistas me chutariam do clube deles, mesmo eu sendo um liberal (light é verdade) no quesito economia. Ruivo Coxinha 1 x Ruivo Petralha 1.

Vamos mudar para os assuntos mais polêmicos: os direitistas / conservadores são totalmente contra a descriminalização, quanto mais a legalização das atuais drogas ilícitas, eu já sou totalmente à favor da legalização de TODAS as drogas. E olha que as que eu consumo são as legalizadas (álcool e cigarro) e não tenho o mínimo interesse por outros tipos. Com certeza os discípulos de Olavo de Carvalho me chamariam de “maconheiro da FFLCH”. Ruivo Coxinha 1 x Ruivo Petralha 2.

Eu sou totalmente à favor de que os casais homossexuais que têm uma união estável desfrutem dos mesmos direitos que os casais heterossexuais. Neste momento um direitista solta um “viado!”. Ruivo Coxinha 1 x Ruivo Petralha 3.

Apesar de ser contra o aborto, sou à favor da descriminalização e legalização, desde que se utilizem critérios puramente científicos para determinar até quando poderia ocorrer. Sou a favor inclusive que o Estado, através do SUS, ofereça esta opção. Ruivo Coxinha 1 x Ruivo Petralha 4.

Ai um pastor que virou candidato, ou um padre (que nunca vai saber o que é ter filho), fala: “Hipócrita! É a favor do aborto e é contra a pena de morte!”. Ledo engano. Eu não sou à favor da pena de morte, mas acho que ela poderia ser aplicada em alguns casos por motivos puramente econômicos e lógicos (falarei em outro artigo sobre isto). Como os esquerdistas, em tese, são totalmente contra um Estado que tire vidas (quer dizer, quando o Estado não é regido por sua ideologia, Russia, Cuba, China, Coréia do Norte, entre outros, que o digam), o placar ficaria Ruivo Coxinha 2 x 4 Ruivo Petralha.

Redução da maioridade penal? Sou contra a redução da maioridade penal mas sou à favor de que menores de idade, em alguns casos em específicos, sejam  julgados e recebam penas de adultos (a diferença não é apenas semântica, é gigantesca, mas volto à carga em outro artigo). Como os esquerdistas sempre acham que o criminoso é sempre produto do meio, mais um “gol” pro Ruivo Coxinha, que agora está com 3 x 4 do Ruivo Petralha.

Meritocracia? Sou totalmente à favor, mas também sou à favor de programas sociais que diminuam diferenças, muitas delas causadas pelo próprio Estado. Como tanto direitistas quanto esquerdistas são radicais neste ponto, não dá para dar ponto para nenhum dos Ruivos: o Coxinha continua com 3 e o Petralha com 4 e agora temos 1 para o Ruivo “em cima do muro”.

Eu peguei aqui apenas 8 questões de 3 pilares (já já falo mais sobre eles). Para minha opnião sobre 4 delas os direitistas me chamariam de comunista e para 3 os esquerdistas me chamariam de “reaça” (taí outra palavra que os esquerdistas precisam aprender o significado: reacionário). No caso da última eu poderia ser linchado pelos dois grupos.

Como falei lá no início, o problema é que a maioria dos brasileiros enxergam o posicionamento político mais ou menos assim:
Binario

Quando na verdade, pouquíssimas coisas são preto no branco, e a imensa maioria se assemelha mais como uma paleta de vários tons:Varios tons

Isto quando falamos somente sobre um pilar, sobre determinado assunto ou área em específico, que poderiamos chamar de “eixo”. Eu particularmente costumo dividir o espectro político em pelo menos 3 eixos e acho que menos do que isto não é possível atualmente (podem existir mais, com certeza):

  • Econômico: se o Estado deve ou não ser um ator determinante na economia, ou seja, se a economia deve ser de mercado ou de Estado.
  • Meios de produção: se os meios de produção devem estar na iniciativa privada ou se o Estado deve ser o “proprietário” dos meios de produção.
  • Costumes e liberdades/direitos individuais: se o Estado deve ou não se meter em questões de foro íntimo e que só afetam cada indivíduo, sem afetar a sociedade.

E mesmo para cada um destes pilares não existe apenas um “concordo” ou “discordo”.

