Arquivo mensal: setembro 2014

Wanderlust #13 – Londres – Inglaterra

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Agora que eu já falei sobre todas as minhas viagens mais atuais, vou começar a falar um pouco das minhas viagens passadas. Terei que recorrer às fotos para tentar relembrar já que a memória não é mais a mesma. É um bom exercício para me lembrar de outros lugares que eu visitei e rememorar boas aventuras. Neste primeiro texto, falarei sobre Londres, o primeiro destino Europeu que eu visitei.

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Parlamento Britânico e Big Ben

Muita gente acha Londres uma das cidades mais incríveis do mundo. Eu imaginei que seria mesmo, até visitá-la, tanto que foi meu primeiro destino na Europa. Acho que um misto de alta expectativa que não se realizou e o nervosismo de estar pela primeira vez na Europa e fazendo meu primeiro mochilão fizeram com que eu não curtisse muito a cidade. Além disto, acho que escolhi uma época não muito boa para ir a Londres: faltava menos de um ano para a Olimpíadas de 2012 e a cidade inteira parecia um canteiro de obras.

Como sempre faço nas cidades em que vou, gosto de curtir o dia e andar, afim de explorar melhor o local. No dia da chegada, como desembarquei quase as quatro da tarde e até passar pela imigração, pegar a mala e encarar o metrô londrino em horário de pico para chegar no Hostel não deu para fazer muita coisa. Foi tomar um banho e dar uma volta no local, que ficava próximo ao Hyde Park, para encontrar algo para comer e algumas cask ales para tomar. Até porque pretendia acordar cedo no outro dia para aproveitar meus 2 dias na cidade (sim, também planejei mal, devia ter ficado ao menos uns 4).

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O pub mais antigo do mundo ainda em funcionamento: mais de mil anos!

A única coisa que eu havia planejado realmente era  passar em frente ao Palácio de Buckingham, conhecer o Hyde Park e ir na London Eye. O resto eu fui “improvisando” com base em informações obtidas no hostel. Então, no sábado de manhã tomei um ônibus em direção à Abadia de Westminster, que fica ao lado do Big Ben e basta atravessar uma ponte para acessar a London Eye. Uma curiosidade e uma dica: ao contrário do que muita gente pensa, o Metrô não é o meio de transporte primário de Londres, mas sim o ônibus. Primeiro porque existem inúmeras linhas, inclusives noturnas, e em segundo porque as intersecções entre as diversas linhas do metrô as vezes fazem com que você perca muito mais tempo para viajar entre pontos de linhas diferentes do que demoraria de ônibus ou mesmo à pé. E além do mais, eu tinha apenas dois dias e não queria desperdiçar alguns preciosos minutos embaixo da terra, então preferia o ônibus para apreciar a cidade.

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Big Ben

Desci quase no Big Ben, que estava todo cercado por tapumes devido à uma reforma. O que mais me impressionou foi a quantidade de turistas naquela região. É uma coisa impressionante. Nem em Nova York eu acho que tinha tanta gente. Após algumas fotos me dirigi até a London Eye. É uma atração bem legal e acho que vale a pena perder uma horinha (30 minutos de fila e 30 minutos o passeio). Depois desta atração fui andar pela cidade: St James Park, Palácio de Buckingham, Marble’s Arch, Hyde Park.

Depois de uma pausa para o almoço (lá pelas 3 da tarde), resolvi ir para Portobelo, pois sabia que aos sábados rolava um mercado de pulgas ali. Pra chegar lá do Hyde Park, passei por Nothing Hill e achei o meu Pub (The Duke of Wellington), onde eu tive que parar na volta para tomar alguns pints.

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The Duke of Wellington pub – Nothing Hill

Durante este percurso, eu notei que as calçadas em frente aos pubs estavam tomadas de gente sentada na guia e bebendo e pensei comigo “caramba, os pubs devem estar lotados”. Quando entrei no Duke of Wellington percebi que lá dentro estava vazio. Ai caiu a ficha que, por terem pouco tempo de clima bom e que propicie aproveitar atividades ao ar livre, os ingleses (e mais tarde descobri que também os outros europeus) aproveitam ao máximo o clima bom quando possível.

Depois de tomar algumas no “meu” pub, jantei e fui tomar em outro pub. No domingo, com uma ressaca braba, acordei e fui até a London Eye novamente, para andar na beira do Tâmisa, meio que sem destino.  Perto do Queen Elizabeth Hall havia uma feira de livros bem interessante. Continuando na beira do rio, fui passando pelas pontes, passei pelo Tate e, em um ponto de “bus” (eles chama as barcas que percorrem o Tâmisa de bus) resolvi pegar um barco para Greenwhich (eu tinha pensado neste passeio durante o planejamento da viagem mas não tinha decidido).

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Meridiano de Greenwhich: um pé de cada lado do mundo!

Este foi talvez o melhor passeio que eu fiz na cidade (se bem que Greenwhich é outra cidade já). Não pelo destino em sí, já que Greenwhich não tem muita coisa para ver, o meridiano só vale pra tirar foto e o parque mesmo estava praticamente fechado, pois estava em reforma para as olimpíadas (seria o local das provas de equitação). Mas eu peguei um barco em que havia um guia que foi contando a história dos prédios e da cidade em sí e o passeio de uma hora foi praticamente um city (ou river) tour.

Na volta, pausa para um belo Steak e depois fui até a Trafalgar Square. É engraçado como alguns pontos das cidades se tornam pontos turísticos sem ter nenhuma atração propriamente dita. Em Berlin existe a Alexanderplatz, que não passa de uma Praça da Sé. Em Nova York tem a Times Square, que também não passa de uma Avenida Paulista. O equivalente à estes locais em Londres é a Trafalgar Square. É simplesmente uma (bela) praça. Mas não tem nada que possa ser considerado como atração turística.

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Trafalgar square

Já era tarde e resolvi voltar para o hostel e dar uma descansada para poder tomar algumas à noite, já que no outro dia cedo iria tomar o trem com destino à Liverpool (escreverei sobre este destino em breve).

Acho que pelo pouco tempo, o “choque cultural” que sempre bate em um lugar novo e a inexperiência em mochilão, não aproveitei tudo o que a cidade oferece e acho que talvez este seja um destino que eu deva fazer novamente para tentar formar uma melhor opnião.

