Arquivo mensal: dezembro 2014

Balanço de 2014: um ótimo ano. Mas foi pior do que 2015!

Balanco 4Balanco 3Assistir à Copa no Brasil da Alemanha!

Fazer um passeio dirigindo um Trabant!

Balanco 5Conhecer Amsterdã, incluindo a casa da Anne Frank e o museu Van Gogh!

Ler 24 livros!

Experimentar mais de 100 novas cervejas diferentes (50 catalogadas, o restante é estimativa)!

Conhecer 40 bares novos!

Assistir ao Paul McCartney novamente. Desta vez no Brasil!

Fazer uma nova tattoo!

Voltar a San Diego depois de quase 20 anos!

Dirigir um Mustang!

Balanco 6Voltar a LA e ir novamente ao Brittania!

Visitar os amigos Tony e Rebeca no Arizona e encontrar com eles algumas semanas depois em Berlin!

Ajudar (ou atrapalhar) na organização de outra Raul Rock Fest!

Fazer uma nova especializacão (a terceira!).

Fazer 99 pontos (de 120 possíveis) no TOEFL!

Fazer muitos novos amigos e reforçar as amizades com os antigos!

Deixar a barba crescer!

Desfilar no carnaval pela Tom Maior!

Fazer um bate e volta para Floripa para ir ao casamento do brother Rogério!

Assistir a Black Rio no Grazie a Dio novamente depois de anos!

Balanco 7Descobrir o centro Cultural Rio Verde e a Cervejaria Nacional!

Muitos shows ao ar livre no Ibirapuera e no Parque da Juventude!

Assistir ao Gilberto Gil ao vivo!

Ver Ira!, Bixiga 70 e Teresa Cristina na Virada Cultural (e de quebra tomar umas cervejas diferentes)

Curtir a Virada Cultura pelo sétimo ano seguido!

Visitar meus amigos Neto e Camila em Curitiba e aproveitar para conhecer uma nova cidade do Brasil!

Ganhar um prêmio por um projeto no trabalho!

É, acho que 2014 valeu a pena! Mas não será melhor que 2015!!!!!!

Be happy 🙂

Balanco 8

Botecando #44 – Bar do Léo – São Paulo – SP

Bar do Leo 1Apesar de ser um dos bares mais tradicionais de São Paulo, esta é apenas a segunda vez que vou ao Bar do Léo, sendo que a primeira vez foi há mais de dez anos atrás. Na verdade eu nunca entendi o sucesso deste bar hoje em dia.

Ok! O chopp é bem gelado e é só. Quando o bar enche e eles precisam tirar bastante chopp você só vai receber dois dedos de chopp e o resto será espuma. Pode ter gente que goste, eu gosto da cerveja em sí e o famoso “colarinho” para mim tem função prática, que é manter a temperatura e o gás da cerveja.

Bar do Leo 2O atendimento, apesar de ter melhorado muito em comparação com a primeira vez que fui ao local, ainda deixa a desejar. Desta vez acabei não comendo nada, mas lembro que tinham bons petiscos. A decoração também é bem interessante, com azulejos personalizados e bastante “memoriabilia” ligada à cultura cervejeira distribuida pelas paredes.

Talvez a atratividade do local sejam os fatos de ter sido um dos primeiros lugares a servir chopp em São Paulo e o de estar em uma região que até pouco tempo atrás era “barra pesada”. Não é um bar que eu frequentaria constantemente pelos fatos já citados, mas para quem não se importa de ficar de pé na calçada para beber e comer (as mesas internas são disputadíssimas e normalmente existe espera por elas, especialmente aos sábados) e tem interesse em conhecer um dos “pontos históricos” da história da boêmia paulistana, vale uma passada.

Onde: Bar do Léo (Rua Aurora, 100 – São Paulo – SP)
Quando: 26/12/2014
Bom: decoração
Ruim: atendimento
Site: http://www.barleo.com.br/

Botecando #43 – Porto Madalena – São Paulo – SP

Porto Madalena 1Eu frequento o Porto Madalena desde à época em que ele se chamava Pero Vaz, e isto já vai para uns 10 anos. É um bar bem aconchegante, situado bem no coração da Vila Madalena, na esquina da Fradique com a Aspicuelta.

Porto Madalena 2A decoração remete à um navio, com um mastro e algumas redes. O espaço não é tão grande, mas eles ajeitam as mesas de forma com que não fiquem umas sobre as outras.