Vamos fazer um exercício: suponhamos que para cada um destes pilares existam apenas 5 opções de posicionamento (mas repito: existem mais, muitos mais). A pessoa pode ser radical ou moderada para cada um dos lados, além de poder ser neutra. Usando o exemplo do eixo econômico, a pessoa poderia ser totalmente à favor da economia de mercado (direitista radical), à favor da economia de mercado com leve interferência do Estado (direitista moderado), à favor de uma divisão entre mercado e estado (neutro), à favor de uma economia de Estado com alguns setores específicos abertos à iniciativa privada (esquerdista moderado) ou à favor de uma economia totalmente determinada pelo Estado (esquerdista radical).

Se formos considerar os 3 eixos e usando um pouco de estatística, teriamos 5 opções elevadas ao cubo, ou seja 5 x 5 x 5, o que resultaria em 125 combinações diferentes (maior que a quantidade de partidos, que já são muitos, que temos no Brasil). É claro que algumas combinações são excludentes, como por exemplo, uma economia totalmente de mercado não existe se todos os meios de produção forem estatais, pois fere um dos princípios da economia de mercado, que é a livre concorrência / inexistência de monopólio (no caso teriamos um monopólio estatal).

Poderiamos fazer um outro exercício: pegar estas questões que eu criei e respondi, adicionar mais algumas (como por exemplo questões ambientais) e fazer um censo. Com 10 questões com 3 alternativas cada teriamos possibilidades de mais de 59 mil combinações diferentes e, estatisticamente falando, seria difícil encontrar quatro mil brasileiros, do total de 200 milhões da população, que tivessem respostas exatamente iguais. Se tivéssemos 5 opções (duas moderadas, duas extremistas e uma neutra), haveriam quase 10 milhões de combinações possíveis e teoricamente só conseguiríamos encontrar apenas 20  pessoas que tivessem respondido exatamente igual.

Um outro ponto que é sempre preocupante deste pensamento  binário é a pessoa achar que a pessoa que não compartilha dos mesmos pensamentos e ideais que os seus é mal intencionada. Creio que o objetivo final da maioria das pessoas sejam os mesmos (uma sociedade mais justa, onde todos vivam com conforto, segurança e tenham as mesmas oportunidades), a única diferença é que as pessoas discordam dos meios para atingir este objetivo.

E ninguém está errado, já que não existe uma fórmula pronta que possa ser aplicada em todas as nações a todo o tempo. A única certeza que temos é que os exemplos de extremismos, seja para um lado, seja para o outro, em qualquer um destes pontos, dificilmente dão certo.

Deus Um Delírio – Richard Dawkins (02/2015)

Deus-um-DelirioEngraçado como as vezes um livro aparece na sua vida num momento bem propício. Eu sempre tive uma relação estranha com as religiões. Eu fui criado na doutrina evangélica até os 14 anos de idade, mas nunca tive fé e, graças a minha curiosidade, sempre questionei os dogmas religiosos e a existência de um ser superior (seja ele qual for). Mas também nunca duvidei da existência deste ser (ou seres, dependendo da religião). Simplesmente eu sempre achei que eu não preciso de fé em algo sobrenatural e, desde que a fé alheia não interfira na minha vida eu nunca liguei para religiões em geral. Inclusive eu eu até acho os ritos religiosos muito interessantes.

Mas de uns tempos para cá, especialmente com a ascenção do fundamentalismo evangélico no Brasil e o avanço dos tentáculos de seitas evangélicas sobre Estado brasileiro, eu comecei a rever estes meus conceitos. O livro O Sári Vermelho, que eu li no começo do ano, ajudou a derrubar um mito em que eu acreditava, de que as religiões orientais eram pacifistas e tolerantes. O ataque dos terroristas muçulmanos (sim, é esta a denominação, não adianta dourar a pílula) ao jornal francês Charlie Hebdo foi a gota d’água para eu definitivamente chegar a conclusão de que a religião é sim um mal imenso para o mundo, que não tem como elas não interferirem na minha ou na vida de qualquer pessoa e que as religiões (TODAS) não devem ser apenas ignoradas, mas sim combatidas.