Observações, dicas e considerações:

  • Depois de passar em frente, fiquei com vontade de visitar o Corvette Belfast, um navio de guerra transformado em museu (acabei fazendo um passeio parecido este ano em San Diego) e a London Bridge
  • O pessoal que trabalha com o público (motoristas de ônibus, barmans, até o staff do hostel) em Londres é mal educado e mau humorado pra caramba!
  • As mulheres londrinas são meio estranhas no dia a dia (eu cheguei num dia normal, no horário de pico, e pude reparar). Elas têm os pés e mãos meio grandes (em relação ao corpo), são meio desajeitadas e se vestem mal pra caramba. A maioria me lembrava a Olívia Palito, namorada do Popeye.
  • No metrô sempre guarde o ticket que você usou para entrar, pois vc deve inseri-lo também para liberar a roleta na hora de sair.
  • Tente sempre andar com dinheiro trocado para pagar o ônibus. Você não tem a obrigação de pagar com trocado lá (como em boa parte dos EUA), mas os motoristas de ônibus vão te demonstrar todo o mau humor se tiverem que te devolver troco.
  • Acabei por não passar na Abbey Road, porque achei que ela ficava em Liverpool (cidade que visitei na sequência e que será tema do próximo Wanderlust). Que burro! Dá zero pra ele!!!!

 

Cervejas, Brejas e Birras – Mauricio Beltramelli (17/2014)

Cervejas Brejas e BirrasApesar de já ter contato com as cervejas ditas especiais há mais de 20 anos, pelo fato de morar na Freguesia do Ó, lar do pioneiro bar de cervejas especiais Frangó, só fui realmente me interessar pela cultura cervejeira em 2008, quando estava à trabalho nos EUA e, ao ir a um mercado fazer compras me deparei com a imensa quantidade de cervejas disponíveis num simples mercado de bairro (chutando baixo devia ter pelo menos 100 rótulos diferentes).

À partir dai, e com tempo de sobra para “experimentos puramente científicos”, comecei a procurar mais informações sobre a história, os estilos e os processos de fabricação da cerveja, pois queria me munir de informações para poder escolher entre toda aquela enorme variedade. Foi o pontapé inicial para eu virar um apaixonado pela cultura cervejeira e acho que acabei inclusive indo aprender alemão por conta disto. Eu chuto que eu já tenha experimentado mais de 350 rótulos diferentes (incluindo as populares brasileiras), de mais de 70 países (alguns inusitados, como Namíbia, Cuba, El Salvador e Líbano), dos cinco continentes, muitas “in loco”. Infelizmente comecei a registrar quais eu havia tomado há pouco tempo (desde 2010) para ter o número exato.

Mas voltando à vaca fria, este livro do Mauricio Beltramelli, um dos mentores e criadores do ótimo www.brejas.com.br, que é basicamente o site sobre cervejas mais frequentado pelos apaixados no Brasil, e resume em pouco mais de 300 páginas informações que eu demorei anos para colher na internet.

Usando uma linguagem simples, de boteco mesmo (como não poderia deixar de ser), ele passa pelo essencial que qualquer pessoa que esteja se interessando pelo tema deva conhecer: história da cerveja, principais ingredientes, processos de fabricação, principais escolas cervejeiras e viagens relacionadas à cerveja, tanto no Brasil, quanto no exterior.

É o verdadeiro “Beer for dummies” em português. Mesmo eu tendo conhecimento de boa parte do conteúdo, ainda fui apresentado a bastante informação nova, alguns detalhes que eu desconhecia e também alguns mitos nos quais eu acreditava foram desmistificado (como o do chopp ser a cerveja não pasteurizada).

A parte sobre a história da cerveja no Brasil, país sem tradição em preservar o passado, por exemplo, foi bastante enriquecedora, pois é um pouco complicado encontrar informações na internet e o Maurício, com sua curiosidade e seus contatos conseguiu resumir o pouco de informação que ele conseguiu para tentar traçar um pouco a história da indústria cervejeira brasileira.

Uma outra parte que eu achei muito interessante também é a que ele descreve os dois tipos de “beer evangelizadores”: o intervencionista, que é aquele que quer impor sua vontade sobre os demais e acaba virando um chato (ou bierchato, numa alusão aos enochatos) e os libertários, que é aquele sujeito que aprecia cervejas especiais, mas também não se recusa a tomar uma skol “trincando” na beira da praia com um sol de 40 graus na cachola e que, no momento apropriado irá apresentar aos amigos as maravilhas das cervejas não comerciais.

Achei interessante também a lista com 150 cervejas elencadas por ele ao final do livro, que seria um bom ponto de partida para o iniciante ir abrindo sua mente e acostumando seu paladar.

Durante a leitura foi impossível não sentir vontade de abrir uma cerveja, nem que fosse aquela “de milho e arroz” do boteco da esquina! 🙂

P.S. Apesar de não querer me tornar um beerchato, a Itaipava simplesmente é horrível. É literalmente a única cerveja que eu evito de tomar, mesmo que não tenha outra opção. Prefiro ficar sem beber mesmo….hahaha

 

O racismo e o efeito pigmaleão

RacismoEu estava me esquivando de escrever sobre o tema, porque toda vez que surge algum tema polêmico como este, que em pleno século 21 não deveria nem existir, você acaba descobrindo o quão estúpidas são algumas pessoas, muitas das quais são seus amigos, e uma vez alguém já disse que “a ignorância (no sentido de desconhecimento) é uma benção!”. Mas também notei que muitas pessoas minimizaram ou relativizaram a agressão sofrida pelo goleiro Aranha, do Santos Futebol Clube, pela torcida do Grêmio por total desconhecimento do problema e seus efeitos.

Vou começar, primeiramente contando três histórias ligadas a minha família.

Quando eu nasci, meus pais moravam na Zona Sul de São Paulo e meu avô havia acabado de se mudar para a Zona Norte. Minha tia mais nova, que era solteira e morava com meus avós, veio para a Zona Norte, enquanto seu namorado morava perto da casa dos meus pais. Aos finais de semana o meu futuro tio ia até a Zona Norte para visitar a minha tia. Algumas vezes ele me trazia para que meus avós tivessem um tempo com seu primeiro (e então único) neto. Toda vez que ele me apresenta para alguém, ou me vê após algum tempo, ele conta entre gargalhadas que era parado no metrô e/ou na rua, por policiais ou seguranças do metrô, que pediam tanto os documentos dele quanto os meus (na época criança só tinha certidão de nascimento). Lá pelos 8 ou 10 anos eu fui “descobrir” que este meu tio é negro, já que para a criança, na sua pureza, é tudo gente, e o máximo de “classificação” que ela faz é “gente grande” e “gente pequena”. Lá pelos 14 anos eu parei de achar graça quando ele contava esta história, pois fui entender que ele só era parado porque era um “negão levando um alemãozinho”, para usar a mesma frase que ele usa quanto conta a história.

