Arquivo mensal: junho 2014

Berlin Tempelhof: uma aula de ocupação dos espaços públicos

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Já havia falado no meu texto sobre a Virada Cultural (aqui) que eu acho muito legal os movimentos que ocupam os espaços públicos nas cidades, especialmente nas grandes, onde a “luta” pelos espaços é intensa.

Infelizmente os espaços ficam cada dia mais escassos e existem vários atores que lutam para ocupar estes espaços, entre os principais, destacam-se a própria população, as empresas do ramo imobiliário e, de certa forma até o crime organizado. Quem já jogou War sabe que, quando um jogador conquista um território, se ele se estabelecer ali, fica praticamente impossível retomar aquele espaço. O mesmo acontece com os espaços urbanos nas grandes cidades (a região da cracolândia, em São Paulo, é um grande exemplo).

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Pistas de pouso e taxiamento transformadas em pistas de cooper e ciclovias

Por isto acho que quanto mais a população ocupar estes espaços, estabelecendo aquilo como de uso público, mais as outras “forças” têm que recuar e ceder aquele espaço. Da mesma forma, se a população recua e se contenta em ficar restrita à sua casa, seu condomínio ou a espaços privados de terceiros (shoppings, cinemas, etc), a chance de retomar aquilo que deveria ser usado para um bem coletivo diminui.

Nesta minha segunda viagem à Alemanha tive a oportunidade de conhecer o Tempelhof, um aeroporto desativado que tem se transformado, nos últimos anos, em um parque. A minha curiosidade em conhecer o Tempelhof era justamente por ser um aeroporto, mas ao entender como ele está sendo construido, minha motivação para percorrê-lo praticamente todo era entender um pouco mais deste processo.

A história do Tempelhof
O aeroporto de Tempelhof, que já era usado como pista de lançamento desde o início do século 20, foi declarado oficialmente um aeroporto em 8 de Outubro de 1923. Foi o aeroporto onde a Lufthansa, a maior empresa aérea alemã e uma das maiores do mundo, foi fundada em 1926.

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Jardim comunitário: os moradores do entorno do parque cultivam ali seus jardins

O terminal de passageiros, bem como seus hangares, foram durante muito tempo considerados os maiores do mundo. Foi também o primeiro terminal de passageiros do mundo a ter uma ligação direta com uma estação de trem ou metrô. Por sua imponência e tamanho, ele era um dos símbolos da força e poder do povo alemão durante o regime nacional socialista de Hitler, tendo este inclusive utilizado o aeroporto para um de seus mais célebres discursos, em maio de 1933, que segundo estimativas, foi presenciado por cerca de meio milhão de pessoas.

Durante a guerra fria, com os acessos terrestres e fluviais bloqueados pela URSS, o aeroporto foi muito importante para abastecer o setor ocidental de Berlin de comida, combustível e outros insumos e, durante este tempo serviu, além de aeroporto, como uma base aérea americana.

Após a queda do muro e a unificação da Alemanha, houve uma decisão política de se manter apenas um aeroporto na cidade e o escolhido foi o Schönefeld. Mais tarde houve a decisão de manter um segundo aeroporto, sendo este o Tegel (que originalmente também seria fechado). O aeroporto de Tempelhof foi ocifialmente fechado em 30 de Outubro de 2008, porém 3 aeronaves não puderam decolar naquele dia devido ao mau tempo e só deixaram o aeroporto em 24 de Novembro de 2008, quando então o aeroporto deixou de operar definitivamente.

O Tempelhof era tão grande, levando-se em consideração a época que ele foi construído, que chegou a abrigar uma feira aeronáutica em 1976, que teve inclusive o pouso e decolagem de um 747 da Pan Am, então a maior aeronave comercial em operação.

A ocupação
Com o aeroporto fechado e todo aquele terreno à disposição, a população vizinha ao aeroporto começou a utilizá-lo eventualmente para algumas atividades de lazer. Apesar de terem existido algumas atividades oficiais, como corridas nas pistas e feiras nos hangares, foram as atividades espontâneas que talvez mudaram o futuro do espaço.

Primeiro algumas pessoas começaram a “invadir” aos finais de semana para andarem de bicicleta, de skate ou apenas para correr nas pistas. Nas áreas próximas às entradas, e longe das pistas de asfalto, algumas pessoas aproveitavam a grama para jogarem futebol ou vôlei. Depois as pessoas começaram a fazer churrascos dentro do local, ou a levarem seus cachorros para um passeio sem coleira.

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Curso de minigolf montado pela própria população, com restos de aviões ali encontrados.

Em Agosto de 2009 a prefeitura de Berlin anunciou oficialmente que iria transformar o local em um parque. Porém, diferentemente do que normalmente vemos acontecer, onde o aparelho público chega e define que tipo de atividades existirão no local (por exemplo: terá um campo de futebol, duas quadras de tenis, tantas mesas para piqueniques, etc), como o local já estava sendo usado pela população, o tipo de atividade que está sendo desenvolvida no parque está sendo criada pelos próprios frequentadores conforme a utilização do espaço (a prefeitura só bloqueou acesso a algumas áreas que funcionam como santuário de pássaros).

Atualmente existem duas grandes áreas destinadas à churrasco, um grande campo de futebol, três quadras poliesportivas menores, três “dog parks” onde os donos podem soltar seus cachorros (cada um deles é destinado a determinado porte de cachorro), entre outros equipamentos. Os moradores vizinhos construíram também um “campo” de minigolf, utilizando-se de peças de aviões que estavam abandonadas no local.