No quesito cervejas é um bar comum, oferecendo as cervejas populares brasileiras. Já ouvi falar bem das caipirinhas mas apesar de ter ido várias vezes nunca provei. Porém, uma coisa que realmente é boa na casa são so “comes”: tudo muito bem feito, da melhor qualidade. Sugiro provar o filé aperitivo ao molho madeira e a porção de torresmo.

Uma das outras coisas muito boas da casa é a qualidade musical. A dupla que toca praticamente todas as noites (infelizmente não sei o nome deles) é muito boa, fazendo um repertório regado à MPB e Rock Nacional, passando pelo Samba, e incluindo muitos lados B’s. O Serginho Vinci, que já citei aqui outras vezes também toca aos sábados e domingos à tarde.

O atendimento também é sempre bom. Tenho achado até estranho que ultimamente o bar tem sido um dos últimos a encher na Vila. Talvez por conta da mudança de público do bairro, de uma galera mais “relaxada” para o público “ostentação”, o bar tenha ficado um pouco de lado nos últimos anos. Mas sempre vale a pena visitar.

Onde: Porto Madalena (Rua Fradique Coutinho, 1100 – São Paulo – SP)
Quando: 23/12/2014
Bom: ambiente e som ao vivo.
Ruim: nada
Site: http://barportomadalena.com.br/

Porto Madalena 3

Botecando #42 – Quintal do Espeto – Tatuapé – São Paulo – SP

Quintal do Espeto 1Nesta onda de confraternizações de fim de ano, fui tomar umas com meu amigo Mário e a sua familia, que me levaram à este misto de casa de shows, bar e espetinho. Já tinha ido uma vez há alguns anos na Casa do Espeto de Moema, que foi a primeira unidade da agora rede. Mas esta unidade no Tatuapé me impressionou bastante.

Primeiramente pelo tamanho: o lugar é bem grande e deve caber umas duas mil pessoas acomodadas nas mesas, contando com a parte interna, a varanda e a parte externa. Aliás, a varanda e a parte externa são dois dos atrativos na casa e num dia de sol com muito movimento deve ser muito disputado.

Quintal do Espeto 3

Se o cigarro não te matar talvez uma jaca na cabeça consiga!

Esta área externa é repleta de mesas debaixo de árvores frutíferas, o que cria um ambiente bem legal. Por falar em árvore frutífera, o pé de jaca bem no fumódromo deve ser uma campanha de combate ao fumo, já que você fica preocupado com algumas daquelas frutas despencando na sua cabeça….hahaha

O local também conta com um playground com monitores para os pais que querem ficar mais à vontade, podendo levar seus filhos e deixá-los brincando neste playground (ou mesmo correndo por entre as mesas e arvores da parte externa, sem preocupações).

A casa também conta com um grande palco e pelo que soube, além de músicos de rock e mpb que fazem o “som ambiente”, eventualmente existe algum show de artistas mais famosos. Na inauguração da casa, por exemplo, houve um show do Jorge Aragão.

A cerveja sempre veio bem gelada. Quanto à comida, a casa trabalha no sistema de espetinho e é basicamente o que existe: espetinho salgado, espetinho com petiscos (bolinhos de queijo, bacalhau, etc), espetinhos doces. Além disto dá para comprar cumbuquinhas com guarnições (achei um pouco caras estas cumbucas).

O atendimento também fica na média, mas podiam ao menos dar uma saideira. De qualquer forma é um lugar bem legal para reunir uma galera maior (aniversário, confraternização, etc), inclusive por facilitar para casais com filhos.

Onde: Quintal do Espeto – Tatuapé (Rua Serra de Botucatu, 1933 – São Paulo – SP)
Quando: 21/12/2014
Bom: ambiente e som ao vivo.
Ruim: não dão saideira…hehehe
Site: http://www.quintaldoespeto.com.br/quintal.php?unidade=tatuape

Quintal do Espeto 2

Botecando #41 – Armazem Piola – São Paulo – SP

Armazem Piola Tem alguns lugares em que parece que está faltando algo. O ambiente é bonito e bem montado, a cerveja está sempre gelada, os petiscos são bons, o atendimento fica na média, assim como o preço, mas mesmo assim o bar ou restaurante “não pega”.

Este parece ser o caso do Armazém Piola, na Rua Aspicuelta, bem no miolo da Vila Madalena. Pensando em termos objetivos (tudo isto que eu citei acima): o bar é bom. Melhor do que alguns da vizinhança. Mas é só notar como ele geralmente está vazio enquanto o Salve Jorge, que fica em frente, por exemplo, está com as suas mesas cheias.