Racismo 2Meu tio se casou com a minha tia e viveram juntos até o falecimento dela, há alguns anos atrás. Porém meu avô só foi aprovar o casamento deles já no final de sua vida, quando foi começar a gostar do meu tio, pois era este meu tio que o levava ao médico quando ele precisava e que ajudava a minha tia a cuidar dele. Durante todo o tempo ele sempre se referiu ao meu tio com desprezo e usando termos pejorativos alusivos à cor da pele do meu tio. A primeira impressão que as pessoas terão ao ler este breve relato é “mas que fdp racista era seu avô”. Na verdade meu avô também era uma vítima do racismo, e para isto coloco uma foto dele ao lado. Sim, meu avô, que tinha preconceito contra meu tio, também era negro (e baiano!).

A terceira história ocorreu alguns anos após o falecimento do meu avô. Eu tenho duas sobrinhas, hoje com 10 e 6 anos, e toda vez que eu viajo eu trago alguma coisa para elas (um brinquedo, uma pelúcia). Em 2010 eu viajei à Colômbia e em um local que vendia artesanato local eu encontrei bonecas de pano feitas à mão. São bonecas negras, com cabelo rastafari e miçangas e usando roupas típicas de San Andrés (que fica no Caribe Colombiano, para onde havia viajado). Deixei a boneca com a minha mãe para que ela entregasse às minhas sobrinhas quando possível. Depois de cerca de um mês calhou de eu estar em casa e minha sobrinha maior (à época com 6 anos) também e ela me perguntou: “Por que você me deu esta boneca preta? Não sabe que eu não gosto de preto?”. Confesso que fiquei estupefato e nem consegui pensar em nada para responder (psicologia infantil não é o meu forte!). Até porque a ex-mulher do meu irmão, mãe da minha sobrinha, é negra! Consequentemente ela também é negra!

Um pequeno parêntese: se um negro se casa com uma branca e eles têm um filho, por que a criança é considerada negra e não branca? O mesmo acontece com orientais ou com índios: filhos de casais inter-raciais (detesto esta expressão mas não achei outra melhor) destas etnias com pessoas consideradas brancas serão sempre orientais ou índios, respectivamente. Se formos pensar em biologia, seria o “gene branco” recessivo à todos os outros? Portanto, estaria a “raça branca” fadada à extinção, pois outros genes mais “fortes” que se sobrepõe à este? Ou seja, as teorias das pessoas que acham que os arianos são uma raça superior não se sustentam nem com base nas teorias de Darwin (posso ter falado uma besteira enorme aqui do ponto de vista de biologia, genética, teoria da evolução, mas não é minha praia e no momento não vou procurar mais sobre o assunto).

O que aconteceu com meu avô, com meu tio e agora com minha sobrinha (três gerações de uma mesma família!) é o que é conhecido na psicologia como Efeito Pigmaleão: eles ouviram a vida inteira que negro não presta, é inferior, ouviram pessoas serem chamadas de macaco (ou foram eles próprios chamados), que negro não faz nada certo, não vêm negros em papéis importantes na sociedade (política, polícia, etc) e em programas de TV. Eles foram “convencidos” de que são realmente inferiores e então não se identificam como negros e chegam até a repudiar – caso do meu avô e da minha sobrinha. Ou então aceitam serem tratados de forma diferente, como meu tio, que achava normal ser abordado por estar com uma criança branca, fato este que nunca aconteceu com meu irmão quando ele passeia com a minha sobrinha (um alemão passeando com uma criança negra!), por exemplo. Veja este vídeo do Neil DeGrasse Tyson explicando de uma forma até engraçada como funciona o efeito pigmaleão.

Numa sociedade democrática a pessoa tem o direito de não gostar de alguém por qualquer o motivo, inclusive cor da pele, gênero, etnia, origem, orientação sexual. Do mesmo jeito que eu posso achar esta pessoa um imbecil. Eu tenho até o direito de chegar até esta pessoa e falar com todas as letras “você é um imbecil!”, assim como esta pessoa estará no pleno direito de mover um processo contra mim por injúria se ela se sentir ofendida. Porém eu só estaria ofendendo à ela. É muito diferente de uma pessoa estar no estádio gritando “Macaco!” a plenos pulmões ou mesmo fazendo sons que remetem ao animal.

À partir deste momento não existe uma ofensa somente à uma pessoa (o que já é descabível), mas à toda uma etnia (por isto chama-se “injuria racial”). E ao agirem desta forma colocam todos os negros em uma posição de inferioridade em relação aos brancos (ou outras etnias), transmitindo esta imagem à muitas outras pessoas, criando o tal efeito pigmaleão. Ou seja, os negros presentes no estádio ou que assitiram pela TV (principalmente as crianças, veja aqui este ótimo depoimento do rapper Emicida sobre o assunto), por força do meio, tendem a serem “convencidos” de que sim, eles são inferiores, tanto que haviam negros entre os próprios agressores, que por conseqüência também não deixam de ser vítimas desta lógica cruel.

Então antes de achar que estão exagerando, que a menina já se arrependeu e não merece tudo isto, que no “estádio isto é normal”, pense que o ato que ela cometeu, além de ofender um profissional no exercício do seu trabalho influência na vida de milhares de pessoas, por gerações e gerações.

Em tempo: eu acho simplesmente patético uma pessoa que usa a frase “eu até tenho amigos negros (ou gays, ou pobres, ou baixinhos, etc)”. É a própria confissão da imbecilidade. Eu nunca fiz um censo para saber quantos amigos negros, nordestinos, gays, pobres eu tenho. Nunca nem parei para contá-los. São meus amigos e isto me basta.