Além disto, os moradores mantêm outros projetos dentro do agora parque, como um jardim comunitário, onde estas pessoas vão desenvolver atividades de jardinagem, que na maioria das vezes constitui-se no hobby delas, mas que por falta de espaço nos edifícios onde elas vivem, não seria possível desenvolver.

Assim como aconteceu com a East Side Gallery, que iria ser demolida para dar lugar a prédios comerciais (os prédios estão sendo construídos, mas a galeria foi mantida, mesmo assim a visão de um prédio comercial na beira do Spree, atrás de pedaços do muro de Berlin, não é legal) e a população interviu para que isto não ocorresse, no Tempelhof ocorre algo parecido, com uma intervenção ainda maior da população, seja brigando junto aos órgão para que eles equipem o parque com os aparelhos necessários, seja eles mesmo se unindo e contruindo estes aparelhos.

Ainda bem que eles tomaram a iniciativa pois, se não houvessem tomado, talvez teriamos neste momento um canteiro de obras construindo prédios residenciais, comerciais, ou pior ainda, um shopping naquele local. Parabéns aos berlinenses!!!

Wanderlust #6 – Amsterdam, Holanda

094Eu já disse que se eu tivesse que escolher um lugar para morar este seria os Estados Unidos, porém, para mim um lugar para se passear é a Europa. Por mais que o Brasil e o Caribe tenham praias sensacionais, os EUA tenham alguns lugares bem interessantes (como New York, Philadelphia, a Califórnia e o Hawaii), o que me atrai mesmo é cultura e história e isto na Europa você encontra em cada canto de cada cidade.

Na charmosa Amsterdam não seria diferente e cada edifício, cada parque, cada praça da cidade tem uma história para contar.

Como nas demais viagens que fiz à Europa, não fiz muitos planos sobre o que fazer na cidade (apesar de ter algumas coisas em mente) e, assim que cheguei, aproveitando o restante do longo dia dos verões Europeus , fiz um “reconhecimento” andando cerca de 20kms durante umas 6 horas aleatóriamente, assim pude “descobrir” algumas coisas interessantes (algumas nem tanto!) que poderia fazer nos demais dias na cidade.

Depois de algumas pesquisas em sites sobre as atrações pude montar minha programação, que durou mais dois dias. Parece pouco tempo, mas além das cidades Européias, na sua maioria, serem pequenas (se comparadas à São Paulo ou Los Angeles, por exemplo), o dias são realmente longos no verão, com o sol começando a se por às 22:00hrs, então, para quem tem pique de acordar cedo e resolver aproveitar bastante, dá para passar cerca de 10, 12 horas por dia passeando.

É claro que a gente sempre acaba dando uns tiros n’água ou deixando de fazer alguma coisa interessante, mas o barato de “mochilar” também é este.

Aqui vai um resumo do que eu vi, o que gostei e não gostei, do que poderia ter visto, etc. Além de algumas dicas e observações.

Imperdível:

  • Casa da Anne Frank: se você não leu o livro (O Diário de Anne Frank), primeiramente leia e depois vá conhecer o local. Creio que por mais emocionante que seja e por mais que esta triste história seja contada no Museu, a experiência não será tão intensa como se você soubesse da história pelo próprio protagonista.
  • Museu Van Gogh: museus de arte costumam ser um pouco enfadonhos para quem não conhece muito (meu caso), mas neste caso, como o Museu também conta a história da vida e do desenvolvimento deste artista, foi muito interessante. Eu que não conhecia muito, acabei me interessando mais por sua vida e obra.
  • 144Brouwerij ‘t IJ: esta é uma cervejaria artesanal de Amsterdam que produz cervejas de uma qualidade altíssima. Porém, mesmo para quem não é um apreciador da bebida ou sua história, é imperdível pois fica ao pé de um dos 3 últimos moinhos da cidade, sendo este o único ainda ativo (usado na moagem dos ingredientes da cerveja alí produzida). Além da qualidade, as cervejas são baratas em comparação à outros cafés (assim que se chamam os “pubs” de Amsterdam. Favor não confundir com os coffeshops, que é onde se consome maconha…hehehe). Em média, em uma Heineken ou Amstel (as cervejas populares holandesas), paga-se 6 euros num pint em lugares normais, porém, aqui paga-se entre 2,20 e 3,00 euros para tomar cervejas diferentes e ótimas (copo de 300mls). Sugiro pedir o “sample” de cervejas, que é composto por 5 copos de 100mls de tipos diferentes por módicos 8 euros.
  • Cerveja na Reimbrandplein e na Leidseplein: estas duas praças são cercadas de cafés, restaurantes, coffeshops, lojas de souvenirs e é onde os locais vão ao final da tarde para o happy hour. Os turistas se juntam à estes e vira tudo uma torre de babel bem legal. Para ajudar, aparecem um monte de artistas de rua tocando, fazendo performances, etc. É uma ótima pedida para o final de tarde quando se está cansado de andar e precisa relaxar um pouco.

Não vale a pena:

  • Red Light District: primeiro quero dizer que não sou contra a prostituição, achando inclusive que ela deveria ser legalizada no Brasil. Também sou a favor de que cada um faz o que quer com seu corpo e com sua vida, tendo inclusive o direito de abdicar dela. Porém eu não sei em que lugar do mundo ver seres humanos expostos numa vitrine como se fossem objetos é legal. Eu esperava algo diferente (como na Reeperbahn de Hamburgo, um dia este artigo sai!) e me decepcionei. Só valeu a pena mesmo algumas risadas com as figuras “perdidas” nas proximidades e pelo ótimo bife ancho que comi num fast food argentino.
  • Ice Bar: se você algum dia já teve vontade de entrar num freezer, esta é a oportunidade. Como eu nunca tive, não acabou valendo nem pela cerveja no copo de gelo, já que ela perde o gosto.