Eu particularmente só fui ao Piola em pouquíssimas vezes quando não queria ficar andando atrás de algum outro bar ou então esperando mesa no próprio Salve Jorge. E como o bar é geralmente um dos últimos a encher na Vila creio que a maioria das pessoas também o tem como “plano B” para qualquer outro bar.

Ao menos nesta última visita tive a grata surpresa de assistir o Sergio Vinci, de quem sou fã desde as épocas de Banda Sons e Palavras tocando no Caneca Furada, na Freguesia do Ó, o que já vale a ida à casa (ele está tocando às sextas).

Onde: Armazém Piola (Rua Aspicuelta, 547 – São Paulo – SP)
Quando: 19/12/2014
Bom: som ao vivo.
Ruim: falta “personalidade”.
Site: http://www.armazempiola.com.br/

Armazem Piola 2

Bussunda: a vida do casseta – Guilherme Fiuza (24/2014)

BussundaTalvez por não ter tido aparelho de TV em casa até cerca de 12 anos e, após disto, por preferir outras formas de entretenimento, eu nunca tive muita dimensão da importância para a TV brasileira e nunca achei muita graça tanto na TV Pirata quanto no Casseta & Planeta (e mais recentemente com o Pânico na TV). Como estes programas usam a própria programação da TV como base para seu humor, quem não acompanha regularmente a programação televisiva fica perdido.

Apesar de não ser um leitor de biografias (esta é apenas a terceira que eu leio), resolvi comprar este livro ao vê-lo em uma banca.

Biografias, especialmente as autorizadas, não são meu tipo de leitura preferido, pois o autor, até para poder publicar, ter acesso às fontes, aos amigos do biografado, etc tende a dar um foco maior nas virtudes (isto quando não aumenta, elevando o biografado quase ao posto de santo ou herói, como na biografia do Lobão), enquanto releva a segundo plano, ou miniminiza suas as falhas.

No caso em específico da biografia de Claudio Besseman Vianna, mais conhecido como Bussunda, o autor não precisou relevar ou minimizar as falhas, já que eram elas que compunham este “personagem da vida real”: a falta de compromisso, a vadiagem, a falta de responsabilidade.

É claro que alguns dos feitos, bem como o caráter dele, deve ter tido uma maquiagem, mas pelo pouco que vi de suas colunas ou entrevistas, não parece que neste caso o autor precisou “inventar” muita coisa para o biografado ficar “bem na foto”.

O livro conta a história de Bussunda desde o nascimento, passando pela adolescência “complicada” (“gastava” os dias na praia, jogando sinuca, fazendo literalmente nada), a juventude na universidade, onde viria a conhecer alguns dos membros do futuro grupo e a contratação dos dois grupos (Casseta Popular e Planeta Diário, que viriam a se unir e virar o Casseta & Planeta) como redatores da TV Pirata. Tudo isto bem na virada entre o fim da ditadura militar e o início da democracia.

À partir deste ponto, a história de Bussunda, do próprio grupo (ou grupos) e do humor na TV brasileira meio que se fundem e, além da história do próprio “personagem”, o livro também vale a pena para entender um pouco do que acontecia nos bastidores da TV, que à esta altura estava perdida, já que havia ficado anos sob regime de censura.

Para quem gosta de biografias ou quer apenas uma leitura leve, sem nada muito denso, é um bom livro.

Lembrancinha do Adeus: História(s) de um Bandido – Julio Ludemir (23/2014)

Lembrancinha do AdeusSegundo o autor, o livro era para ser um romance-reportagem, mas ao checar as informações colhidas junto ao bandido Lambreta, usado como fonte para a parte da reportagem, ele descobriu que muita informação não batia e na verdade o bandido se colocava como um personagem principal de muitos eventos importantes no desenvolvimento do crime organizado no Rio de Janeiro desde o final da década de 70.

Ele descobriu ai que a fama de um bandido é sempre acompanhada de muitas lendas e resolveu desenvolver um romance baseado neste mote: o bandido que aumenta enormemente os seus feitos para impressionar os outros. Neste caso, um outro, Lembrancinha, o adolescente do morro do Adeus aspirante a bandido.

O livro é praticamente um diálogo entre os dois (Lambreta e Lembrancinha), onde o velho Lambreta, recentemente liberado da prisão após cumprir 30 anos, conta para Lembrancinha, como se fosse “contos de fada” a história do crime organizado no Rio, tendo sempre ele mesmo, claro, como personagem principal. O relato ocorre durante vários dias, enquanto ambos estão em um esconderijo devido à uma guerra no morro.