Alguns pitacos (que não consegui encaixar no texto):

  1. Se você não sente empatia ao ver a indignação do Aranha na imagem acima, então talvez você não esteja preparado para viver com nenhum outro ser vivo e deva ir viver isolado no meio do mato.
  2. Existe um filme com o Eddie Murphy que usa como base o filme “My Fair Lady”, citado no artigo da Wikipedia, sobre o Efeito Pigmaleão, e que se chama “Trocando as Bolas”.
  3. A “suposta” superioridade intelectual dos orientais também é causa do efeito pigmaleão. Durante toda a vida eles recebem estimulos dizendo que eles são os melhores, são capazes, são inteligentes. Imagine uma criança que recebeu estes estímulos quando se depara com um difícil problema de matemática. Ele vai pensar “eu consigo resolver, eu sou capaz” e vai se esforçar até resolver. Agora imagine uma outra criança que sempre foi chamada de burra, a reação dela frente ao mesmo problema será “eu sou burro, eu nunca vou conseguir”, e provavelmente vai desistir de tentar.
  4. Não sou advogado, mas só para contextualizar o que é injúria (do jeito que eu entendo, claro, e se algum amigo advogado quiser corrigir, fique à vontade): injúria é quando você diz algo que ofende alguém. Calúnia é quando você atribui um fato, característica, etc à uma pessoa, sendo que este fato não é verdadeiro. Difamação é você espalhar para outras pessoas algum fato que prejudique aquela pessoa, sendo fato verdadeiro ou não.
  5. Me recuso a dar mais ibope àquela idiota gremista, seja citando o nome dela, seja colocando foto no artigo para ilustrar. Ela devia estar na cadeia e não fazendo tour por programas de TV, até porque, ao menos para atriz ela não tem o menor cacoete: não convenceu ninguém o arrependimento e as tentativas forçadas de choro.

E para “sonorizar” o texto, um ótimo samba da Dona Ivone Lara:

Sobre o eleitorado brasileiro e porque a Dilma “merece” ganhar a eleição!

EleicoesEu sou um observador e curioso nato. Até por força de profissão, eu tenho uma tendência a coletar a maior quantidade de informação possível, “armazenar” e depois analisar, chegando a alguma conclusão. Um assunto, dentre os vários que me interessam, é política. Com o advento das redes sociais, a quantidade de informações a que eu tenho acesso hoje em dia é bem maior do que a que eu tinha há anos atrás e com isto posso formar algumas teorias (sou mestre nisto!).

Analisando como amostragem meus contatos nas redes sociais e observando o seu comportamento, eu tracei um “mapa” do eleitorado brasileiro.

Do total de eleitores (ou pessoas que se mostram minimamente interessadas em política), 30% são militantes ou apaixonados pelo PT. São aquelas pessoas que, se o Capeta sair como candidato pelo partido irão não somente votar nele, mas também irão defende-lo com unhas e dentes, inclusive dizendo que o que falam dele é boato inventado por Deus, um elitista branco tucano, que através da sua imprensa golpista e seu maior veículo, a Bíblia, perpetua mentiras e mais mentiras, afim de manter o status quo e evitar que o proletariado ascenda à classe de anjos e deuses.

Do mesmo modo, existem uns 30% que são anti PT. Não são necessariamente tucanos, até porque o PSDB é muito, mas muito parecido com o PT (nenhum dos dois lados quer admitir isto, pois seria “dar o braço a torcer”), mas apenas apoiam os tucanos por estes fazerem contraponto ao PT. Da mesma forma, se Deus sair candidato pelo PT, vão dizer que ele se vendeu, que está querendo implementar uma ditadura “divina” no país e vão mandá-lo morar em Cuba, ou na China (talvez o país mais capitalista da atualidade!), e votaria no Capiroto só pra não correrem o risco de ver alguém do PT, mesmo se este alguém fosse Deus, se elegendo.

Uma pequena pausa para um fato que tenho notado também nas redes sociais: os PTistas, que há alguns anos atrás eram desafiados pelos anti PTistas à irem morar em Cuba ou na China (aquela de 30 anos atrás) e se irritavam, são hoje os mesmo que mandam os segundos irem morar em Miami. A diferença é que os segundos, não fossem os problemas de visto de trabalho, não pensariam duas vezes para se mudarem para Miami, Europa, Canada, Austrália ou qualquer outro país de primeiro mundo. Mas os primeiros nunca tiveram vontade de ir à Cuba. Nem a passeio.

Mas voltando à vaca fria, temos 60% de pessoas que já têm opnião e voto formados, independente de programa de governo, de candidato, até de ideologia política (pois nenhum dos dois principais “players” têm uma ideologia definida que não seja conquista e manutenção de poder). Eu os considero como os eleitores que “votam com o coração”. Eles já têm uma escolha prévia e a partir daí tentam arrumar (ou inventar) argumentos que justifiquem a sua escolha e desqualifiquem escolhas contrárias, muitas vezes caindo em contradição. Restam 40%.

Destes, temos uns 5% que acham que políticos são todos iguais e que preferem pegar uma praia e justificarem seu voto. Não os condeno, até porque em 2010 eu fiz o mesmo, nos dois turnos, e não tive nenhum peso na consciência por não ter “exercido meu dever de cidadão”. Eu simplesmente havia me cansado de escolher o menos pior e preferi me abster.

Temos ainda 30% de pessoas que votam de acordo com a sua situação atual/recente. Se a pessoa conseguiu manter um certo conforto e qualidade de vida durante o mandato de determinado partido, ela tende a votar naquele partido novamente. Mas ele não é fiel. Se no próximo mandato algo não for bem (por exemplo, ele perder o emprego), ele tende a culpar os mesmos políticos que ele acabou de eleger e votar no adversário. Este eleitor tem uma visão restrita (ele enxerga somente o que acontece com ele mesmo, no máximo com sua família e amigos mais próximos) e de curto prazo (no máximo o período de um mandato, mas geralmente apenas os últimos seis meses), mas ao menos ele utiliza alguma razão lógica.

Os 5% restantes são aqueles que utilizam a razão, mas têm uma visão mais ampla e de longo prazo. Ele entende que ações tomadas hoje podem refletir daqui 10, 20 anos. Do mesmo jeito ele cobra dos governantes algumas ações que podem até lhe causar algum desconforto no curto prazo, mas que trará benefícios maiores no longo prazo. Entre estes temos esquerdistas e direitistas, liberais e conservadores, estatistas e privatistas. Porém eles não se limitam a votar somente no partido que reflete suas ideologias, mas a analisar o candidato e o momento, inclusive fazendo concessões ideológicas.

Particularmente eu navego entre os 5% desesperançosos e os 5% que utilizam a razão no longo prazo. Tudo depende do momento, dos candidatos e, porque não, do meu humor.