Se tiver tempo:

  • Heineken Experience: esta é para os apreciadores de cerveja. Tudo bem que a Heineken é uma cerveja popular (e na Alemanha seria como se fosse uma nova schin ou bavária no Brasil), mas é interessante para conhecer o processo de fabricação de uma cerveja, a história e para comprar alguns souvernirs da marca.

007Deveria ter feito:

  • Passeio de barco pelos canais: este é um que eu sempre acabo não fazendo. Talvez seja porque eu não gosto de passeios em que eu não possa sair na hora que eu quero. Mas deve ser um passeio bem legal. Para os casais, tem opções de passeios com jantar à noite. Ou para os que vão atrás de baladas, eventualmente existem baladas e barcos que percorrem alguns dos canais.
  • Rijksmuseum: eu gosto sempre de, nas cidades que eu conheço, procurar algum museu que conte a história daquela cidade e principalmente daquele povo. No Rijks tem isto e é também um museu de arte. Infelizmente pelo pouco tempo eu tive que deixar este passar, mas, para quem vai à Amsterdam, vale ao menos uma passada pelo seus belos jardins quando à caminho do Museu Van Gogh.
  • Alugar uma bicicleta: eu calculo que andei em 2 dias e meio em Amsterdam cerca de 50kms. Eu gosto de andar nas cidades pois você acaba encontrando alguns tesouros que talvez em outros meios de transporte passassem despercebidos (pela velocidade destes, pela concentração que você tem que ter, etc), porém, talvez devesse ter alugado uma bicicleta durante um dos dias para que eu otimizasse meu tempo.

Dicas e observações:

Hans Jan, o ordenhador, deixando Amsterdam já com vontade de voltar

Hans Jan, o ordenhador, deixando Amsterdam já com vontade de voltar

  • Nas cercanias da Leidseplein existem muitos restaurantes: Indianos, Italianos e muitos, mas muitos Argentinos (tem até um Brasileiro) onde come-se bem por cerca de 10, 12 euros.
  • Como em quase toda a Europa, é praticamente desnecessário alugar um carro e usar o transporte público de Amsterdam é a melhor pedida, até porque a cidade carece de espaços de estacionamento.
  • O preço do cartão de transporte (OV-Chipcart), o bilhete único deles, é meio salgado: 7,50 euros somente o cartão, ai vc escolhe a quantidade de crédito. Creio que 10 euros por dia sejam mais do que suficientes.
  • No transporte público de Amsterdam paga-se pelo trecho percorrido, então não pode esquecer de passar o cartão novamente na hora de descer do bonde ou ônibus, ou quando se deixa a estação de metrô.
  • Mesmo indo e voltando do aeroporto dá para usar o transporte público. Só lembrando que como o Aeroporto fica em outra cidade (Schipol), não se usa o mesmo cartão de Amsterdam e é preciso comprar a passagem à parte (4,70 euros). Tome o Intercity em direção à Estação Central de Amsterdam e de lá é muito fácil chegar a qualquer lugar da cidade de Tram (bonde).
  • O smartfone e alguns aplicativos e sites (Google Maps, Google, Waze e até o Foursquare, já que em alguns lugares, quando se dá checkin tem desconto) são uma ótima ferramenta para procurar lugares. Compensa pagar 20 euros por um chip de internet (na maioria dos Aeroportos da Europa vende).
  • Literalmente em Amsterdam tem um bar em cada esquina! Meu fígado não iria aguentar uns 3 meses morando lá….hahaha.
  • Amsterdam é uma cidade para turistas, portanto, com preço para turistas.
  • Praticamente todo mundo fala inglês na cidade, então é fácil se virar. Porém, com as placas a coisa fica um pouco mais complicada. Ainda bem que a base do alemão me serviu para entender (e bem!) o que estava escrito em placas, museus, etc.
  • A cidade me pareceu um pouco suja, com lixo acumulado em algumas esquinas, entulho na frente de alguns prédios e bitucas em tudo quanto é lugar. Falta muito cesto de lixo.
  • Diferentemente de Berlin, onde em 4 semanas eu não vi sequer uma pessoa que passeava com o cachorro portar sacolinhas para recolher as fezes, em Amsterdam parece que a prática está começando.
  • Eu achava que Berlin era a cidade das bicicletas (segundo cálculos existem cerca de 2 milhões de bikes em Berlin para um total de 5 milhões de pessoas!), porém as magrelas são definitivamente o meio de transporte primário de Amsterdam. Chega a existir trânsito de bike, especialmente próximo à estação central. A topografia da cidade ajuda, já que os únicos aclives que existem são os das pontes. E o pessoal de Amsterdam faz de tudo em cima da bike: come, namora, faz teleconferência, acessa internet no smartfone. Eles são craques em pilotar com uma mão só.
  • Porém, como tenho notado, o comportamente maleducado de ciclista é padrão mundial. Não se respeita pedestre, farol, nada.
  • Aliás, ninguém respeita pedestre: nem ciclista, nem motorista e nem motociclista (os condutores dos bondes eventualmente). Então é bom sempre tomar um cuidado maior na hora de atravessar as ruas, já que a maioria das ruas da região central não possuem farol para pedestre.
  • Além das bikes, Amsterdam é a cidade das motonetas: scooters, bicicletas motorizadas, lambretas, etc. E elas podem circular nas vias destinadas às bikes (e não precisa usar capacete!). Ou seja, cuidado dobrado na hora de atravessar ciclovia (como os ciclistas, eles também não vão frear).
  • Parece que os micro e mini carros também estão sendo bastante disseminados por Amsterdam (e em outras cidades Européias). Existe até um serviço de aluguel de Smarts (car2go) parecido com o sistema de bikes do Itau no Brasil, onde pega-se o carro (elétrico) em algum ponto, paga-se por hora e/ou kilometragem e devolve-se em outro ponto. Os micro carros que têm velocidade máxima de até 40 km/h também podem circular pelas vias destinadas a bikes. Cuidado triplicado então na hora de atravessar uma.
  • Acho que nunca vi tantas mulheres bonitas quando na Holanda. E não é somente aquele biotipo da “loira aguada de olho verde”, já que eles têm outros biotipos, que provavelmente vieram das antigas colônias (ou por terem muitos portos no país), mas todas as mulheres são muito bonitas e charmosas: a loira de olho verde, a morena de olho azul, a ruiva sardenta, a negra, etc.