Apenas mais um personagem interage, rapidamente com os dois: o Pastor Uóston, conhecido em sua vida de bandido como Presença, e recém convertido à alguma das várias seitas evangélicas que infestam os bairros pobres e periféricos da maioria das cidades brasileiras.

A estória faz um apanhado geral do desenvolvimento do crime organizado atual do Rio de Janeiro, desde o já conhecido envolvimento de bandidos comuns com crimes políticos na Colônia Penal de Ilha Grande, apontado por vários especialistas como fator determinante para a conversão de bandidos comuns em bandidos organizados que houve no Rio.

Para quem não é do Rio ou não tem familiaridade com eventos e personagens dos últimos 30 anos (guerras entre quadrilhas, chacinas, bicheiros, traficantes, etc) e não tem familiaridade com a geografia do Rio, às vezes fica um pouco complicado “ligar os pontos”, apesar do autor fazer com que Lambreta, ao contar suas histórias, tente “situar” um pouco as pessoas, fatos e locais.

Para quem não conhece gíria (ou não conhece as do Rio, como eu), o início também é um pouco complicado, pois, como disse, não existe um narrador e o livro é basicamente um diálogo entre dois bandidos, que como deve ser, usam gírias (Lambreta usa inclusive gírias mais antigas, mas tem o cuidado de explicar à Lembrancinha).

Mas é um livro bem interessante, especialmente para quem tem interesse em antropologia, segurança pública, etc. Eu fiquei achando que o livro seria ótimo como base para um filme deste “cinema marginal” (Carandiru, Cidade de Deus, Salve Geral, Tropa de Elite, etc) que surgiu nos últimos anos no Brasil.

Botecando #40 – Ceres Cervejas Especiais – São Paulo – SP

CeresQuem passa em frente à Ceres – Cervejas Especiais muito provavelmente não vai imaginar o tesouro que ali se esconde. O imóvel é simplesmente uma casa que na parte frontal exibe uma vitrine com algumas garrafas, manequins, camiseta, etc. Se eu tivesse passado lá sem o objetivo de ter ido tomar umas brejas provavelmente acharia que se trata de um estúdio de tatuagem.

Mas ao entrar, na sala desta casa a gente já tem a primeira boa impressão: uma geladeira e várias prateleiras com vários rótulos de cerveja (muitos nacionais). Em uma outra sala existe também uma mesa de snooker para aqueles que quiserem brincar um pouco e no “quintal dos fundos” algumas mesas.

O sistema é parecido com o do Empório Alto dos Pinheiros: você vai até uma das prateleiras e escolhe a cerveja que quer, se dirige até o caixa com sua comanda e aguarda na mesa que eles levam para você.

Ceres 2Como a casa não é muito grande (é um imóvel residencial adaptado), não dispõe de serviço de cozinha, porém aos finais de semana (e às vezes em alguns outros dias) eles fazem algumas parcerias com food trucks que servem os clientes. Eles publicam a programação da semana em sua página do Facebook. Se você for em algum dia que não tenha foodtruck lá basta ligar para algum delivery entregar uma pizza ou esfihas, sem problemas.

Os preços também são dentro do padrão Empório e você encontra algumas boas opções por valores bem acessíveis.

Acho que repito isto toda vez que falo de um bar que vende cervejas especiais, mas vamos lá novamente: como um “dinossauro” no campo das cervejas especiais no Brasil (afinal de contas, eu frequento o Frangó há 20 anos!) eu fico muito feliz por ver cada vez mais este mercado crescendo, seja através de locais como o Ceres, seja através da cada vez maior quantidade de opções de rótulos de cervejarias brasileiras.

Onde: Ceres Cervejas Especiais (Rua Voluntários da Pátria, 3244 – São Paulo – SP)
Quando: 03/12/2014
Bom: variedade de rótulos, atendimento e preço.
Ruim: o espaço é pequeno.
Site: https://www.facebook.com/cerescervejas?fref=ts

Ceres 3

Botecando #39 – Traço de União – São Paulo – SP

Traço de União

Arlindo Cruz e Sombrinha: ótimo presente de aniversário que ganhei em 2011!

Há 11 anos instalada em São Paulo, a Casa de Brasilidades Traço de União tem como proposta trazer à cidade as rodas de samba, mais notadamente com grupos que concentram seu repertório nos sambistas das décadas de 70 e 80.

Não por coincidência, a maioria dos autores e intérpretes do repertório das atrações da casa são/eram frequentadores das rodas de samba do Cacique de Ramos: Zeca Pagodinho, Arlindo Cruz, Sombrinha, Almir Guineto, Jorge Aragão, Luiz Carlos da Vila (finado padrinho da casa) e, claro, o Fundo de Quintal. Beth Carvalho, madrinha de boa parte deste pessoal é a também madrinha da casa.