Já fui eleitor do PT, apesar de nunca ter sido um Marxista, mas havia caido no “canto da sereia” de se fazer política de uma forma diferente, e principalmente no discurso da ética, fatos abandonados tão logo o partido chegou à instância máxima de poder no país. Já votei no PSDB, no PV e, mesmo antes da tragédia com o Eduardo Campos, estava propenso a votar no PSB, por conta da Marina e do pessoal da Rede Solidariedade, apesar de não ter gostado da aliança em sí, fato este que já havia comentado neste artigo. Não votei no PTista Haddad (pela primeira vez na vida anulei meu voto), mas gosto da sua gestão na cidade de São Paulo e se ele estivesse saindo hoje como candidato a Governador, por exemplo, meu voto seria dele.

Apesar de estar propenso a votar na Marina (ou no Eduardo Jorge, ainda estou decidindo), eu torço para que a Dilma ganhe o pleito.

Ai o prezado leitor vai pensar “que cara louco! Ele vota em um candidato, mas quer que o adversário ganhe?”

Para explicar os motivos, é preciso fazer um pequeno recall dos mandatos dos últimos presidentes brasileiros. Já que, desde o Collor, todos eles contribuiram de alguma forma para a situação em que o país se encontra hoje, que se ainda está longe do que eu imagino ser um país ideal, também está distante do terrível período Sarney (é o que eu me lembro, antes disto eu era muito novo).

O Collor, apesar de todas as trapalhadas (confisco de poupança, planos econômicos desastrosos), fez uma coisa que pouca gente teria a coragem de fazer, da forma que foi feita: abriu o mercado brasileiro de uma vez. Ok! Isto gerou quebradeira de várias empresas nacionais, mas só quebraram aquelas que tinham se tornado acomodadas com a reserva de mercado, ou seja, quebrou quem tinha que quebrar. Se ele tivesse implementado uma abertura progressiva, como desejava o empresariado e as associações sindicais (um dos maiores males do Brasil, mas é papo para outro artigo), talvez até hoje estivéssemos andando em “carroças” e utilizando computadores Scopus, Micro Digital ou o MSX da Gradiente (google it!). Aliás, perto dos escandalos dos governos FHC, Lula e Dilma, o escandalo que disparou o movimento “Fora Collor” era fichinha. Coisa de moleque furtando chicletes no mercado.

Depois veio o Itamar, que deu carta branca para o Fernando Henrique Cardoso implementar o plano Real. O FHC conseguiu a tão sonhada estabilidade econômica (já vamos para 20 anos sem cortes de zeros e troca de moeda!), enxugou o Estado e se livrou das estatais. Algumas cresceram e viraram gigantes internacionais (Vale e Embraer), e algumas outras, se ainda não prestam com a qualidade devida os serviços que deveriam prestar pelo valor que se paga (caso das Teles e das Rodovias), ao menos prestam este serviço (enquanto estatais não o faziam) e a custos bem menores do tempo em que eram estatais (linha telefônica, dependendo da região, chegava a custar o valor de um imóvel!).

O Lula veio e, já com a estabilidade econômica consolidada, conseguiu expandir alguns programas sociais criados no governo FHC (Bolsa Escola, o embrião do bolsa família, FIES, etc), implementar outros e reduzir a grande diferença social existente no Brasil. Se hoje ela ainda é grande, basta lembrar que há 15 anos atrás era um verdadeiro abismo. Lula também agiu bem quando, diante da crise de 2008, tomou medidas para desenvolver e explorar o enorme potencial do mercado interno que tinhamos à época (o mercado ainda existe, mas hoje já não há mais espaço para expansão como havia).

Todos eles deram sua contribuição para que a nossa economia fosse, apesar dos pesares, uma das maiores do mundo, para que boa parte dos brasileiros tivessem acesso à bens e serviços que a geração do meu pai, por exemplo, não teve (faculdade, carro zero, imóvel próprio antes dos 40 anos, viagens, inclusive pro exterior, etc).

Porém, tanto o FHC quanto o Lula deixaram de tomar ações para garantir o crescimento sustentável do Brasil a longo prazo e para elevar a qualidade de vida dos Brasileiros a um padrão de primeiro mundo. Simplesmente deixaram de tomar porque “deitaram em berço esplêndido” das suas realizações e à partir dai preferiram jogar para a torcida para garantir a permanência de sua turma no poder. Só que o ser humano, à partir de um momento em que tem uma necessidade atendida, cria outra num patamar acima desta (grande Maslow, google it too!).

O FHC ainda pegou algumas “bombas” (medidas impopulares e crises) durante seu mandato, não que isto justifique a falta de investimentos em educação e infra estrutura, e a necessidade, cada vez mais proeminente, das reformas (política, tributária, trabalhista e previdenciária, por ordem de importância). Mas o Lula surfou durante boa parte do seu mandato em ondas havainas (o boom dos BRICs e o bom momento da economia mundial) e soube aproveitar o enorme potencial do mercado interno, quando estas ondas viraram “marolinhas”, mas mesmo assim também não mexeu nestes vespeiros. Dilma fez ainda pior: além de também não ter feito os investimentos e reformas necessários, manteve uma política econômica que deveria ser sido usada “com parcimônia” durante mais tempo do que necessário, também como forma de se sair bem no seu mandato e garantir um novo, mas esquecendo do impacto disto no longo prazo.

Só que crises econômicas vêm e vão em ciclos e o que difere o impacto delas nos países é justamente as atitudes tomadas  em tempos de vacas gordas (lembram da passagem bíblica do sonho de Faraó?) e o governo Dilma não “recolheu o quinto da colheita” para guardar para o tempo de vacas magras.

Com isto, independente de quem vencer estas eleições, o ano de 2015, mais tardar 2016, será um ano de estagnação, quando não crise mesmo.

Mas voltando à questão inicial, com base em tudo o que escrevi, tenho os seguintes motivos para, apesar de pretender votar na Marina ou no maluco beleza, torcer para que a Dilma ganhe:

  • O PT se fez em tempos de fartura e ele tem que sofrer também os anos de fome, já que ele não tomou as medidas necessárias para aplacar este “inverno” que se aproxima (lembrei agora da fábula da Cigarra e a Formiga).
  • O próximo presidente, devido a esta estagnação que se anuncia, seja quem for, irá se queimar para a disputa das eleições de 2018. Se for a Dilma, o Lula apenas a jogará aos leões e voltará para o pleito. Porém, se for o Aécio ou a Marina, este estará fora do páreo para o próximo pleito e, com um contendor a menos, o caminho estará aberto para a volta do “nosso senhor e salvador Luis Inácio” (lembrem-se que 30% do eleitorado, que é quem decide as eleições, o faz por conta de resultados recentes).
  • Como pode-se notar neste breve recall que eu fiz, grandes mudanças no Brasil só acontecem quando “a água bate na bunda” e, como eu acho que, com a Dilma este período de vacas magras tende a ser pior do que com algum outro (até pela expectativa, é a tal da “profecia autorealizável”), é melhor ser um período ruim “de verdade”, pois talvez desta forma alguns dos remédios amargos que temos que engolir sejam enfim utilizados.
  • Como disse, o Fernando Haddad vem fazendo um bom mandato à frente da cidade de São Paulo, inclusive arrumando briga dentro do próprio PT por não utilizar de populismo barato, por escolher para as secretarias pessoas técnicas e não por questões partidárias. Com um monte de PTistas desempregados, é capaz que ele acabe cedendo à pressão do partido para colocar este bando de gente em cargos na prefeitura de São Paulo (cidade em que moro). Até porque boa parte dos salários dos ocupantes dos cargos comissionados volta para o caixa do partido (isto acontece com TODOS os partidos, é um dízimo que qualquer postulante a cargos deste tipo têm que pagar).