 

Top Top #11 – Músicas espirituais

Músicas espirituaisAproveitando que o livro que eu estou lendo e o último que eu li, falam bastante sobre espiritualidade, resolvi compilar esta lista com músicas que remetem à este tema.

O título original desta lista quando ela começou a ser formada, há uns 8 meses (qualquer dia eu explico o processo de montagem das listas), era “Músicas Religiosas”, porém, ao dar uma revisada na lista para publicar, eu notei que a maioria delas não faz menção à uma religião em específico, e algumas poucas fazem menção à ícones (Jesus, Santos, etc) destas religiões.

Então notei que espiritualidade, que é você estar bem consigo e com o seu entorno, e que para a maioria das pessoas tem a ver com religião, fosse o melhor título.

Making a long story short, segue as minha lista das 10 melhores músicas que tem espiritualidade ou religião como tema:

10 – Raul Seixas – Gita
O mestre Raul nos presenteou com esta obra prima do rock nacional onde ele fala sobre um ser divino que é tudo, que é atemporal, que está em todos os lugares.

9 – Dream Theater – Surrounded
Como dá para perceber pela lista, apesar de eu não ter fé em nenhum tipo de ser supremo, eu curto esta idéia de que, se existir um ser divino, este ser não tenha uma imagem, um formato (especialmente formato humano), mas que ele nos rodeia. No caso desta música do Dream Theater, como uma luz que envolve.

8 – Arlindo Cruz & Sombrinha – Teu “M” eu trago na mão
Talvez a religião que eu menos tenha tido contato na minha vida tenha sido a católica. Apesar disto, achei este samba dos mestres Arlindo Cruz e Sombrinha muito maneiro, por retratar as várias faces de Nossa Senhora, um dos ícones principais do catolicismo.

7 – Roberto Carlos – Todos Estão Surdos
Este soul/funk do Rei trata de como as pessoas às vezes tem a sua “salvação” na frente do seu nariz e mesmo assim a ignora, assim como ignoram boa parte dos mandamentos das religiões que professam.

6 – Yes – In The Presence Of
Outra que fala como estamos sempre na presença de algo divíno e mesmo as coisas mais simples, como uma flor, têm sua divindade.

5 – Beatles – Inner Light
Beatles (muito mais o George Harrison) fazendo uma “viagem interior”, pelas influências do Hinduísmo. Uma das coisas que acho muito interesante nas religiões orientais é isto: a busca pelo auto conhecimento como base para um entendimento maior.

4 – Zeca Pagodinho – Ogum
Acho que nunca ouvi música onde os intérpretes (tanto o Zeca quanto Jorge) mostram tanta devoção pelos seus credos como nesta.

3 – Jeff Beck – People Get Ready
Este clássico do Rhythm and Blues diz que tudo o que é preciso para alcançar o “reino dos céus” (seja lá a forma como a pessoa o imagina) é ter fé. Aqui numa versão fantástica com a Joss Stone.

2 – Jeff Buckley – Hallelujah
Esta famosa canção de Leonard Cohen ganhou uma versão impressionante do Jeff Buckley. Talvez ela nem entrasse na lista se não fosse por esta interpretação deste gênio que nos deixou muito cedo.

1 – George Harrison – My Sweet Lord
Acho que ninguém conseguiu resumir tão bem a eterna busca do ser humano por este ser divino como o George Harrison.

Axé! Shalom! As-Salamu Alaikum! Amém! Harehama! A paz do Senhor! Namastê! Saravá!

 

Santa Puta – A Redentora – Yumbad Baguun Parral (11/2014)

Santa PutaEste foi o segundo livro do Parral que eu adquiri (leia a resenha do anterior aqui). Diferentemente do primeiro, que tem como ponto central a política, este segundo passa por vários assuntos, desde cultura, religião e claro, política também.