E ai leio este livro do Richard Dawkins, que me traz argumentos infinitamente melhores e com mais embasamento que as minhas próprias conclusões. O livro funciona como se fosse um “Evangelho do Ateísmo”, como o autor propôs que fosse (e ele deixa isto bem claro no prefácio) e é dividido em 10 capítulos que desconstróem alguns mitos das religiões e é respaldado por vários estudos, livros e citações, todos eles devidamente bibliografados ao final do livro, de cientistas, teólogos, celebridades e políticos, religosos ou não. Um dos pontos fortes do livro é justamente desconstruir “teorias” e discursos religiosos. Dentre os 10 capítulos, 3 foram os que me mais chamaram a atenção:

O sexto capítulo trata das raízes da moralidade e desconstrói o argumento de que a ética e a moral são frutos da religião (até porque tanto o Deus da Bíblia quanto a própria Bíblia em sí não são nenhum exemplo de moral, muito pelo contrário). Isto sempre foi um dos meus questionamentos, mesmo quando frequentava a igreja eu já pensava que uma pessoa que precisa ser ameaçada com as chamas do inferno ou “incentivada” com uma vida no paraíso para que pratique atos morais e de caridade só pode ser um canalha ou um interesseiro, mas este capítulo traz uma abordagem do ponto de vista do desenvolvimento da espécie humana para as questões de moral. Não que as razões da moral do ponto de vista da evolução sejam muito altruístas, já que elas se formaram pelo bem da manutenção da espécie, mas ao menos explicam de uma maneira lógica do porque da moralidade e mostra que ela não tem nada a ver com religião.

No oitavo capítulo ele trata sobre os males da religião em sí e das razões para ser tão hostil com todas elas. Um motivo para mim já estava claro há algum tempo: toda religião é fundamentalista ao definir-se como a única certa e buscar a conversão de todas as pessoas à ela ou, quando isto não é possível, a eliminação das demais pessoas e religiões. Não adianta cair no discurso de que “não se pode condenar a instituição por conta de atos de seus membros”, já que se a instituição não existisse, aquele membro muito provavelmente não cometeria aquele ato.

O nono capítulo trata da violência que é doutrinar uma criança em qualquer religião ao invés dar à ela condições de analisar e a opção de escolha, quando ela tiver capacidade para fazer esta escolha. E aqui o livro toca num ponto particularmente interessante para mim. Como disse eu fui criado na doutrina cristã evangélica e, caso não tivesse uma curiosidade natural e capacidade de questionar aquilo que me foi imposto durante anos, provavelmente hoje eu estaria ainda nas garras de alguma igreja, sem a compreensão que tenho hoje do mundo. Poderia falar de várias coisas das quais eu fui privado por conta da escolha que meus pais me impuseram (e nem posso culpá-los já que eles também são vítimas deste ciclo), tais como acesso às artes (cinema, música, etc), TV e à Ciência em geral, mas só o fato eu ter sido levado a acreditar em algo sem a capacidade de questionar já é motivo suficiente para eu concordar plenamente com Dawkins quanto à este tema.

Outro ponto forte do livro é que, ao invés dele cair no lugar comum de utilizar o fanatismo religioso muçulmano, ele prefere usar muitos exemplos do fanatismo cristão americano, o que faz com que as pessoas com capacidade de abstração e análise consigam entender que tudo o que se aplica ao fanatismo muçulmano, também é aplicável à qualquer outra religião.

O livro não é dos melhores, do ponto de vista literário, como muitos fãs de Dawkins também afirmam, mas certamente, dentro do propósito é uma leitura clarificante. Nem posso indicar para amigos que têm fé em algum tipo de religião pois, com quase toda certeza, o livro iria fazer com que elas sintam desprezo e revolta (e talvez até por mim!), mas para aqueles que têm alguma capacidade de analisar fatos e argumentos válidos, independente da fé, é uma ótima leitura.