P.S. Notem que na análise do eleitorado eu não fiz nenhum juízo de valor. Dentro de uma democracia, “votar com o coração”, ou mesmo se abster, é totalmente válido. Mas que eu acho engraçado o pessoal procurando argumentos lógicos para justificar uma escolha emocional, isto eu acho!

Eleicoes

Good Omens – Terry Pratchett & Neil Gaiman (16/2014)

Minha dentista outro dia me comentou sobre este livro e fiquei na curiosidade de ler, pois a “sinopse” que ela havia feito me pareceu muito interessante: dois anjos, um do exército divino e um anjo caído, ou seja, do exército do inferno, se encontram na terra há mais de seis mil anos, com a missão de prepararem as coisas para o dia do armagedom.

O problema é que, além deles terem se tornado amigos, eles já viveram tanto tempo entre os humanos que se habituaram a alguns prazeres mortais (como carros, no caso de Crowley, o anjo caído, ou sushi e livros, no caso de Aziraphale, o anjo do exército divino). Além de terem desenvolvido afeição pelas pessoas e questionarem a necessidade de se extirpar a vida na terra por conta de um capricho divino.

Para piorar a situação, na hora de colocar o anticristo para ser criado em determinada família, os assistentes de Crowley acabam confundindo tudo e o bebê acaba indo para uma outra família, sem que ninguém saiba qual é, e ambos (Crowley e Aziraphale) têm que correr para descobrir onde se encontra o filho do senhor das trevas antes do dia do juizo final, que acontecerá em 4 dias e que eles estão, na verdade, tentando evitar.

Vale dizer que os autores são britânicos, então já dá para imaginar o tipo de humor encontrado no livro, que é uma mistura de Douglas Adams (O Guia do Mochileiro das Galáxias) com Monty Python (notaram a semelhança da confusão de bebês com “The Life of Bryan”?).

Existem partes simplesmente hilárias, como na que eles contam como uma freira satânica (a mesma que fez a confusão na troca de bebês) criou o que conhecemos hoje como “treinamentos corporativos”, daqueles em que o pessoal da empresa é levado à um hotel de luxo que têm piscina, quadras, bares, geralmente num dia de sol e calor, para que os funcionários fiquem enfurnados dentro de uma sala afim de construir uma canoa, ou uma torre, ou algum outro tipo de atividade que ninguém vê sentido algum, mas para qual todos inventam “lessons learned” (e eu concordo plenamente que este tipo de atividade só pode ser coisa do cão!).

Ou na “reconstrução” dos quatro cavaleiros do apocalipse, onde a fome, por exemplo, é um famoso guru de dietas, que criou uma linha de produtos que não engorda, mas também não alimenta, além de uma rede de fast food cuja descrição em muito lembra o McDonalds, Burger King, e outras gigantes americanas.

A acidez do humor britânico também se faz presente como no trecho abaixo, onde algumas crianças estavam querendo “brincar” de Inquisição Espanhola:

– Eu não acredito que seja permitido às pessoas sairem por ai queimando outras pessoas!
– É permitido se você for um religioso.

Foi um dos livros mais legais que eu li e em vários trechos eu não conseguia conter as gargalhadas, mesmo enquanto estava lendo em público. O único porém foi que eu comprei o livro em inglês e devo ter perdido várias piadas, pois estou mais habituado com o inglês americano. Ao menos entendi a do Greatest Hits do Queen, que diz que, ao escolher aleatoriamente uma fita no carro para colocar para tocar, é 100% de chances que esta fita seja o greatest hits do Queen e que a música que esteja “no ponto” seja precisamente “Bohemian Rhapsody”.

Tentei até encontrar o livro em português, cujo título é “Bons Presságios”, para ler novamente (sim, estou disposto a ler novamente, de tão bom que é), mas infelizmente está esgotado.

Não sei como ninguém teve a idéia de transformar em um seriado. Iria render umas boas 3 temporadas de estórias hilariantes.

Top Top #14 – Músicas Românticas – Nacionais

Love Songs 4Continuando com as listas de músicas românticas, agora as melhores músicas românticas nacionais. Eu parei de tentar fechar as listas com números “redondos” (10, 15, 20, etc) e vou fazer as listas com a quantidade que eu bem entender (afinal de contas, eu sou dono desta bagaça e aqui as regras são minhas!). Então, seguem as 21 melhores músicas nacionais com o tema amor, segundo este escriba:

21 – Marcelo Camelo – Santa Chuva
Acho que esta foi uma das mais belas músicas que eu ouvi nos últimos 5 anos (tem duas outras mais abaixo). Sem contar que o Marcelo Camelo merece entrar na lista só pelo “investimento” na Mallu Magalhães….hahaha

20 – Chrystian & Ralf – O Ipe E O Prisioneiro
A música caipira e sertaneja é uma festa para encontrar músicas com o tema amor, especialmente sobre desilusões amorosas. É uma amargura só!

19 – Wilson Simoninha – Musica Romantica
Guardadas as devidas proporções, o Simoninha é meio que um “Marvin Gaye tupiniquim do século 21”. Mas como ator no clipe ele é um baita canastrão! E olha que a atuação dele se resumiu a um “Hei? Você!”

18 – Fundo de Quintal & Beth Carvalho – Pra Que Viver Assim
Assim como o sertanejo, o samba basicamente concentra sua temática em músicas amorosas. Aqui uma composição do Sombrinha (tem mais algumas dele nesta lista) na interpretação do Fundo de Quintal com a Beth Carvalho.