O livro, que conta com um prefácio de “Deus”, transcrito pelo Antonio Abujamra, parte de duas premissas interessantes. A primeira delas é usar um romance para tratar de questões filosóficas, bem ao estilo Nietzche, Camus, Dostoievsky, entre outros autores que ao longo da história usaram deste recurso. Eu acho bem interessante, pois quando se fala diretamente em filosofia, o livro tende a ficar um tanto quanto maçante (tente ler Sócrates ou Platão, por exemplo) e em forma de romance, as idéias do autor são colocadas dentro de um contexto e ilustradas, o que facilita a leitura e o entendimento. Além de atingir pessoas que normalmente não se interessariam pelo tema.

 “A capacidade natural de gerar a vida no próprio corpo e incapacidade inata de enfrentar os conflitos pela força são diferenciais fundamentais. Quem gera, pare, amamenta, educa e forma tem mais condição de gerir que quem, invariavelmente, abandona, massacra e mata…”

A segunda, é o mote principal da estória, de que Cristo, na sua segunda vinda à terra, viria na forma de uma mulher, pois somente o amor da mulher seria capaz de salvar a humanidade.

À partir desta premissa, a história toda é desenvolvida e o autor envereda por diversos assuntos, ligados diretamente ou não à este tema central, como por exemplo, o papel da mulher na nossa sociedade (machista), o porque das religiões ocidentais sempre ligarem a figura de um ser superior e/ou salvador a um homem, etc.

Mais pelo meio do livro, com a história já encaminhada, as questões filosóficas se desenrolam para o momento cultural da nossa sociedade e passa a fazer uma análise de cenários da política (e poder) mundiais.

“Uma das grandes deficiências do capitalismo é a falta de uma política social, ecológica e cultural mais sensível, voltada para a melhor distribuição dos resultados e o cuidado com seus custos ambientais.

Como sistema eficiente de produção é o que de melhor a história já produziu. Porém, como métodologia distributiva praticamente não avançou.”

O autor também trata de temas polêmicos e tabus, como poligamia, homossexualismo, aborto, entre outros tantos “vespeiros” em que outros autores geralmente só se arriscam a botar a mão em estórias totalmente fantasiosas.

“A bestialidade do mundo se alimenta da própria podridão. A aberração de que nos acusam geralmente está em que nos aponta e tenta rotular, não em quem é apontado. Normalmente nos convertem em espelho onde se fazem refletir e, por não se admitirem como se vêm nos acusam da própria bestialidade ou hediondez.”

Eu gostei de como os temas são introduzidos no texto, apesar de não ter gostado do romance em sí. Talvez por ter muito misticismo isto acabe fazendo com que eu crie uma certa antipatia inicial, mas gosto muito de como o Parral desenvolve suas idéias (quer concordando com elas ou não) e de como ele aborda os temas com uma imparcialidade rara no meio literário nacional, já que a maioria dos autores insistem em incutir suas ideologias de uma forma “passional”, mesmo pregando e apresentando-se como imparciais.

Vai ter copa! Mas falta bom senso.

VaiTerCopa1Não sei o motivo, mas eu nunca fui pego pelo sentimento ufanista que envolve a Seleção Brasileira, especialmente em épocas de Copa do Mundo. Quando eu era criança eu gostava da festa de ajudar a pintar as ruas, fazer bandeirinhas e do fato de não ter aula nos dias de jogos. Mais adulto eu sempre gostei dos churrascos ou das idas em bares com os amigos para assistir os jogos, muito mais pela festa do que pelo jogo em sí. Mas sinceramente a Seleção não é algo que me emocione ou me empolgue.

Inclusive eu nem me vejo na obrigação de torcer para a Seleção. Lembro de ter torcido pela seleção brasileira em 1994 (acho que esta foi a Copa em que eu mais me empolguei) e 2002 (bem menos). Em 2010 eu torci pela seleção também, mas dividi minha torcida (na verdade, melhor chamar de simpatia), com as seleções da Alemanha e do Uruguai. Em 1998 eu simpatizava com a Holanda. Da Copa de 2006 eu pouco me lembro pois nem acompanhei muito. Nesta Copa eu gostaria que a Inglaterra ou a Alemanha levassem, não por ser contra a Seleção Brasileira, mas por entender que estes dois países sim, é que são os países do futebol (basta comparar a média de público deles superior à nossa, inclusive com suas divisões inferiores tendo média maior do que a nossa principal) e mereceriam levar.

Também fui contra a Copa no Brasil e desde a escolha do país como sede eu já havia decidido que iria viajar para fora do país quando esta acontecesse (dia 18 eu estou “fugindo”). Não porque ela foi conquistada por político A ou B, ou porque eu acho que o país tem coisas mais importantes com o que se preocupar (e tem!), ou porque haveria muita falcatrua envolvida, o que aconteceria com ou sem Copa (corrupção não é um problema da Copa e sim um problema do Brasil).

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Não tem contra indicações e pode ser tomado em doses cavalares

Eu simplesmente não concordo com eventos onde o investimento seja público, o risco seja público, mas o lucro seja privado. Desta forma eu também não concordo com as Olimpíadas, não concordo com a Fórmula 1 ou a Indy em São Paulo (apesar de ser apaixonado por automobilismo). Chego inclusive a discordar dos incentivos promovidos à indústria cinematográfica nacional, pelo mesmo motivo: o governo abre mão de impostos para que estas produções sejam desenvolvidas, porém o “patrocinador”, além da isenção, ganha com a exposição da sua marca e a empresa que produziu o filme, ainda tem a chance deste ser um sucesso, sem o compromisso de devolver os valores investidos para os cofres públicos. Ou apenas e simplesmente reinvestir na própria indústria cinematográfica.