Algumas citações interessantes:

Joga fora todos os medos de preconceitos servis, sob os quais as mentes dos fracos se curvam. Coloca a razão firmemente no trono dela, e apela ao tribunal dela para todos os fatos, todas as opniões. Questiona com coragem até a existência de Deus; porque, se houver um, ele deve aprovar mais o respeito à razão que o medo cego. – Thomas Jefferson

O espetáculo daquilo que é chamado religião, ou qualquer outro tipo de religião organizada, na Índia ou em qualquer outro lugar, enche-me de horror e já o condenei com freqüência, no desejo de eliminá-lo. Quase sempre ele parece significar crença e reação cegas, dogma e intolerância, superstição, exploração e a preservação de direitos adquiridos. – Jawaharlal Nehru

Temos nomes para as pessoas que têm muitas crenças para as quais não há justificativa racional. Quando suas crenças são extremamente comuns, nós a chamamos de “religiosas”; nos outros casos, elas provavelmente serão chamadas de “loucas”, “psicóticas” ou “delirantes” […] Claramente, a sanidade está nos números. E, mesmo assim, é apenas um acidente da história o fato de ser considerado normal em nossa sociedade acreditar que o Criador do universo é capaz de ouvir nossos pensamentos, enquanto é uma demonstração de doença mental acreditar que ele está se comunicando com você fazendo a chuva bater em código Morse na janela de seu quarto. Assim, se as pessoas religiosas não são generalizadamente loucas, suas principais crenças absolutamente o são. – Sam Harris

“Você é tão bruto, tão pouco sutil, como pode ser tão insensível e mal-educado a ponto de me fazer uma pergunta direta, à queima-roupa, como ‘Você acredita em milagres?’ ou ‘Você acredita que Jesus nasceu de uma virgem?’. Você não sabe que entre pessoas educadas não se faz este tipo de pergunta”. Mas reflita por que é indelicado fazer perguntas tão diretas e factuais para pessoas religiosas hoje em dia. É porque dá vergonha! Só que é a resposta que dá vergonha, se ela for sim. – Richard Dawkins

Você realmente quer me dizer que o único motivo para você tentar ser bom é para obter a aprovação e a recompensa de Deus, ou para evitar a desaprovação dele e a punição? Isso não é moralidade, é só bajulação, puxação de saco, estar preocupado com a grande câmera de vigilância dos céus, ou com o pequeno grampo dentro da sua cabeça que monitora cada movimento seu, até seus pensamentos mais ordinários. – Richard Dawkins

…se as pessoas são boas só porque temem a punição, e esperam a recompensa, então nós somos mesmo uns probres coitados. – Albert Einstein

Mesmo que fosse verdade que precisamos de Deus para ser bons, isso obviamente não tornaria a existência de Deus mais provável, apenas mais desejável (muita gente não consegue enxergar a diferença). – Richard Dawkins

Deus e a Pátria são um time imbatível; eles quebram todos os recordes de opressão e derramamento de sangue – Luis Buñuel

…a religião é um insulto à dignidade humana. Com ou sem ela, teríamos gente boa fazendo coisas boas e gente ruim fazendo coisas ruins. Mas, para que gente boa faça coisas ruins, é preciso a religião. – Steven Weinberg

A Bíblia é um guia da moralidade entre os membros do mesmo grupo, contendo instruções para o genocídio, para a escravização de forasteiros e para a dominação do mundo. Mas a Bíblia não é malévola devido a seus objetivos ou à glorificação do assassinato, da crueldade e do estupro. Muitas obras antigas fazem a mesma coisa – a Ilíada, as sagas islandesas, as lendas dos sírios da Antigüidade ou as inscrições dos maias, por exemplo. Mas ninguém sai por ai vendendo a Ilíada como base da moralidade. Ai é que está o problema. A Bíblia é vendida, e comprada, como um guia para orientar a vida das pessoas. E é, de longe, o maior best-seller de todos os tempos. – John Hartung

A religião é considerada verdade pelas pessoas comuns, mentira pelos sábios e útil pelos governantes. – Sêneca

Os fundamentalistas sabem que estão certos porque leram a verdade num livro sagrado e sabem, desde o começo, que nada os afastará de sua crença. A verdade do livro sagrado é um axioma, não o produto final de um processo de raciocínio. O livro é a verdade e, se as provas parecem contradizê-lo, são as provas que devem ser rejeitadas, não o livro… As pessoas acreditam nos livros sobre evolução não porque eles sejam sagrados. Acreditam porque eles apresentam quantidades imensas de evidências mutuamente sustentadas. Quando um livro de ciência está errado, alguém acaba descobrindo o erro, e ele é corrigido nos livros subsequentes. Isso evidentemente não acontece com os livros sagrados. – Richard Dawkins