17 – Beth Carvalho – Sem Ataque e Sem Defesa
Bela música do Adilson Victor (que compôs a anterior com o Sombrinha) e do Sombra (irmão mais velho do Sombrinha).

16 – Violante – Obra Do Cao
“Linda, era pra ser / Uma canção linda / Mas é humana”. O Violante, que é um projeto do Joniel Veras, do Guardia Nova, é uma das melhores coisas (junto com o próprio Guardia) que eu descobri nos últimos anos na MPB.

15 – Arlindo Cruz & Sombrinha – Ainda É Tempo Pra Ser Feliz
O Arlindo Cruz compôs mais de 600 músicas e o Sombrinha mais de 400 (algumas delas, como esta, eles compuseram juntos), que foram gravadas por artistas do naipe de Beth Carvalho, Fundo de Quintal (grupo do qual os dois fizeram parte durante anos), Chico Buarque, Maria Rita, Zeca Pagodinho, só para citar alguns. Isto é só uma amostra de músicas relacionadas ao tema amor, o preferido da dupla.

14 – Cassia Eller – Meu Mundo Ficaria Completo (Com Voce)
O que mais gosto do Nando Reis (autor da música) é que ele geralmente conta, em suas letras, histórias com começo, meio e fim, muitas vezes relacionadas à coisas do cotidiano, coisas que acontecem comigo, contigo, com seres humanos normais. Aqui numa maravilhosa interpretação da Cássia Eller. “O tom que ele canta as músicas parecia exato para a voz dela”

13 – Nana Caymmi – Resposta ao Tempo
Talvez eu goste desta música por me identificar com a parte de “eterna criança que não soube amadurecer”…..hahaha

12 – Los Hermanos – O Vento
“Se a gente já não sabe mais / Rir um do outro meu bem / Então o que resta é chorar”. É isto!

11 – Guardia Nova – Quando Chegar
Como falei anteriormente o Guardia Nova é uma das melhores coisas surgidas na MPB nos últimos anos que acabei descobrindo graças à Internet. Esta letra é simplesmente fantástica! (no link tem o disco todo, vale a pena baixar)

10 – Djavan – Flor do Medo
Música para aquele momento em que você está quase caindo na friendzone…hehehe. E uma bela levada.

9 – Zeca Pagodinho – Saudade Louca
Uma outra composição maravilhosa do Arlindo Cruz (esta em parceria com seu irmão, Alcyr Marques, e o Franco).

8 – Luiz Gonzaga – Qui Nem Jiló
É, o nordestino é bruto e valente, mas também sofre de saudades.

7 – Cartola – Peito Vazio
Foi difícil escolher apenas uma do Cartola. Posso até dizer que foi meio que aleatoriamente. Só não concordo com a parte do “garanto que não beberei nunca mais”!

6 – Tim Maia – Labios de Mel
O Tim Maia, tirando a fase racional, basicamente tinha o amor como tema central de suas canções. Eu escolhi esta porque acho a letra muito boa e tem um baita swing.

5 – Elis Regina – Atras da Porta
A letra é do Chico Buarque, outro especialista em relacionamentos amorosos, mas o que chama atenção nesta versão é a interpretação. Reza a lenda que a Elis estava no meio de uma crise no casamento com o Cesar Camargo Mariano, que estava ao piano nesta apresentação, e se emocionou com a música. Outros dizem que ela era uma ótima atriz e o choro fazia parte da interpretação que ela dava à canção. Sei que eu fico emocionado quando vejo esta interpretação.

4 – Chico Buarque – Samba do Grande Amor
Mentira!

3 – Gilberto Gil – Drao
O Gilberto Gil já falou em várias entrevistas que ele compôs músicas para as todas as mulheres da vida dele (ele foi casado quatro vezes). Esta foi em homenagem à Sandrão (que ele chamava de “Sandrão”). Além da música em sí ser fantástica (nos últimos anos me tornei um baita fã do Gil), esta versão com o Yamandú Costa é de arrepiar.

2 – Luiz Carlos da Vila – Além da Razao
“Pôr te amar eu pintei / Um azul do céu se admirar / Até o mar adocei / E das pedras leite eu fiz brotar”. O Luiz Carlos da Vila era um verdadeiro poeta e este samba, composto em parceria com o Sombrinha e o Sombra, é uma verdadeira obra prima.

1 – Legiao Urbana – Acrilic on Canvas
Esta música é fantástica porque o Renato Russo usou termos das artes plásticas para contar a estória de uma desilusão amorosa (muito provavelmente verdadeira, como ele gostava de fazer).

Be happy 🙂

Morte e Vida Severina – Joao Cabral de Melo Neto (15/2014)

Morte e Vida SeverinaEu sou um cara muito lógico e racional. Meu cérebro precisa de objetividade ou, se não é possível chegar direto ao ponto, informações suficientes para que ele conclua logicamente qual é o ponto.

Este foi o primeiro livro de poemas que eu lí e já vi que não é para mim. Meu cérebro simplesmente não consegue captar as nuances, reconhecer o sentido por detrás da poesia. Para ser sincero eu não consigo nem enxergar a beleza das palavras.

Até assisti o filme produzido pela TV Globo e, ai sim, aliado com o visual, pude captar um pouco da mensagem do livro (aproveitando: o José Dumont é um baita de um ator, lembro até do primeiro filme que eu vi com ele, chamado “O Homem Que Virou Suco“).

Mas vou me abster de dizer se o livro é bom ou não, pq eu não tenho capacidade para analisar poemas. Mas deve ser, devido aos inúmeros prêmios que já recebeu.

E fiquemos assim.

Top Top #13 – Love songs – Internacional

Love Songs 3A música tem sido utilizada ao longo do tempo para adorar deuses, homenagear pessoas importantes, protestar contra algo, além de várias outras utilidades. Mas creio que nada supera o uso para dela para relatar histórias relacionadas a relacionamentos amorosos.

Seja uma desabafar uma dor de corno, homenagear a pessoa amada, chorar o amor de alguém que já se foi, aposto que mais de 50% de tudo o que se produziu e se produz atualmente na música é relacionado ao tema amor.

Não por coincidência, esta foi a lista mais difícil de “fechar” que eu já fiz, tanto que tive que dividí-la em Internacional e Nacional, e também acabou gerando dois “spin offs”. Toda hora entrava ou saia uma música nova, ou então, dependendo do que eu estava ouvindo no momento, uma música subia algumas posições. Ou quando eu achava que estava pronta, eu ouvia uma música que “não poderia deixar de fora”. Para não ficar enrolando mais, aqui vai a lista das 20 mais belas canções que têm como tema o amor:

20 – Travelling Wilburys – Handle That With Care
Com tantas feras que cantaram o amor em suas carreiras solo ou nas bandas das quais fizeram parte, juntos só poderiam fazer esta maravilha.