Entendo que o “legado da Copa”vai ser pequeno. Mas talvez nem existisse se ela não acontecesse. Acho que não precisamos de um evento desta magnitude para cobrarmos dos nossos governantes investimentos em infraestrutura (talvez um dos maiores gargalos no Brasil atualmente) e em outras coisas muito importantes para o desenvolvimento do nosso país. A cobrança deve ser contínua.

Apesar disto, eu não preciso torcer para que a Copa seja um fracasso, ou para que a Seleção não conquiste o caneco (não vou torcer a favor, mas não preciso torcer contra). Eu quero é que, na medida do possível, a Copa seja uma festa alegre para os brasileiro, que os estrangeiros que estiverem no Brasil sejam bem tratados, que nada de mal aconteça a ninguém e que eles levem uma boa impressão do nosso país, que tem muitos problemas sim, mas que também tem suas muitas virtudes.

Sinceramente eu acho que você torcer pelo insucesso de algo, só porque não concorda ou não apoiou, uma pequenez muito grande. Coisa de gente com a tal “síndrome de cachorro vira latas”, da qual já falei em um artigo na Feedback Magazine.

Inclusive acho que a “grita” dos últimos dias dos tais “movimentos sociais” e dos movimentos sindicais chega a beirar a extorsão, a chantagem, por aproveitarem de um momento crítico de um grande evento para exigirem coisas, muita vezes surreais. Mas como diz um ditado russo: “você pode até dançar com um urso, mas quem vai escolher a hora de parar será ele” e o PT, que alimentou estes “monstrinhos” durante tanto tempo, agora enquanto governo, está sentindo na carne o mal que eles fazem.

Mas apesar de tudo isto, lá de longe, a alguns milhares de quilometros de distância do Brasil, eu quero pelo menos sentir orgulho de, ao assistir jogos e reportagens sobre a Copa no Brasil em um bar cheio de estrangeiros ou em uma praça, ter a oportunidade de vê-los perceber que que o Brasil é muito, mas muito melhor do que eles sempre imaginaram, que vai além da tríade “bunda, samba e futebol” e que, apesar de todos os nossos problemas, a gente consegue, do nosso jeito, fazer as coisas acontecerem sem dever nada a ninguém.

Botecando #25 – Paraty 33 – Paraty – RJ – Brasil

Parati 33 3Logo no primeiro dia em Paraty, quando estávamos tomando uma cerveja no Bar Sarau, passou uma promoter distribuindo flyers do Paraty 33 anunciando que, na quinta e sexta, a Banda Forum (que eu já havia assistido em SP, acho que no Wild Horse), iria se apresentar no local. Combinamos de ir na sexta para ver qual era a do lugar.

No dia seguinte, ao voltar da praia, demos uma passada em frente e gostamos do ambiente e decoração do lugar (com várias referências a alguns clássicos como o filme Scarface, a Kombi, e uma porrada de memóriabilia). Além do que, é a única balada no centro histórico.

Parati 33 2Ao chegar e entrar na casa, já somos supreendidos pelo Juan, um argentino que é um dos sócios da casa, e que chamou um dos garçons para que este nos arrumasse uma mesa. Ele conseguiu uma mesa bem de frente pro palco, após realocar um monte de mesas, o que já nos fez ficar fã da casa.

TODOS os funcionários da casa, iniciando pela hostess, passando pelos barmans, os garçons e o próprio Juan, são extremamente competentes no tratamento dos clientes. E não parece ser algo forçado, artificial, o que me faz imaginar que a casa procura justamente pessoas que têm prazer em atender bem para fazer parte de seus quadros.

Toda hora que iriamos fumar estava lá o Juan para puxar papo, contando histórias suas, da casa, de Paraty (ele já mora há 15 anos na região) ou sobre o rock na Argentina. Ele inclusive fez participações cantando com as bandas (além da banda Forum, no sábado, um artista paulistano radicado em Ubatuba, foi o responsável pelo show: Nilo), nos dois dias, versões brasileiras de músicas de bandas de rock argentinas: A Sua Maneira, do Capital Inicial e Que Vez, do Tijuana.

Parati 33 1O atendimento foi tão bom que voltamos no outro dia para almojantar e quando entramos na casa, o Juan prontamente nos reconheceu, chamou o garçon, e pediu para nos dar um tratamento especial, pois na noite anterior ele não pode nos dar a atenção que queria.

As meninas até ganharam VIP para a noite, que haviamos combinado de ser mais light, mas no final das contas, acabamos saindo quase as 3 manha, mas bem felizes por aproveitar uma boa casa e que conta com uma atendimento que deveria ser padrão.

Para não dizer que tudo são flores, R$ 11,30 por uma long neck de Heineken é meio “puxado”, mas como tudo em Paraty, parece que seguem padrão Europeu de preços e só convertem do Euro para o Real, o que prejudica um pouco os brasileiros.

Onde: Paraty 33(Rua Maria Jácome de Mello, 357, Paraty, Rio de Janeiro, Brasil)
Quando: 02 e 03/05/2014
Bom: atendimento e decoração
Ruim: preços mais caros que SP
Site: http://www.paraty33.com

Botecando #24 – Bar Sarau e Barril Pub – Paraty – RJ – Brasil

Bar Sarau e Barril Pub: irmãos gêmeos!!!!

Bar Sarau e Barril Pub: irmãos gêmeos!!!!

Logo no primeiro dia, na chegada em Paraty, resolvemos procurar algum bar para tomarmos algumas (de leve!!!) e ao dar um passeio pelo centro histórico, encontramos, ao lado da igreja, uma série de bares muito parecidos e resolvemos “apostar” em um deles, que foi o Sarau. No dia seguinte, fomos ao bar do lado, o Barril Pub.