Traco de Uniao 2A casa é um galpão no Bairro de Pinheiros, ou do que agora se convencionou chamar de “baixo Pinheiros”, ou seja, a parte próxima à Faria Lima, do lado oposto à Vila Madalena. Por ser um galpão e ter como foco a qualidade da música, o Traço não tem muita frescura na decoração: palco, mesas de madeira, duas “arquibancadas” e bandeiras e camisas de várias escolas de samba e blocos pendurados no teto e nas paredes.

Aos sábados à tarde, quando é servida a feijoada, a lotação é total, o que causa enormes filas na porta (de sábado é interessante chegar antes das 15:00) e antigamente, durante o verão, tornava o ambiente interno um forno. Agora instalaram um sistema de ar condicionado afim de resolver o problema. Um outro problema que fica evidente em dias mais cheios é a disposição dos banheiros: o masculino fica logo na entrada e o feminino fica nos fundos, então se estiver em uma galera “mista”, alguém vai se ferrar para atravessar o salão lotado na hora que quiser ir no banheiro. Numa eventual reforma eles poderiam resolver isto construindo banheiros femininos na frente e masculinos nos fundos.

O público é bem variado: aos sábados dá muita patricinha e mauricinho, que se juntam ao pessoal dos 8 aos 80 que gosta de samba de raiz e que frequentam a casa durante os outros dias. Eventualmente algum convidado de “peso” se apresenta na casa às sextas ou sábados. Já vi ali Sombrinha (contando com participação do Arlindo, em uma vez que eu comemorei meu aniversário lá), Almir Guineto e Neguinho da Beija-Flor. Suportados pela ótima banda da casa, estes artistas (outros não tão famosos) fazem a festa de quem curte um bom samba.

Onde: Traço de União (Rua Cláudio Soares, 73 – São Paulo – SP)
Quando: 02/12/2014
Bom: som e atendimento.
Ruim: eventualmente fica muito lotado e a disposição dos banheiros é ruim.
Site: http://tracodeuniao.com.br/

Samba do Trabalhador com Moacyr Luz

Samba do Trabalhador com Moacyr Luz

Não Entre em Pânico: Douglas Adams & O Guia Do Mochileiro das Galáxias – Neil Gaiman (22/2014)

Nao Entre Em PanicoO Douglas Adams era um cara tão estranho que ele “encomendou” uma biografia póstuma. Não que ele fosse um cara arrogante, mas acho que ele nunca entendeu o tamanho sucesso que ele fez e por isto havia solicitado algumas vezes que alguém escrevesse sobre o guia.

Depois de algumas recusas por parte de outros autores, Neil Gaiman (Sandman e Good Omens), topou o desafio. Aliás, mais do que topou: encarou como um dádiva recebida dos deuses. Como não era um projeto com prazo definido, Neil foi recolhendo material e fazendo entrevistas num ritmo lento, porém neste meio tempo Douglas veio a falecer, então Neil resolveu fazer um livro não somente sobre o Guia, mas sobre Douglas e suas outras obras.

O livro começa contando a história da vida de Douglas, desde quando ele nasceu, a época no internato, a ida à faculdade e sua decisão de se tornar um escritor e foca muito nos problemas de Douglas, especialmente com prazos. Em várias entrevistas concedidas (para este livro e outros veículos) Douglas afirma que “odiava escrever”.

Depois de “dissecar” a vida de Douglas, o livro entra na parte para o qual foi planejado e mergulha no universo do Guia, desde a concepção e produção da série de rádio original até a adaptação para outras mídias, como TV e computador. Existem bastante detalhes de bastidores, declaração dos atores e muitos trechos de roteiros, tanto da série de rádio quanto da TV. Esta parte é até um pouco chata, pois como Neil conta a história por trás de cada uma das produções do Guia (incluindo as montagens teatrais), acaba se tornando meio repetitiva.

No que podemos chamar de terceira parte do livro, Neil mostra em ordem cronológica os outros projetos de Douglas: livros da série Dirk Gently, projeto Last Chance to See, sua participação em projetos de conservação, como a Save the Rhino Foundation, outras participações em TV, o filme que ele não veria produzido, a empresa pontocom e vários outras atividades que se podem chamar de “o legado de Adams”.

Este livro junto com O Salmão da Dúvida conseguem cobrir toda a vida e obra deste escritor que foi um gênio.