19 – Alejandro Sanz – Y Solo Se Me Ocurre Amarte
O Alejandro Sanz é atualmente o que o Julio Iglesias foi na geração dos meus pais. Aquele cantor meio brega, mas que todo mundo curte ao menos uma música (bem, eu gosto de mais de uma…hehehe)

18 – Foo Fighters – Walking After You
Apesar de ser uma bela música, entrou mais pelo clipe muito bem feito do que pela música em sí.

17 – Living Colour – Love Rears Its Ugly Head
“You played the role of having sense / I always played the fool” – que dor de corno!!! Mas geralmente blues é música de corno.

16 – Allen-Lande – When Time Doesn’t Heal
Os metaleiros também amam!!!!!

15 – Fleetwood Mac – Hold Me
Carência pura!!!

14 – The Supremes – Where Did You Love Go
Esta é um clássico que foi regravado pelo menos uma dezena de vezes. As versões do Ringo Starr e do Soft Cell são ótimas também.

13 – Marvin Gaye & Tammi Terrel – Ain’t No Mountain High Enough
Classicão da Motown e baita declaração de amor: “não há montanha alta o suficiente / não há vale fundo o suficiente / não há rio largo o suficiente / para me manter longe de você”

12 – Michael Jackson – I Wanna Be Where You Are
O título e o refrão já dizem tudo sobre a intensidade da música

11 – Ella Fitzgerald & Louis Armstrong – Cheek to Cheek
A pessoa é levada ao céu só por dançar de rostinho colado com a outra! As maravilhas do amor!!!!

10 – Yes – And You And I
Como o pessoal de progressivo é sempre complicado. Precisa atravessar uma floresta em um universo paralelo, montado nas costas de um unicórnio, procurando a essência da vida, numa música de 10 minutos só para falar que quer passar o resto da vida com a mulher amada.

9 – Eric Clapton – Love Comes To Everyone
Esta é para manter um fio de esperança quando se está no fundo do poço. Até porque, o amor do Eric Clapton acabou vindo na forma da mulher de seu amigo, George Harrison, que é o autor e também gravou esta música….hahaha (a Zizi Possi gravou uma versão desta música chamada “O Amor Vem Pra Cada Um“)

8 – Led Zeppelin – Since I’ve Been Loving You
Se você um dia tomar um pé na bunda, encher a cara e resolver ouvir esta música, é melhor esconder todas as facas da casa. Até as de rocambole!

7 – Celine Dion – Because You Loved Me
A música é bonita e a letra, apesar de ser pra baixo, é muito boa também.

6 – Queen – Love Of My Life
Esta música, exatamente nesta versão, não pode faltar em nenhuma lista de melhores canções de amor.

5 – Stevie Wonder – You Are The Sunshine Of My Life
Eu poderia fazer uma piada de humor negro com o Stevie Wonder cantando “You are the apple of my eye”, mas não irei fazer, pois a uma baita música!

4 – Al Green – Let’s Stay Together
Esta música também podia ter entrado na lista de “fucking songs“, mas preferi guardar para esta lista.

3 – Frank Valli – I Can’t Take My Eyes Of You
Trilha sonora dos sonhos que a molecada que viveu a adolescência nos anos 80 tinha com a Luciana Vendramini.

2 – Jeff Buckey – Lover, You Should’ve Come Over
Toda vez que ouço esta música uma gota de suor masculino me escorre pelo canto do olho.

1 – Beatles – Something
Se até o Frank Sinatra disse que esta era a melhor canção de amor escrita, quem sou eu para discordar.

Be happy! 🙂

Update – 9 Sep 2014:
Bônus Track – Rush – Ghost Of A Chance
Eu tive que fazer este update porque não sei como pude deixar esta música de fora. Não, não poderia ficar!!!!

Bag of Bones – Stephen King (14/2014)

BagOfBonesNo artigo sobre o último livro do Stephen King que eu havia lido, Doctor Sleep, eu citei que, apesar dele ser o meu autor favorito (e para mim o maior escritor de ficção talvez da história, no texto eu explico o porque), eu acho que ele tem um grande defeito, que é estender demais suas estórias, muitas vezes com relatos que não agregam em nada a condução ou a conclusão do livro. E olha que eu gosto de relatos detalhados, pois sou o tipo de pessoa que, enquanto lê, monta o filme na cabeça (inclusive criando a imagem dos personagens). Neste livro ele comete o mesmo erro.

Nas 100 primeiras, das 700 e poucas páginas deste livro ele fica numa enrolação danada, contando a vida de Michael Noonan, o personagem principal do livro, que é um escritor “quase best seller” que perde a jovem mulher e à partir dai entra num bloqueio criativo.

Após quatro anos da morte de sua esposa, Michael resolve passar uma temporada na casa de veraneio do casal, que havia praticamente sido abandonada desde o falecimento de sua esposa. Nesta casa, que fica à beira de um lago em uma região não incorporada do Maine, ele começa a ter experiências sobrenaturais.

Na região, ele acaba por ter contato com uma jovem viúva e sua filha de 3 anos. A jovem está envolvida num processo pela guarda da criança contra o avô desta, que é um velho milionário. Michael se vê compelido a tomar para sí a causa da jovem garota e resolve ajudá-la a garantir a guarda da criança.

Durante o decorrer da estória, ele começa a perceber que as experiências da casa, a pequena menina e praticamente todos os moradores da região TR4 estão interligados a acontecimentos ocorridos há quase um século.

Mesmo durante o desenrolar da estória em Sara Laughs (como é chamada a propriedade de Michael à beira do lago), existem algumas passagens muito longas que seriam dispensáveis.

O mote principal da estória eu achei muito boa, mas acho que desta vez o Stephen King errou a mão no desenvolvimento, pois além das enrolações típicas dele, a estória vai e volta, quando você acha que está acabando acontece alguma coisa que faz com que toda a estória dê um passo atrás. Parece novela brasileira que faz sucesso e ai começam a esticar.

Mas ainda assim, é um livro dos Stephen King e ele é sempre um bom contador de estórias. Existe também uma minisérie, com o Pierce Brosnan, em dois capítulos, que pretendo ver em breve e que aconselho para quem não gosta de livros muito longos e tem curiosidade de saber sobre o que se trata o livro.