São dois bares distintos, mas são tão parecidos e ficam um do lado do outro que vou falar dos dois de uma só vez para não me tornar repetitivo.

Como todo estabelecimento no centro histórico, eles ficam em casarões preservados pelo IPHAN (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) e contam com a arquitetura rústica da cidade como padrão (piso de madeira, bastante pedras, janelas e portas largas) e mesas no calçadão bem irregular (torci meu pé umas 50 vezes, isto sóbrio!!! 🙂 ).

Nos dois existem músicos tocando MPB e alguns sucessos internacionais (como Bob Marley), porém, como os dois bares são colados, para quem fica na rua, o som fica muito confuso quando os dois músicos resolvem tocar ao mesmo tempo e isto é algo que eles podiam melhorar: revezar o som externo, ora tocando o músico de um dos bares, ora tocando o do outro.

Bar SarauO atendimento, como sempre ocorreu em Paraty, foi bastante atencioso, porém sem exageros (à exceção foi o Paraty 33, que falarei mais pra frente).

O que realmente assustou foram os preços. O das bebidas alcólicas era justo e até relativamente barato se comparado aos praticados em SP (R$ 8,00 a garrafa de Brahma de 600mls), porém, o valor das bebidas não alcólicas beira o absurdo: R$ 10 reais por uma água, R$ 13,00 por um refrigerante. Realmente preço padrão Europa (na Alemanha a Erdinger custava € 0,85 enquanto a água custava € 1,50, ou seja, tomar cerveja era questão de economia….hahaha).

Tirando as porções básicas (fritas e calabresa), as demais, especialmente de frutos do mar, também eram um pouco altas, especialmente por se tratar de uma cidade costeira, onde teoricamente os preços deveriam ser mais baratos.

Mas deixando isto de lado, foram noites agradáveis (apesar do frio no dia 30), muito por conta do próprio charme da cidade.

Uma curiosidade: no Barril, excetuando-se o músico, todos os outros funcionários eram argentinos. Aliás, Paraty deve ser a cidade com mais argentinos vivendo fora da Argentina, mais até do que o norte de Florianópolis.

Onde: Bar Sarau e Barril Pub (Rua Marechal Deodoro, Paraty, Rio de Janeiro, Brasil)
Quando: 30/04/2014 e 01/05/2014
Bom: música ao vivo e atendimento
Ruim: preço para turista europeu
Sarau Bar: https://www.facebook.com/sarauparaty.restaurante
Barril Pub: http://pubchoperiabarriu.blogspot.com.br/

Wanderlust #5 – Paraty – RJ – Brasil

IMG-20140505-WA0009Existem alguns lugares que você conhece e se pergunta “por que é que eu não conheci antes?”. Foi o meu caso quando, há dois anos atrás, conheci a cidade do Rio de Janeiro, e o mesmo ocorreu agora com Paraty.

DSCF7516Situada no extremo sul do estado do Rio de Janeiro, um pouco após a divisa com São Paulo, esta charmosa e histórica cidade é bastante conhecida por suas ruas de pedras e seus imóveis com janelas e portas largas, além das 3 igrejas, situadas no centro histórico da cidade. E aqui já fica a Dica 1: se for ficar hospedado no centro histórico, não leve mala e tente arrumar um mochilão, pois é difícil andar por lá com malas de rodinhas e invariavelmente você terá que carregar.

Este centro histórico é repleto de restaurantes, bares e lojas, especialmente de artesanato ou cachaças da região.

Além disto, do centro da cidade consegue-se acesso fácil a duas praias: a praia do Pontal e a praia do Jabaquara (uns 20 minutos de caminhada do centro). Porém, estas não são as melhores praias de Paraty, que se encontra bem no centro da baia de Ilha Grande e por isto conta com várias outras praias, bem como ilhas, somente acessíveis através do mar. Mesmo estas duas praias não sendo as melhores, vale a pena conhecer, nem que seja para sentar em alguns dos seus quiosques para tomar cerveja ou mesmo almoçar. Dica 2: é mais barato comer nestes quiosques do que no centro histórico.

DSCF7555Para ter acesso às outras praias e algumas ilhas (muitas são particulares e com acesso proibido), deve-se pegar um catamarã ou mesmo um barco pequeno. No cais, que fica perto do centro histórico, existem vários barcos que saem com programações diversas. Dica 3: fora de feriados prolongados, não precisa comprar o passeio de barco com antecedência e dá para escolher qual catamarã pegar pouco antes da saida deles, que normalmente ocorre às 11:00hrs (se informe na pousada).

Uma outra opção aos catamarãs (que levam de 50 a 100 pessoas), se estiver com um grupo de pessoas (à partir de 5), é alugar um barco menor e combinar o roteiro com o marinheiro. Vai sair um pouco mais caro, mas talvez valha mais a pena.

Para ficar na cidade, existem várias pousadas a preços acessíveis (no caso, pagamos R$ 200,00 / dia num quarto para 3 pessoas, com café da manhã, bem no centro histórico) e também, para quem vai viajar sozinho ou está em grupos pequenos, existem hostels. Dica 4: na praia do Pontal existem 2 hostels bem legais, de frente para o mar.

DSCF7474Paraty é um lugar que dispensa carro, pois muita coisa você faz à pé (o centro histórico é fechado para carros) e para acessar outras praias você vai de barco. Mesmo para Trindade (infelizmente acabei não indo), existem ônibus saindo de 1 em 1 hora. Dica 5: fui de São Paulo até lá de Ônibus e o custo foi de R$ 105,00. Mais barato do que de carro e com mais conforto, já que era semi leito.

À noite o centro histórico da cidade é bem movimentado e o público é o mais variado possível: famílias, casais, grupos de amigos. Como a cidade atrai bastante turista estrangeiro, um ponto negativo são os preços, que têm padrão europeu e acaba saindo meio pesado para os brasileiros. Em alguns bares uma água chega a custar R$ 10,00. Dica 6: tirando o Paraty 33, os demais bares fecham à 1:00 da manhã, portanto, se quiser aproveitar, tente chegar no máximo as 22:00hrs.

Um outro ponto alto foi a simpatia das pessoas que nos atenderam na maioria dos lugares por onde passamos (pousada, quiosques, bares, etc).

Paraty é encantador e espero voltar lá mais vezes, especialmente no pico do verão (a temperatura estava alta durante o dia, mas à noite já esfriava bem), para poder aproveitar mais as demais praias.

(para ver as imagens abaixo em tamanho maior, basta clicá-las)

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Doctor Sleep – Stephen King (10/2014)

Doctor Sleep 1Stephen King é o autor que eu mais lí e que eu considero o melhor de todos os tempos. Muitos podem achar que este “título” é exagerado, já que não faltam bons autores , mas existem alguns fatos que o colocam acima dos demais, mesmo os fora de série.

O primeiro é a quantidade de sua produção. Mesmo se ele fosse um escritor medíocre, só o fato dele escrever 3, às vezes 4 livros por ano (nem estou considerando os contos), já o colocaria, ao menos, como um dos escritores mais profícuos da história. Ele escreve tanto que seu agente pediu para ele escrever menos, para que o mercado não ficasse saturado de “Stephen King” e como ele disse que não consegue não escrever, acabou criando um pseudônimo (Richard Bachman) para lançar algumas de suas obras.

Fora isto, ele tem livros de sucesso em mais de um estilo. Apesar de ser conhecido como o “Mestre do Terror”, alcunha errônea, já que os livros dele na verdade são de suspense, ele já escreveu obras de enorme sucesso em outros estilos. The Green Mile (À Espera de Um Milagre) e The Rita Rayworth and The Shawshank Redemption (Um Sonho de Liberdade) são talvez os dois maiores exemplos mas podemos citar Under The Dome, The Apt Pupil, The Body – The Fall Of Innocence, Secret Window Secret Garden que são alguns dos seus sucessos que passam por temas como ficção científica, nazismo, adolescência, loucura, entre tantos outros que ele usa de fundo para fazer o que ele faz melhor: construir personagens e explorar suas relações.

Stephen King (aka Richard Bachman)

Stephen King (aka Richard Bachman)

Se você fizer uma busca no IMBD com os títulos de obras do Stephen King aqui citados, você vai encontrar uma adaptação para cinema para todos eles, a maioria muito bem avaliado pelos frequentadores do site (Um Sonho de Liberdade geralmente figura no primeiro lugar). Além disto, se procurar pelo nome, irá encontrar dezenas de obras dele adaptadas para cinema, teatro e TV. E isto é um ponto em que ele também é diferenciado: não existe um escritor que tenha tido tantas obras adaptadas para outras mídias como o Stephen King. E mesmo entre os roteiristas e autores que escrevem exclusivamente para cinema, não existe um cujo conjunto da obra tenha alcançado o sucesso do conjunto de adaptações dele.

Se isto não faz dele um dos maiores autores da história, não sei o que faria.

Em Doctor Sleep, King traz de volta Danny Torrance, o personagem central de um de seus maiores sucessos, The Shinning (O Iluminado). Após uma passagem rápida nos acontecimentos ocorridos logo após a derrocada do Overlook e nas consequências destes acontecimentos, o livro salta no tempo mais de 20 anos para mostrar um Dan Torrance (não mais Danny) seguindo os passos de seu pai como dependente de álcool.

Mais alguns acontecimentos que serão importantes no final do livro e um novo salto no tempo, para quase o momento atual, onde Dan, já na casa dos 40 anos, se vê envolvido com uma menina que possui o mesmo “brilho” que o seu e que se encontra à perigo, da mesma forma em que ele se encontrava no Overlook há mais de 30 anos. E agora é Dan quem tem que assumir o papel que um dia foi de Dick Halloran, e usar o seu brilho para ajudar a menina.

Um livro ótimo! Acho que entra nos top 5 dos que eu li dele. Uma coisa que eu não gostava um pouco no estilo de escrita dele, é que ele fazia uma narração que começava meio modorrenta, entrando em muitos detalhes (muitos desnecessários) e gastando quase metade do livro apenas para definir os personagens, enquanto na conclusão ele dava aquela “corrida”. Neste livro acho que ele dosou esta construção dos personagens ao longo do livro e não precisou entrar em detalhes que seriam desnecessários, utilizando-se inclusive deste recurso do “salto temporal”. Livro indicado para quem gosta de suspense com uma pitada de sobrenatural. E não precisa ter lido / visto “O Iluminado”, pois as referências à primeira obra são bem explicadas durante o decorrer do livro. Mas se você não leu o livro E não viu o filme (que tem direção do mestre Stanley Kubrick e uma atuação fenomenal do Jack Nickolson), não sabe o que está perdendo.